Regata de Portugal volta para "ligar a vela ao popular"

Segunda edição do certame agendada para 30 de maio a 2 de junho, em frente ao Terminal de Cruzeiros de Lisboa. Evento vai entrar no espírito dos Santos Populares e virar-se mais para o rio Tejo

Veio para ficar a Regata de Portugal. Pouco mais de meio ano depois da primeira edição, a segunda está já aí à porta, entre 30 de maio a 2 de junho. O local das provas continuará a ser em frente ao Terminal de Cruzeiros de Lisboa, mas tudo o resto vai ser diferente.

"O projeto mudou por completo. Queremos continuar a apostar na portugalidade e na sustentabilidade e em massificar e democratizar a vela, essa é a nossa aposta. Sentimos que no ano passado isso ficou longe do que nós queríamos. Vamos ter um palco flutuante no meio das regatas, caras conhecidas, figuras públicas, comentadores de vela e bailarinos... há muitas novidades. No ano passado apostámos na música eletrónica, este ano apostamos numa vertente mais popular com artistas de renome como Mónica Sintra, Ágata ou Iran Costa. Vamos trazer o arraial à Regata de Portugal", começou por contar ao DN o CEO da Regata de Portugal, Francisco Mello e Castro, que pretende "ligar a vela ao popular".

A edição inaugural serviu de aprendizagem e, para o principal responsável pelo evento, a associação às festas de Lisboa, aos tradicionais Santos Populares e um maior foco no Tejo são soluções para o melhorar. "As expectativas vão subindo. Aprendemos com os erros do ano passado e percebemos que tínhamos de focar o evento ainda mais para o rio Tejo. O mote é esse mesmo: O Tejo é um espetáculo. Vamos ter um evento dividido em duas partes: a das regatas, até ao pôr-do-sol, e a parte da noite, com os Santos Populares e bailaricos. Vamos assumir esta fase do ano e arrancar em beleza as festas da cidade", frisou.

Oito equipas, duas portuguesas

Também a vertente desportiva sofreu alterações. Em vez da disciplina match racing, desta feita a aposta é no modo fleet racing. Ou seja, depois de em outubro dois barcos de cada vez terem travado duelos, agora as oito embarcações partem ao mesmo tempo e o que chegar em primeiro lugar fica com um ponto, o segundo com dois e assim sucessivamente. O objetivo é somar o menor número de pontos possível ao cabo dos quatro dias de competição.

"Desportivamente simplificámos muito. Em primeiro lugar o circuito World Racing Tour foi descontinuado internacionalmente e percebemos que tínhamos de continuar a solo. Enviámos convites a todas as equipas internacionais e a adesão foi brutal. Tivemos lista de espera, porque só havia oito lugares. Temos duas equipas portuguesas e barcos muito interessantes, do Tour de France à la Voile. São trimarãs, não são catamarãs. São um bocadinho mais pequenos, mas dão um grande show, são espetaculares. É uma corrida com oito barcos, em modo fleet racing, e deixa de haver a confusão que houve no ano passado, de termos match racing, de um contra um, que era mais complexo e difícil de explicar ao público", explicou Francisco Mello e Castro, em alusão a embarcações que são considerados Fórmula 1 dos mares e que podem atingir velocidades de 45 km/h em menos de 10 segundos.

Em ação vão estar seis equipas estrangeiras e duas equipas portuguesas, uma liderada por Hélder Basílio, que vai competir em representação do Diário de Notícias, e a outra por Jorge Lima, velejador olímpico e único português já qualificado para os Jogos Olímpicos de Tóquio. "Ainda não conheço o barco, mas eu e a minha equipa entramos em cada competição com o objetivo é para ganhar e andar nos lugares da frente, sem obviamente desconsiderar os velejadores mais experientes. Vai ser um formato um pouco diferente do que vou encontrar em Tóquio. O barco é diferente, não é o barco olímpico, mas o nível de velejadores vai ser idêntico, embora aqui sejam oito equipas e nos Jogos sejam 19", anteviu Jorge Lima, em declarações ao DN.

Porém, a concorrência dos velejadores nacionais será de peso. Além do vencedor da edição do ano passado, o sueco Nicklas Dackhammar, vão competir os holandeses Afrodite Zegers e Tobias Tanis, o francês Damien Iehl, o australiano Torvar Mirsky e a espanhola Sofia Toro.

A presença de alguns dos principais nomes internacionais é um dos motivos pelos quais o presidente da Federação Portuguesa de Vela, António Roquette, acredita que "a Regata de Portugal vai ser um sucesso". "Já no ano passado as coisas correram bem, mas agora vai aparecer com mais consistência e para o ano ainda melhor, no ano em que Lisboa vai ser Capital Europeia do Desporto. Se as coisas correrem muito bem, melhor será para a federação e para a vela", perspetivou. "Sendo um evento original, de união das festas populares com a vela, até mais que o meu resultado desejo que seja um grande evento e que as pessoas venham participar. É uma ideia muito gira", acredita Jorge Lima.

Regata à tarde, festa à noite

A regata será acompanhada diariamente por um velejador e por um convidado especial que estarão no Palco Tejo a comentar a prova, das 17.00 às 21.00. Entre os convidados especiais estarão o ator Ricardo Carriço, os apresentadores Isabel Silva e Fernando Alvim e o cantor Toy. Depois da parte desportiva, os Dj's Wilson Honrado, Nuno Luz, Rob Willow e Ana Isabel Arroja vão assinalar o pôr-do-sol.

A partir das 21.00 a festa passa para terra com mais música e a atuação de um artista de música popular em cada dia: Iran Costa e DJ Pegadinha, Ágata, Mónica Sintra e Churrasquinho com a Banda Deixa Rolar. Paralelamente, o restaurante Cais Tejo by Vítor Sobral vai apresentar uma carta inspirada nos Arraias e Santos Populares. "Mesmo que não queiram ver a festa, vale a pena ir lá comer", brincou esta terça-feira o chef Vítor Sobral, aquando da apresentação do evento, que decorreu num palco flutuante no Barco Évora, em pleno rio Tejo.

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