João Félix fala de tudo. As praxes, os ídolos, a relação com Vieira, o n.º10 e a Bola de Ouro

João Félix foi um dos jogadores em destaque esta temporada no Benfica. Numa entrevista à BTV, o avançado diz que o futuro "só o tempo o dirá" e confessa que Luís Filipe Vieira o trata "como um filho"

Numa entrevista à BTV, João Félix, de 19 anos, fala sobre este seu primeiro ano na equipa principal do Benfica, dos jogadores com quem se dá melhor, da relação com o presidente Luís Filipe Vieira e também do seu futuro, garantindo que se sente muito bem no clube... mas que só o tempo o dirá. Aqui ficam algumas das partes mais importantes da entrevista.

O nome e as alcunhas

"É João Félix. Muitos já me disseram que se diz João 'Féliz', mas eu continuo com a minha ideia, foi assim que os meus pais me ensinaram. É João Félix que tem de ser. No balenário é João, Félix, depende do jogador e do contexto. Na altura também brincavam com a situação dos 120 milhões de euros [de cláusula de rescisão], e depois entre outras alcunhas que é melhor não dizer aqui."

O primeiro dia no balneário

"Foi um sonho tornado realidade. Estar ali com aqueles jogadores todos que víamos na televisão, que jogávamos com eles na PlayStation... Foi muito bom ter ali grandes jogadores, grandes ídolos, e os que mais me acolheram foram o Jonas, o Pizzi, o André Almeida, foram os primeiros a tentarem integrar-me no grupo. Praxe? No início, não. Mais tarde, passado um mês de pré-época, tivemos de cantar para todos no jantar."

O número 79 e o... 10

"Fui eu que escolhi, mas na altura, na equipa B, eu ainda era júnior de 1.º ano. Um dia, estávamos a almoçar, o Luís Batista passou lá com uma folha com os números para vários jogadores escolherem. Como era o mais novo fui o último a escolher. Havia lá dois ou três que tinham sobrado e, pronto, escolhi o 79. Gosto do 79 agora, tenho um carinho especial por esse número e vou ter sempre, mas o n.º 10 é aquele de que eu sempre gostei desde criança."

Lidar com a fama

"É completamente diferente. Ir a centros comerciais então já estabeleci que tem de ser ali à segunda-feira, a seguir ao almoço, que a malta está no trabalho e na escola, para não apanhar tanta gente. Relativamente a restaurantes, tento ir a uma hora mais calma e para uma mesa mais calma. É bom, tem os seus prós e contras, mas a maioria são coisas a favor. Somos reconhecidos, somos como ídolos para muitas pessoas e isso faz-nos sentir muito bem."

A importância da família

"Uma mãe que deixou os filhos saírem de casa cedo, é difícil... Não sou pai, mas acredito que para os pais, deixarem os filhos sair de casa cedo, não acompanharem a sua adolescência, é difícil. Eles sentiram muito isso, procuraram sempre estar connosco nos melhores momentos, nos momentos mais difíceis. A vida que eu e o meu irmão [Hugo Félix] temos, as pessoas que nos tornámos, devemos a eles. A minha família são as pessoas que sempre me apoiaram em tudo. O meu pai, a minha mãe e o meu irmão, que sofre tanto ou mais que eu... As minhas conquistas são as deles, as minhas derrotas são as deles. Quando estou contente, eles também estão. Desde que os filhos estejam contentes, eles também vão estar sempre contentes. É muito bom ter essas pessoas ao meu lado, que me apoiam sempre."

As conversas com o pai antes do jogos

"É o meu treinador de casa. Desde cedo ele me dizia, quando eu estava no treino, algumas coisas para melhorar, mas se o míster dissesse o contrário do que o meu pai estava a dizer, ele dizia-me para obedecer ao míster. O míster é que manda ali. Claro que ele me dizia sempre alguns aspetos que eram melhores para mim. Eu tentava fazê-los, ainda hoje tento. Sempre que acabam os jogos, e depois nas viagens, quando estamos juntos, fala sempre dos lances em que devia ter feito isto ou aquilo, tenta corrigir os erros para que no jogo seguinte corra melhor."

O abraço ao irmão

"Foi apanha-bolas pela primeira vez nesse jogo. A partir daí começou a ir sempre que podia, só falhou um jogo porque também ia jogar. Soube uma hora antes do desafio que ele ia para apanha-bolas e no aquecimento andei à procura dele para ver em que lado do Estádio ia ficar. Não é coincidência, mais uma vez correu bem e calhou no momento certo."

Golos

"Claro que gostamos de fazer sempre o máximo número de golos possível. Tinha estabelecido uma marca para primeira época de dez golos. Não estava a jogar muito na primeira metade da época e pensei que já não ia chegar lá. Em janeiro tudo mudou e ultrapassei essa marca. O objetivo é sempre fazer mais do que na época passada, fazer sempre o máximo possível, e depois o mais importante de tudo é que a equipa consiga sair vitoriosa de todos os jogos se for possível."

Química com Seferovic e Pizzi

"O Seferovic joga comigo lá na frente e temos de ter uma boa relação, uma boa química para as coisas funcionarem bem, e o Pizzi é um dos meus "pais" no plantel, estou com ele desde o primeiro minuto que chegamos ao treino até irmos embora. Estou sempre com ele."

O prémio de melhor jogador do campeonato e o defesa mais difícil

"Prémio de melhor jogador atribuía ao Pizzi, por tudo o que fez. O Bruno Fernandes também fez uma excelente época, mas o Pizzi, por todos os golos que fez, as assistências que realizou, o que fez jogar a equipa, e como no fim conquistou o Campeonato Nacional, acho que ele merece essa distinção. O defesa mais complicado? O Pepe. Houve algumas picardias, mas tudo normal. É uma excelente pessoa, logo no primeiro dia que cheguei à Seleção, ele brincou com a situação de estarmos 'picados' no jogo, mas é uma pessoa cinco estrelas."

O segredo dos jovens no Benfica

"O que fazíamos num lado [equipa B], temos de fazer no outro. Somos quem somos e não temos de passar uma imagem do que não somos. Estes jogadores que vieram para a equipa A [Zlobin, Ferro, Florentino e Jota] têm todos uma grande mentalidade, e, como o Pizzi disse, transmitem essa maturidade."

Pressão. Sim ou não?

"Pressão é não ter comida para alimentar os filhos. Nós fazemos o que gostamos, somos pagos por isso. Claro que temos sempre algumas situações complicadas, mas fazemos o que gostamos e quando vamos lá para dentro as coisas saem naturalmente, esquecemo-nos de tudo e focamo-nos apenas no que está a acontecer dentro de campo."

O melhor jogo

"Esse acho que toda a gente sabe. Foi o jogo contra o Eintracht Frankfurt, fiquei emocionado por ter feito um hat-trick. Um hat-trick é sempre um hat-trick, mas sendo na Liga Europa, a 2.ª competição mais importante do mundo ao nível de clubes, e sendo o jogador mais jovem a conseguir isso, é emocionante."

Ídolo de infância

"Gostava muito do Kaká, e depois de ver muitos vídeos dele, vídeos em que o Rui Costa também aparecia, este também se tornou um dos jogadores que mais gostava de ver jogar. Esses dois sempre foram exemplos para mim. Fazer o que o Rui Costa fez, ganhar o que ele ganhou não é fácil, mas vou fazer por isso e tentar ser tão bom como ele, ou melhor, se for possível."

Bruno Lage

O míster dizia que não ia interferir com as nossas decisões, interferia com o nosso posicionamento. A partir do momento em que o posicionamento estivesse correto, as decisões iam acabar por ser melhores. Foi isso que aconteceu, e nós jogávamos como se estivéssemos na rua. Estávamos felizes a jogar, jogávamos completamente à vontade. Bruno Lage tem muita coisa de especial. Além de ser um grande treinador, que tem vindo a demonstrar isso, é uma excelente pessoa, um grande homem. Sempre nos passou essa ideia de que, antes de sermos grandes jogadores, tínhamos de ser grandes homens, porque isso depois facilita em tudo, no futebol, na vida, e foi mais essa a mensagem que ele nos transmitiu."

Relação com Vieira

"A relação é muito boa, ele deixa-me sempre muito à vontade. Temos vindo a falar muito nestes últimos tempos, tem-me acarinhado muito, ele gosta muito de mim. Diz que me trata como um filho e acredito que sim. É uma excelente pessoa e gosto muito dele também."

O futuro

"Eu acho que isso o tempo o dirá. Eu estou bem aqui, estou muito contente, adoro o clube, adoro estes adeptos que me adoram. Quero aproveitar o momento, jogar à bola, divertir-me a fazer o que gosto, e depois, com o tempo, as coisas acontecem naturalmente. Estou muito feliz no Benfica."

Bola de Ouro é um objetivo?

"Tenho, claro. Acho que todos os jogadores têm. A Bola de Ouro é o ponto máximo de um jogador em termos individuais, por isso claro que gostava. Quem é que não gostava de ganhar?"

Primeira conversa com Ronaldo

"Foi estranho, nunca o tinha visto ao vivo, assim tão perto, e eu disse depois aos meus colegas e melhores amigos, quando cheguei a casa, que parecia que estava no modo carreira na PlayStation, parecia um boneco. Foi estranho, mas foi um sonho tornado realidade estar com ele no mesmo balneário, mas nem me lembro do que ele disse, porque ao início só estava a pensar que estava ali ao pé dele. Mas foi muito bom.

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