Pedro Sousa estreia-se num Grand Slam. Encontrar Federer e evitar João Sousa

Como se preparou e o que espera o tenista português, número 103 do ranking mundial, no Australian Open, que começa dia 14. Gostava de encontrar Roger Federer e evitar João Sousa!

Pedro Sousa é o número 103 do ranking ATP e estará pela primeira vez no quadro principal de um Grand Slam aos 30 anos! A presença no Open da Austrália é a "recompensa" da boa época de 2018, "talvez a melhor da carreira". Espera concretizar a entrada no top 100 em 2019, mas, para já prepara-se para entrar em ação no torneio australiano. O adversário na primeira ronda é o número 1 australiano, Alex di Minaur, jovem de 19 anos, 29.º classificado do ranking, que atingiu a segunda ronda no Open da Austrália, em 2017.

Se a presença no quadro principal é histórica, a preparação "não teve nada de especial", segundo o tenista. "Como é um dos primeiros torneios do ano temos mais algum tempo para preparar, é uma altura em que damos mais importância à preparação física, com treinos mais longos, mais volume de treino para chegar à Austrália em boa forma e ter uma boa base física para o resto do ano", explicou Sousa ao DN antes de abordar as já "típicas" dificuldades do open australiano: o calor e o fuso horário.

Para o tenista português há ainda um outro fator a ter em conta. As longas viagens de avião: "Como tenho medo de andar de avião, as viagens são sempre momentos desagradáveis. Tento gerir da melhor maneira possível e descansar, já que não consigo dormir muito sem tomar um ou outro comprimido. Nas viagens longas chego lá de rastos a precisar de recuperar. Demora dois a três dias até o corpo estar a 100% cento."

Para atenuar os efeitos de uma longa viagem e da diferença horária (mais 10 horas, em Melbourne), o tenista natural de Lisboa decidiu ir com tempo para a terra dos cangurus e jogou alguns torneios na Ásia a abrir o ano. Pedro arrancou rumo à Índia antes do final do ano para jogar um torneio em Pune e ambientar-se. Depois seguiu para a Austrália. Jogou no ATP 250 de Sidney, mas foi eliminado na primeira ronda por Ernest Gulbis. E seguiu depois rumo a Melbourne. "Em Sidney apanhei muito calor, tive de jogar um dia com quase 40 graus e não é fácil. A temperatura varia muito, ora estão 40 graus ora estão 25", contou, lembrando a importância de aproveitar e adaptar-se ao máximo: "É importante para mim jogar um quadro principal de um Grand Slam e espero ter mais oportunidades este ano."

Pedro Sousa não tem uma estrutura grande como a maior parte dos jogadores de top, mas sente-se "bem" com as condições que tem. Ou seja, viaja sozinho a maior parte das vezes. Na Austrália tem a companhia do ex-colega e agora treinador e capitão nacional Rui Machado. Sente-se "em grande forma" para este início da época e confessa que depois da operação ao pé esquerdo, aos 26 anos, que o afastou durante um ano e meio, o seu ténis melhorou. "Fiquei mais maduro, experiente. A verdade é que a partir daí joguei o meu melhor ténis e ainda estou a evoluir. Tenho coisas que posso melhorar. Nestes últimos 2/3 anos tenho vindo a melhorar bastante e sinto que se estiver bem fisicamente tenho margem para progredir", explicou o tenista, que, entretanto, apanhou "um susto". Teve uma lesão nas costas e um médico chegou a dizer-lhe que tinha de parar de jogar ténis:"Felizmente foi só um susto, um diagnóstico errado ou precipitação do médico ao fazer o diagnóstico..."

Pedro sabia que era possível entrar no quadro principal porque estava bem posicionado. E quando foram revelados os quadros bastavam quatro desistências para ele entrar. O momento em que soube que ia mesmo jogar o torneio australiano sem precisar passar pelo qualiffyng foi um misto de alegria e alívio: "Estava mais ou menos a controlar a lista. Quando soube foi um misto de emoções. Fiquei contente por ter entrado no quadro principal, mas também fiquei aliviado porque desde o Natal que a lista começou a sofrer alterações e fui vivendo na ansiedade e expectativa de poder entrar... Já tinha ficado três vezes à porta..."

O último a desistir foi Del Potro... "Infelizmente o Del Potro não está em condições de jogar o Open da Austrália... é a vida", atirou o tenista, esperando que o argentino "recupere o mais rápido possível" e volte "mais forte como é habitual".

Num torneio onde estão os melhores do mundo, não é fácil escolher um adversário. "Não quero escolher ninguém em especial, quem vier vou dar o meu melhor, tentar ganhar. Não tenho muito por onde escolher. Qualquer jogador que me saia vai ser bastante difícil, um grande desafio mesmo", admitiu o tenista, que em entrevista à Eurosport admitiu que se pudesse escolher o eleito seria Roger Federer, poque é mais velho que Djokovic e Nadal e de vez quando "dá umas borlas"

A evitar só João Sousa. O compatriota também estará na Austrália e não lhe traz boas recordações. O trauma da derrota com o vimaranense no Estoril Open 2018 ainda está vivo: "Se calhar não valia a pena um duelo ente nós, depois do que passei com ele no Estoril Open, um português era de evitar..."

Estoril Open e favoritos para a Austrália

Pedro Sousa, que é muitas vezes "confundido" com João Sousa - "por vezes trocam as fotografias, outras vezes as pessoas perguntam se somos irmãos" -, espera que o bom ténis que sempre mostra no Estoril se faça valer no primeiro Grand Slam da época. "Jogar no Estoril Open é sempre especial para mim, adoro jogar em casa, ainda por cima no piso que eu mais gosto e com o público todo a puxar por nós. É uma semana bastante especial e eu tenho conseguido praticar o meu melhor ténis. Na Austrália as condições são diferentes, em piso rápido, que eu não estou tão habituado, mas é um Grand Slam, o primeiro em que eu vou entrar e vou tentar desfrutar ao máximo", confessou o tenista.

Novak Djokovic reentrou em cena. Federer ganhou a Hopman em grande estilo e Nadal não jogou em Brisbane e ainda está com problemas físicos. Quem será o vencedor do Australian Open? Haverá espaço para um outsider? "Na minha opinião o grande favorito é o Djokovic pelo que ele demonstrou o ano passado está de volta à sua melhor forma e quando ele está em boa forma é muito difícil derrotá-lo em piso rápido. Mas jogadores como Federer, o próprio Nadal se recuperar, o Zverev também tem estado a jogar bem, qualquer um desses jogadores pode-lhe fazer frente. Um outsider... talvez o Khachanov, um grande jogador que pode fazer uma gracinha", respondeu o português.

Pedro Sousa entrou no ténis "naturalmente". O pai e a mãe praticaram a modalidade e quando ele nasceu já tinham uma escola de ténis (no CIF), por isso desde muito cedo começou a estar familiarizado com os courts e a ter contacto com a raquete desde os 4/5 anos. E foi presença habitual nos torneios challengers (venceu quatro). Hoje, sente-se uma pessoa normal, embora não esteja tanto tempo em casa como gostaria, para desfrutar da família, dos amigos e da cidade de Lisboa, uma das cidades favoritas.

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1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?