Leão rei dos penáltis leva para casa o segundo troféu da época

O Sporting conquistou a 17.ª Taça de Portugal da sua história e sarou as feridas de há um ano provocadas pela invasão à Academia. O triunfo diante do FC Porto foi alcançado outra vez no desempate por penáltis (empate 2-2 no prolongamento), aumentando a maldição de Sérgio Conceição.

O Sporting conquistou este sábado a sua 17.ª Taça de Portugal ao vencer na final, no Estádio Nacional, o FC Porto no desempate por penáltis (5-4), depois de um empate 2-2 no prolongamento. Os leões fecham assim com chave de ouro uma época que começou muito mal, com os resquícios da invasão a Alcochete, as rescisões de alguns dos principais jogadores e a mudança de treinador com a temporada a decorrer. E agora juntam à Taça da Liga à segunda prova mais importante do futebol nacional.

Um ano depois o Sporting como que afugenta de vez as marcas provocadas pelo ataque à Academia, que culminou no Jamor com a final perdida para o Desp. Aves. Desta vez, os leões deixaram o Estádio Nacional em festa e as lágrimas do presidente Frederico Varandas e do capitão Bruno Fernandes mostram bem quão importante foi esta conquista para amenizar os traumas do passado.

O FC Porto até começou a vencer a final, acabou por ver os leões darem a volta ao resultado e nos instantes finais do prolongamento levaram o jogo para o desempate por penáltis graças a um golo de Felipe. Só que Sérgio Conceição voltou a sentir na pele uma maldição que persegue a sua carreira de treinador: perdeu sempre um desempate por penáltis e já lá vão cinco, dois dos quais na final da Taça de Portugal.

O fim de época do FC Porto acaba por ser de desilusão absoluta, pois acabou por perder as duas taças no desempate por penáltis e o campeonato depois de ter tido uma vantagem confortável. A época "à Porto" defendida pelo técnico portista culminou em lágrimas no relvado, onde Éder Militão, Herrera e Brahimi fizeram o último jogo pelo clube, mas outros podem seguir-se.

Bruno Fernandes anula golo de Soares a abrir

Os leões entraram melhor na partida, com Wendel e Bruno Fernandes a surgirem por diversas vezes nas costas dos médios contrários, beneficiando de do facto de Herrera estar por diversas vezes muito afastado de Danilo Pereira. Contudo, apesar da maior iniciativa de jogo da equipa de Marcel Keizer, foram os dragões a criar a primeira situação de perigo. Marega, que aparecia muitas vezes descaído para a direita para aproveitar as costas do defesa-esquerdo Acuña, aproveitou um erro de Mathieu para cruzar para a área, com Bruno Gaspar a cometer outro erro e a oferecer a possibilidade de Otávio rematar para uma bela defesa de Renan.

Pouco depois foi Bruno Fernandes a obrigar Vaná a defesa apertada e logo a seguir foi Raphinha a desperdiçar o golo na sequência de um livre. Após aqueles primeiros minutos de alguma indefinição nas marcações, o FC Porto corrigiu o posicionamento a meio-campo, com Herrera e também Brahimi a aparecerem mais mais perto de Danilo, passando então a condicionar melhor as ações do capitão do Sporting, que deixou de ter a liberdade de aparecer muitas vezes no um contra um com Danilo.

A melhor ocupação de espaços dos portistas permitiu-lhe passar a pressionar o adversário em zonas mais adiantadas, quando o Sporting tentava construir a partir dos laterais ou de Gudelj. Os leões passaram então por um período em que tiveram de recuar linhas, procurando evitar que as combinações entre Otávio e Herrera permitissem abrir caminho a que Marega e Soares fossem lançados em velocidade.

Aos 24 minutos a bola chegou mesmo a entrar na baliza de Renan Ribeiro, mas o fora de jogo de Marega não passou despercebida ao VAR e o golo foi anulado. Era no entanto o sinal de que o FC Porto estava melhor e mais perigoso. A consequência foi o golo de Soares de cabeça, aos 41 minutos, aproveitando um cruzamento de Herrera, na sequência de um livre de Alex Telles. Os leões protestaram um eventual braço do mexicano na receção na bola, mas o VAR acabou por confirmar o golo.

Durou pouco a vantagem da equipa de Sérgio Conceição, pois à beira do intervalo Acuña subiu pela esquerda e cruzou atrasado para Bruno Fernandes que aparecia sozinho na área. O remate do capitão leonino até parecia ir sem direção, mas a bola bateu em Danilo e entrou na baliza de Vaná. Estava feito o empate.

Domínio absoluto do dragão

A segunda parte foi de completo domínio do FC Porto, cujos jogadores procuraram acelerar o jogo pelas alas, mas também tentando variar o seu jogo por todos os corredores. Com isso a equipa de Sérgio Conceição obrigou o Sporting a recuar no terreno, empurrando autenticamente Gudelj para junto dos centrais o que deixava o meio-campo leonino desligado, pois Bruno Fernandes e Wendel tinham também eles de estar mais recuados, ficando a equipa sem apoios para sair de forma equilibrada para o ataque. A solução era o pontapé longo para Luis Phellype tentar segurar até que viessem os companheiros... nunca resultou.

Com Brahimi a aparecer cada vez mais no jogo com os seus raides quer pela ala esquerda, quer pelo corredor central, o FC Porto foi colocando cada vez mais dificuldades ao adversário. Soares logo aos 48 minutos rematou ao poste, mas a verdade é que depois disso houve um largo período em que a equipa de Sérgio Conceição não criou ocasiões flagrantes para marcar.

Sentido o jogo a fugir-lhe do controlo, Marcel Keizer começou a preparar uma mudança de sistema tático, para um 3x5x2, primeiro com a entrada Tiago Ilori para o lugar de Bruno Gaspar, que corria cada vez mais riscos de ver o segundo amarelo porque estava a defender Brahimi. Mas foi só com a entrada de Bas Dost para o lugar de Diaby que os leões passaram a jogar com o sistema alternativo. A ideia do holandês era ter mais gente no meio-campo para conseguir ter mais bola.

Contudo, o rumo do jogo não mudou e foi o FC Porto a estar mais perto de marcar, primeiro por Herrera que não aproveitou uma atrapalhação na defesa leonina, Danilo fez a bola roçar o poste e finalmente Brahimi obrigou Renan a evitar que os dragões conquistassem a Taça de Portugal já em período de tempo extra. E como vem sendo hábito nestes clássicos, lá se teve de recorrer a um prolongamento. Pela quarta vez consecutiva, leões e dragões não conseguiram resolver um jogo de mata-mata nos 90 minutos.

Felipe salva em cima do gongo

O tempo extra começou com as duas equipas a revelarem muita cautela, afinal qualquer erro poderia ser fatal. Só que o Sporting, que até então pouco havia feito para chegar ao golo, deu um golpe no jogo, quando Acuña subiu pela esquerda e cruzou a meia altura para a zona do segundo poste, onde apareceu Bas Dost a desviar para o fundo da baliza.

Rebentava a festa entre os adeptos leoninos. O Sporting estava em vantagem e tinha 19 minutos para segurar essa vantagem que lhe daria a conquista do troféu. A equipa de Sérgio Conceição entrou então em desespero, a querer fazer tudo bem e depressa para chegar ao empate, mas os passes raramente saíam precisos, algo que era dificultado pelo facto de os leões terem recuado as suas linhas, erguendo uma autêntica muralha à frente da sua área.

Só que na última jogada do prolongamento aconteceu aquilo que já ninguém esperava. Hernâni lançou a bola para a área, Pepe desviou e Felipe empurrou de cabeça para o fundo da baliza. A festa foi azul, com todos os jogadores e staff técnico a comemorarem um golo salvador em cima do gongo.

Festa verde na maldição do dragão

E nessa altura pela cabeça de Sérgio Conceição terá passado a lembrança do fantasma que ensombra a sua carreira de treinador: tinha perdido as quatro decisões por penáltis que disputou (uma pelo Sp. Braga e três pelo FC Porto). À quinta seria de vez? Quando Bas Dost falhou o primeiro remate do desempate, o técnico portista deve ter visto a confiança aumentar. Só que Pepe também falhou e deixou tudo igual. Tudo se decidiu na segunda série de penáltis. E aí Fernando Andrade falhou e Luis Phellype fez rebentar a festa do Sporting no Jamor.

Os leões conquistavam a 17.ª Taça de Portugal da sua história e fechavam uma época que tem de se considerar positiva, pois já tinham conquistado a Taça da Liga. E isto depois de todas as dificuldades por que passaram no início da temporada, na sequência da invasão a Alcochete e das rescisões de contrato apresentadas por vários jogadores fundamentais.

Os dragões despedem-se sem glória, numa época em que Sérgio Conceição disse que estava a ser à Porto. Depois de perdida a final da Taça da Liga, o campeonato depois de terem tido uma vantagem confortável, foi agora a vez de deixarem escapar a Taça de Portugal... outra vez nos penáltis.

A Figura - Mathieu

Começou o jogo a perder um lance com Marega, que podia ter custado caro, mas a partir daí foi um gigante. Cortes e mais cortes, pelo ar, pelo chão. Foi uma rocha que segurou o Sporting nas horas mais complicadas, em que o FC Porto exerceu maior pressão. No desempate por penáltis não tremeu e bateu Vaná. Na semana em que renovou contrato por mais um ano, o francês voltou a demonstrar toda a sua importância para a equipa.

FICHA DE JOGO

Estádio Nacional, no Jamor
Árbitro: Jorge Sousa (Porto)

Sporting - Renan Ribeiro; Bruno Gaspar (Tiago Ilori, 65'), Coates, Mathieu, Acuña; Gudelj (Idrissa Doumbia, 90'+3), Wendel (Jefferson, 106'), Bruno Fernandes; Raphinha, Luiz Phellype, Diaby (Bas Dost, 74')
Treinador: Marcel Keizer

FC Porto - Vaná; Éder Militão (Hernâni, 102'), Felipe, Pepe, Alex Telles (Fernando Andrade, 106'); Danilo Pereira; Marega (Adrián López, 99'), Herrera, Otávio (Wilson Manafá, 77'), Brahimi; Soares
Treinador: Sérgio Conceição

Cartão amarelo a Bruno Gaspar (25'), Gudelj (39'), Coates (90'+4), Soares (96'), Mathieu (99'), Danilo (100'), Alex Telles (105'+1), Raphinha (107'), Luiz Phellype (113'), Wilson Manafá (120') e Bruno Fernandes (120')

Golos: 0-1, Soares (41'); 1-1, Bruno Fernandes (45'); 2-1, Bas Dost (101'); 2-2, Felipe (120'+1)

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