Portugal em Minsk para defender sete das 10 medalhas de Baku 2015

Portugal apresenta-se nos ​​​​​​​II Jogos Europeus, de sexta-feira a 30 de junho em Minsk, com sete atletas/equipas a defender o lugar de pódio de Baku 2015, enquanto os outros três medalhistas viram as duas modalidades sair do programa.

Dos sete, Telma Monteiro, no judo, e Marcos Freitas e Tiago Apolónia - em Baku foram acompanhados de João Geraldo, agora substituído por João Monteiro -, em equipas de ténis de mesa, enfrentam o desafio de defenderem os respetivos títulos.

Aos 33 anos, Telma Monteiro apresenta-se com a experiência e a consistência de resultados internacionais, que já lhe tinham valido, entre outras, a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Marcos Freitas e Tiago Apolónia, respetivamente quarto e sétimo do ranking europeu, estão acompanhados de João Monteiro, 20.º, num trio com capacidade para lutar pelos melhores lugares individuais, mas sobretudo coletivos - em Baku2 015, o ouro surgiu depois de triunfo por 3-1 na final sobre a França.

Rui Bragança, que tinha sido ouro no taekwondo na categoria de -58 quilos, e o seu colega Júlio Ferreira, que foi medalha de bronze, viram a sua modalidade sair do evento, tal como aconteceu com o triatlo, no qual João Silva foi vice-campeão. Bragança, atual 14.º do ranking mundial e sétimo europeu, batera no combate decisivo o espanhol Jesus Tortosa Cabrera por 6-5.

O canoísta Fernando Pimenta foi o único português a conquistar duas medalhas em Baku, ambas de prata, em K1 1000 e 5000, distâncias nas quais é o atual campeão do mundo. O limiano assume agora o desafio de fazer algo a que está habituado, subir ao mais alto lugar do pódio - tem no currículo 86 medalhas internacionais -, numa seleção de canoagem com mais embarcações com potencial de surpreender.

No tiro, o experiente João Costa não desdenhará repetir a prata em pistola de ar comprimido a 10 metros.

O futebol de praia mantém oito dos elementos que há quatro anos chegaram ao bronze, distinção que Beatriz Martins conseguiu com Ana Rente (não está em Minsk) em trampolins sincronizados.

A comitiva de 99 desportistas conta com 31 repetentes, destacando-se os oito da comitiva de 12 do futebol de praia, os sete dos 14 canoístas e os seis de entre os 17 do judo.

A maior delegação é, contudo, a do atletismo, modalidade que se estreia nestes Jogos Europeus, sem que Portugal leve as maiores figuras do país nos 21 convocados.

Além do atletismo, também o tiro com arco, o scratch e a corrida por pontos no ciclismo de pista surgem como novidades nesta competição quanto à representação lusa, que perdeu a natação, BMX e BTT no ciclismo, além dos já referidos taekwondo e triatlo.

Portugal vai competir em atletismo, badminton, futebol de praia, canoagem, ciclismo (estrada, contrarrelógio e pista), ginástica (artística, trampolins, aeróbica e acrobática), judo, karaté, lutas amadoras, tiro, tiro com arco, tiro com armas de caça e ténis de mesa.

Presidente do COP quer manter o nível

Portugal deseja manter em Minsk 2019 o nível de desempenho alcançado nos I Jogos Europeus de Baku2015, nos quais Portugal alcançou 10 medalhas, assumiu o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP). "Podem não ser as 10 medalhas, haver diferentes distribuições. Podem ser menos e as posições mais valiosas, podem ser mais e a distribuição ser inferior. Mais do que a quantidade, gostaríamos de manter o nível quase igual nas posições de pódio, finalista e top 16", afirmou José Manuel Constantino, sobre o evento que decorre de sexta-feira a 30 de junho.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente acredita que "há boas perspetivas" para a comitiva de 99 atletas ter sucesso neste desígnio, depois dos 100 elementos em Baku terem conquistado três medalhas de ouro, quatro de prata e três de bronze.

"Espero que a canoagem mantenha o que já nos habituou, tenho alguma expectativa no ciclismo de pista e de estrada. E que o judo possa ter resultados superiores aos de Baku. Há ainda o ténis de mesa, o futebol de praia e ginástica de trampolins. Acho que é à volta destas modalidades que andarão as nossas melhores posições", opinou.

Apesar de balizar as suas principais apostas, José Manuel Constantino não deseja "retirar expectativas em relação às restantes modalidades", recordando que há mais posições de valor além do pódio e que, para algumas, esta é uma oportunidade única de terem "uma projeção a nível interacional muito significativa".

"É um evento de caráter multidesportivo que nos calha bem, casa bem com a realidade desportiva nacional. Uma competição de valor intermédio, não é o topo do topo, mas em alguns desportos estão os melhores representantes europeus e onde a competitividade externa europeia é muito alta. É um bom momento de aferição da nossa capacidade competitiva", destacou.

O presidente do COP defende que nos quatro anos que medeiam as duas primeiras edições dos Jogos Europeus houve "melhorias" no desporto português, "alguns acrescentos".

"Não creio que haja uma mudança radical, mas não se pode dizer que houve um decréscimo. O país desportivo está mais forte do que há quatro anos. Diferença que tem significado importante, mas não mudou o quadro geral de avaliação da nossa competitividade em termos externos, mas acrescentou algum valor", insistiu.

Ajustes em relação há quatro anos

Desta sexta-feira a 30 de junho, a Bielorrússia protagoniza o ajuste do evento a uma realidade mais sensata, depois da bitola alta colocada há quatro anos pelo Azerbaijão, quando o regime azeri tentou a validação internacional através de um acontecimento em Baku a fazer lembrar os Jogos Olímpicos, com um forte investimento em infraestruturas e um grande aparato festivo.

A primeira edição decorreu ao longo de 17 dias, contudo, o programa foi agora ajustado para somente 11: os seis mil atletas em competição na estreia diminuíram para quatro mil, que se aplicarão em 200 eventos de medalha, face aos 253 de há quatro anos.

Da mesma forma, os 20 desportos passaram a 15, sendo que, de alguma forma, 10 das 13 modalidades do programa de Minsk que também estarão em Tóquio 2020 têm aqui uma etapa que conta para o apuramento para o Japão.

Dessas 10, há três que atribuem vagas diretas, nomeadamente o tiro, no qual Portugal está representado por João Costa e Joana Castelão, no tiro com arco, em que Rui Baptista é o único atleta luso, e no ténis de mesa, com seleção composta por Marcos Freitas, Tiago Apolónia, João Monteiro, Fu Yu e Jieni Shao.

Exclusivos

Premium

Adriano Moreira

Navegantes da fé

Este livro de D. Ximenes Belo intitulado Missionários Transmontanos em Timor-Leste aparece numa época que me tem parecido de outono ocidental, com decadência das estruturas legais organizadas para tornar efetiva a governança do globalismo em face da ocidentalização do globo que os portugueses iniciaram, abrindo a época que os historiadores chamaram de Descobertas e em que os chamados navegantes da fé legaram o imperativo do "mundo único", isto é, sem guerras, e da "terra casa comum dos homens", hoje com expressão na ONU.