Ténis: Homens são mais punidos que as mulheres

A estatística desmente Serena Williams. Nas duas últimas décadas, em Grand Slam's, os tenistas masculinos foram três vezes mais sancionados que as tenistas femininas. Carlos Ramos já recebeu um pedido de desculpas

A polémica gerada pela discussão entre Carlos Ramos e Serena Williams na final do Open dos Estados Unidos resvalou para uma questão de género alimentada pela tenista que defendeu que se fosse um homem o português nunca a teria penalizado.

Muita coisa se passou e várias pessoas tomaram partido, como se pode lembrar aqui. Katrina Adams, presidente da Associação de Ténis dos Estados Unidos da América, foi uma das pessoas que se colocou ao lado de Serena Williams, nomeadamente no que diz respeito às alegadas diferenças de tratamento por parte dos árbitros a homens e mulheres, tendo referido aos microfones da ESPN que "não há igualdade".

Nesta quinta-feira Carlos Ramos deu de caras com Katrina Adams na cidade croata de Vadar, onde Estados Unidos e Croácia estão a disputar uma eliminatória da Taça Davis. De acordo com alguns jornalistas, ouviu-se Katrina Adams a pedir desculpas a Carlos Ramos.

Na sequência deste gesto terá estado a divulgação da estatística de advertências, as quais demonstram que os homens são muito mais castigados que as mulheres. Aliás, nas duas últimas décadas em Grand Slams os atletas masculinos receberam três vezes mais violações do código de conduta que as atletas femininas (1534 contra 526).

Se nos reportarmos ao universo do Open dos Estados Unidos, onde tudo aconteceu, no mesmo espaço temporal os homens foram punidos com 86 violações do codigo de conduta ao passo que as meulheres foram sancionadas apenas com 22.

Curiosas foram as declarações dos tenistas americanos presentes em Vadar. O capitão Jim Courier, e ex-número um mundial, esclarecer não ter dúvidas "de que Carlos apenas aplicou as regras". Steve Johnson também defendeu o português: "Carlos Ramos reforçou as regras que foram aplicadas em mim ao longo dos anos."

"Eu nunca fui chamado para coaching, mas o abuso de raquete, o abuso verbal, que é apenas parte do esporte. Eu acho que muito disso talvez tenha sido super amplificado porque foi a final do US Open. "

Para Enric Molina, presidente da arbitragem da ITF, "o trabalho de Carlos era imaculado, sob circunstâncias muito difíceis, foi uma triste resposta dos órgãos governamentais não apoiar o excelente trabalho do árbitro".

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