Sporting afunda-se na noite inspirada de Nakajima

Japonês fez dois golos e duas assistências na vitória de um bom Portimonense, por 4-2. Leões, que perderam pela segunda vez neste campeonato, não sofriam quatro golos num jogo da Liga há mais de dez anos
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O Sporting afundou-se em Portimão com uma exibição demasiado frágil, castigada pela inspiração de um japonês, Nakajima, que continua a impressionar ao serviço do Portimonense, uma equipa que apresentou também muito mais futebol do que o seu último lugar, à partida para este jogo, poderia fazer crer.

Com várias mexidas em relação ao onze utilizado na Ucrânia, quinta-feira, para a Liga Europa, entre as quais a titularidade de Jovane em detrimento de Nani, o Sporting entrou sem capacidade de criação no meio-campo, onde a dupla Battaglia-Gudelj foi de quase nula utilidade nessa matéria, e com gritantes dificuldades para conter as investidas da equipa algarvia pelos flancos, onde Tabata e Nakajima eram diabos à solta a atormentar os laterais leoninos.

No centro do ataque do Portimonense, a novidade de Jackson Martinez, o colombiano que já foi por trêz vezes o melhor marcador da Liga portuguesa, nos tempos do FC Porto, e que agora procura relançar a carreira na equipa algarvia. Pela primeira vez titular, Jackson, mesmo longe do fulgor vivido no Dragão, oferecia uma boa via de diálogo aos irrequietos extremos da casa, proporcionando um agradável futebol de toque do meio-campo para a frente, pautado também pela orientação de Paulinho no centro do terreno e acelerado frequentemente pelas subidas do lateral Manafá.

Num dessas subidas, após uma perda de bola de Jovane em que o Sporting ficou a reclamar falta, Manafá e Nakajima combinaram o primeiro golo da partida, marcado pelo luso-guineense, após assistência do japonês, à passagem da meia hora.

No Sporting, perante a incapacidade de Battaglia e Gudelj em oferecerem soluções ofensivas na zona de criação, Bruno Fernandes era insuficiente para levar jogo até à área algarvia. Jovane também andou escondido e, muitas vezes, a solução desesperada era um lançamento longo à procura de Montero ou das subidas dos laterais.

Um plano incipiente que o Portimonense castigou com o segundo golo mesmo a chegar ao intervalo, em nova correria de Manafá e Nakajima pela esquerda (com a ajuda de Paulinho). Desta vez, foi o lateral a servir Nakajima, que rematou certeiro para a baliza leonina, num lance que levou ainda à saída forçada do guarda-redes Salin.

O francês embateu com o poste, na tentativa de parar o remate de Nakajima, e perdeu os sentidos, sendo preciosa a ação rápida de Coates para evitar piores consequências. Ainda assim, Salin teve de ser evacuado de maca, em ambulância, para o hospital.

Nani fez mexer um pouco

Nani entrou para a segunda parte e o Sporting ganhou, por fim, uma maior capacidade ofensiva, com a dupla de capitães (Nani e Bruno Fernandes) a assumir maior relevância na criação de jogo. Bruno Fernandes e Jovane ameaçaram, mas teve que ser Acuña a sair com a bola desde a área leonina, pela lateral esquerda, para criar desequilíbrios na defesa algarvia, num lance que resultou no 2-1, marcado por Montero após assistência de Nani.

Gudelj teve o empate nos pés pouco depois, numa rara vez em que surgiu na área em zona de finalização, mas quando se entusiasmou na procura do empate o Sporting destapou as costas e abriu auto-estradas que o samurai Nakajima aproveitou para desfilar o seu futebol irrequieto de progressão rápida com a bola junto ao pé.

O japonês bisou na partida, na sequência de um canto nascido já de uma das suas iniciativas, e, depois de Coates ainda ter reposto a diferença mínima, de cabeça, a cruzamento de Nani, voltou a ser Nakajima a lançar o golo que sentenciou a partida, num contra-ataque finalizado pelo recém-entrado João Carlos.

Quatro golos sofridos, dez anos depois

O Sporting saiu de Portimão com a segunda derrota na Liga e com quatro golos sofridos, o que já não acontecia, para o campeonato português, desde há mais de dez anos, quando perdeu com o U. Leiria por 4-1, em abril de 2008.

A equipa de José Peseiro cai para o quinto lugar, com 13 pontos, a quatro já do duo de líderes, Benfica e Sp. Braga.

Já o Portimonense, que ganhou pela primeira vez ao Sporting, para a Liga, desde 1989, largou o último lugar e deu um pulo na classificação, deixando mesmo a zona de despromoção - está no grupo dos 11.ºs classificados, com sete pontos.

Ficha de jogo

Jogo no Estádio Municipal de Portimão.

Portimonense - Sporting, 4-2.

Ao intervalo: 2-0.

Marcadores:

1-0, Manafá, 30 minutos.

2-0, Nakajima, 44.

2-1, Montero, 63.

3-1, Nakajima, 82.

3-2, Coates, 88.

4-2, João Carlos, 90+3.

Equipas:

- Portimonense: Leo, Vítor Tormena, Lucas, Ruben Fernandes, Manafá, Pedro Sá (Marcel, 58), Tabata, Lucas Fernandes, Paulinho (Dener, 67), Nakajima e Jackson Martinez (João Carlos, 84).

(Suplentes: Ricardo Ferreira, Marcel, Hackman, Dener, Ewerton, João Carlos e Paulinho Boia).

Treinador: António Folha.

- Sporting: Salin (Renan, 45+3), Ristovski, André Pinto, Coates, Acunã, Gudelj, Battaglia, Bruno Fernandes, Raphinha (Nani, 46), Jovane (Diaby, 83) e Montero.

(Suplentes: Renan, Marcelo, Jefferson, Nani, Mané, Diaby e Petrovic).

Treinador: José Peseiro.

Árbitro: Hugo Miguel (AF de Lisboa).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Pedro Sá (43), Tabata (51), Acunã (51), Leo (61), Vítor Tormena (88) e Marcel (90+1).

Assistência: 5.685 espetadores.

Figura

Nakajima. O japonês já não é um desconhecido do futebol português, já esteve até na rota de alguns dos clubes grandes e continua a mostrar que talvez justifique outros palcos. Rápido, com excelente técnica e objetividade perante a baliza, o pequeno avançado nipónico foi um perigo à solta para os defensores leoninos, que nunca o conseguiram travar. Dois golos e duas assistências não deixam dúvidas quanto ao homem do jogo.

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