A três medalhas de Baku, Portugal veste-se de ouro, prata e bronze em Minsk

Do atletismo à ginástica, Portugal alcançou o 11.º lugar na lista dos 31 países já medalhados nestes Jogos Europeus, que decorrem até dia 30 de junho. Na primeira edição, em Baku, tinha conquistado dez medalhas, entre elas três de ouro.

Portugal conquistou este domingo uma medalha de ouro - a primeira em Minsk -, uma de prata e uma de bronze nos II Jogos Europeus, aumentando para seis o seu pecúlio na capital bielorrussa, após o segundo dia de competição.

Num formato novo - e sem que os melhores atletas compitam diretamente ou sob as mesmas condições - o atletismo viu Carlos Nascimento garantir o ouro nos 100 metros, enquanto Ricardo dos Santos, Cátia Azevedo, João Coelho e Rivinilda Mentai foram bronze na estafeta 4x400 metros mista.

Fora dos favoritos às medalhas na comitiva lusa de 98 desportistas na Bielorrússia, as ginastas acrobatas Bárbara Sequeira, Francisca Maia e Francisca Sampaio Maia têm sido o expoente máximo do desempenho luso, já com três medalhas conquistadas, conquistando este domingo a de prata no exercício combinado: na véspera já tinham obtido o segundo lugar no exercício dinâmico e um terceiro na prova de equilíbrio.

Carlos Nascimento, que esta época já tinha corrido os 100 metros em 10.26 segundos, ficou a saber que era ouro em Minsk com 10.35. Num novo modelo, com quatro grupos de seis equipas a competir em horários e condições distintas, percebeu, por integrar a última poule e saber a marca que precisaria de fazer, que tinha o melhor tempo.

Em entrevista à Lusa, o atleta disse que o seu êxito "era um objetivo bastante realista"." Nestas competições dependemos de outros fatores, não sabemos muito bem como vai ser o decurso natural das coisas. Vinha aqui tentar um bom resultado. Estou mesmo muito feliz."

As contas de Ricardo dos Santos, Cátia Azevedo, João Coelho e Rivinilda Mentai nos 4x400 metros mistos eram mais complicadas: tiveram conhecimento do seu bronze pouco depois de correrem em 3.19,63 minutos, longe do ouro da Ucrânia, em 3.17,31, mas próximo da prata da República Checa, em 3.19,05.

No judo, que conta como Europeu, Anri Egutidze (-81 kg) e Bárbara Timo (-70 kg) caiaram na segunda ronda, enquanto Carlos Luz (-81 kg), Jorge Fernandes e Nuno Saraiva (-73 kg) não passaram do primeiro combate. Sábado, Telma Monteiro foi medalha de bronze na categoria de -57 kg.

No ténis de mesa, Marcos Freitas, Fu Yu e Jieni Shao passaram à quarta ronda, mas Tiago Apolónia foi afastado. A equipa masculina, que integra ainda João Monteiro, defenderá o ouro coletivo conquistado em Baku2015.

No ciclismo, Nélson Oliveira, esperança de Portugal na conquista de uma medalha no contrarrelógio de terça-feira, foi o melhor, em 10.º lugar, a 45 segundos do vencedor.

Em Baku2015, na estreia dos Jogos Europeus, Portugal amealhou três medalhas de ouro, quatro de prata e três de bronze

No pelotão, Daniel Mestre chegou em 21.º e Rafael Silva em 38.º, a 54 segundos: mais distantes, César Martingil foi 71.º, a 1.08 minutos, João Matias 92.º, a 6.32, entre os 116 ciclistas que terminaram a prova.

No tiro com pistola a 10 metros, João Costa falhou a final por uma décima - foi 10.º, igual ao nono, com 578 pontos -, enquanto Joana Castelão, que estava nos primeiros lugares ao fim de quatro das seis séries de disparos, cairia para 18.º, quando passavam apenas oito.

No tiro com armas de caça, as finais ficaram ainda mais distantes, pois João Paulo Azevedo foi 27.º, em 30 competidores. Ana Rita Rodrigues foi 25.ª e Maria Barros 26.ª, entre 29 participantes.

Portugal é o 11.º entre os 31 países que já subiram ao pódio, com seis medalhas: o ouro de Carlos Nascimento nos 100 metros, a prata das ginastas acrobatas Bárbara Sequeira, Francisca Maia e Francisca Sampaio Maia em combinado e no exercício dinâmico, além do bronze na prova de equilíbrio. Conquistaram igualmente a medalha de bronze a judoca Telma Monteiro e a estafeta mista 4x400 metros, de Ricardo dos Santos, Cátia Azevedo, João Coelho e Rivinilda Mentai.

Portugal espera sete das dez medalhas de Baku

Na edição de Baku 2015, na estreia dos Jogos Europeus, Portugal amealhou três medalhas de ouro, quatro de prata e três de bronze, pecúlio que lhe valeu o 18.º lugar entre 50 países.

Nestes II Jogos Europeus, que reúnem 4 mil atletas de 50 países em 15 desportos, Portugal compete com 98 elementos em atletismo, badminton, futebol de praia, canoagem, ciclismo (estrada, contrarrelógio e pista), ginástica (artística, trampolins, aeróbica e acrobática), judo, karaté, lutas amadoras, tiro, tiro com arco, tiro com armas de caça e ténis de mesa.

Há sete atletas/equipas portugueses a defender o lugar de pódio de Baku 2015. Os restantes viram as suas modalidades sair do programa.

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) garantiu que Portugal está à espera de manter o mesmo desempenho que mostrou na primeira edição dos Jogos Europeus. "Podem não ser as dez medalhas, haver diferentes distribuições. Podem ser menos e as posições mais valiosas, podem ser mais e a distribuição ser inferior. Mais do que a quantidade, gostaríamos de manter o nível quase igual nas posições de pódio, finalista e top 16", disse José Manuel Constantino.

O representante acrescentou ainda que desde a anterior edição houve "melhorias" no desporto português. "Alguns acrescentos", rematou.

Carlos Nascimento admite que o novo modelo dos Jogos Europeus é um "esquema de prova um bocado estranho"

Novo modelo estranhado até pelos atletas

O facto de a competição proporcionar aos participantes condições diferentes foi assumido pelo medalhado Carlos Nascimento como um "esquema de prova um bocado estranho". O atleta ganhou ouro nos 100 metros e estreou a nova competição de Atletismo, a Dynamic New Athletics (DNA), uma prova combinada de equipas disputada por eliminatórias.

Em comunicado, o Comité Olímpico de Portugal explica que nesta modalidade, "as medalhas individuais são atribuídas segundo o ordenamento das marcas obtidas nas diferentes disciplinas dos quatro 'matches' iniciais, disputados por seis equipas cada um, num total de 24". Os atletas admitem que o sistema pode ser confuso.

Mas Carlos Nascimento já foi de contas feitas. "Tinha uma perceção daquilo que era preciso para ir pelo menos ao pódio. Eu sabia que a melhor marca até ao momento era 10,38 segundos, ir ao pódio era até 10,54. É um bocado mau porque nós não estamos a competir diretamente com aqueles que foram ao pódio", reconheceu.

Carlos Nascimento, que só teve de correr uma vez, até poderia ter sabido do ouro no 'sofá', mas foi no estádio que o confirmou, já que Portugal competiu no último dos quatro grupos de seis equipas.

"É tudo um bocado novo, por assim dizer. É um sabor um bocado agridoce porque é uma medalha de ouro, mas o tempo já tenho melhor este ano. Acabei por ter um bocado de sorte por ir na última série. Dessa forma consegui perceber logo o que era preciso. Foi positivo para mim, para os outros acaba por ser negativo, mas faz parte", concluiu.

Os jogos continuam esta segunda-feira com as modalidades Badminton, Ginástica Aeróbica e Ginástica de Trampolins.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.