Melhor segunda parte e golos na altura certa. A receita para vencer a Sérvia

William, Gonçalo Guedes, Ronaldo e Bernardo Silva marcaram os golos de Portugal na vitória por 4-2 na Sérvia que teve um final alucinante com três golos nos últimos 10 minutos. Seleção já está em segundo do grupo.

E pronto. Portugal venceu este sábado a Sérvia, por 4-2, em Belgrado, e voltou a apanhar o comboio para o apuramento direto rumo ao Euro2020, depois de ter entrado em falso no Grupo B da fase de qualificação com dois empates (Sérvia e Ucrânia) - neste momento é segundo classificado, com cinco pontos, a sete dos ucranianos, que têm mais dois jogos disputados. Mas não se livrou de algum sofrimento, apesar de os números indicarem o contrário.

Foi um jogo em que valeu sobretudo a Portugal a melhor segunda parte e os golos marcados na altura certa. Veja-se: no primeiro tempo, numa altura em que estava a ser pressionado pelo adversário, um golo caído do céu permitiu a William levar a seleção nacional para o intervalo a vencer por 1-0. No segundo tempo, Gonçalo Guedes fez o segundo cedo e depois a Sérvia foi sempre reduzindo e Portugal aumentando a vantagem quase imediatamente a seguir. Até Bernardo Silva fechar a contagem aos 86' e fazer Santos respirar de alívio. Mas foi também um jogo em que Portugal cometeu alguns erros nos golos sofridos e no qual deixou-se adormecer em alguns períodos. E por isso teve fases de algum sofrimento.

Apesar do bom arranque de João Félix com a camisola do Atlético de Madrid (na pré-época e no campeonato), o selecionador apostou na continuidade e lançou em Belgrado precisamente o mesmo onze que em junho conquistou no Porto a Liga das Nações, na final ganha à Holanda, com um meio-campo com William Carvalho, Danilo e Bruno Fernandes, e o ataque entregue a Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e... Gonçalo Guedes. No lado direito da defesa, Nélson Semedo foi aposta em detrimento de João Cancelo.

Portugal teve mais posse nos primeiros minutos, mas aos poucos os sérvios foram-se soltando e criando perigo sobretudo em lances de contra-ataque (Santos no final admitiu ter sido supreendido pelo facto de os sérvios terem jogado com linhas recuadas e a explorar os contra-ataques), quase sempre construídos pelo corredor de Nélson Semedo. A equipa de Fernando Santos mostrava dificuldades em criar jogadas de perigo e a velocidade imposta pelo adversário começava a criar algum nervosismo no selecionador nacional.

Sem ter feito muito por isso, contudo, Portugal colocou-se em vantagem perto do intervalo. Um golo de William Carvalho (o terceiro pela seleção nacional) muito consentido pelos sérvios, num lance em que o guarda-redes Dmitrovic chocou com Milenkovic e a bola sobrou para o médio do Bétis, que só teve de empurrar para o fundo da baliza.

Portugal entrou melhor na segunda parte. E no espaço de dois minutos (48' e 50'), Cristiano Ronaldo dispôs de duas boas oportunidades, a última na cobrança de um livre direto. Não marcou o capitão, marcou Gonçalo Guedes. O avançado do Valência, que até então tinha sido algo inconsequente, chutou cruzado depois de tirar um adversário do caminho e fez o segundo de Portugal aos 58'.

Parecia que o jogo estava resolvido, mas Portugal deixou-se adormecer por momentos e permitiu que a Sérvia marcasse aos 68', um golo de Milenkovic, na sequência de um canto em que o avançado superou Danilo. Logo a seguir Patrício foi obrigado a aplicar-se para impedir o golo de Ljajic.

Santos percebeu que tinha de mudar alguma coisa e lançou João Félix no jogo aos 70 minutos, com o jovem 126 milhões a entrar para o lugar de Gonçalo Guedes. O resultado era traiçoeiro, pois a Sérvia motivou-se com o golo e fez de tudo para chegar ao empate.

Estava a faltar a Portugal a fantasia de Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo, os dois jogadores mais criativos desta seleção. Magia que surgiu aos 80', com o jogador do City a fazer um grande passe rasgado a desmarcar CR7 na área, que picou a bola sobre o guarda-redes sérvio e marcou o terceiro de Portugal.

Mas a história voltou a repetir-se. A Sérvia teimava em não dar-se por vencida e voltou a reduzir (2-3) aos 85', por Mitrovic. Mas um minuto depois (impressionante a forma como Portugal reagiu sempre ao golo do adversário), Bernardo Silva descansou as hostes com o quarto de Portugal. E deixou as contas do apuramento para o Euro2020 bem mais aliviadas, numa partida em que a seleção nacional fez uma boa segunda parte, mas em que foram cometidos alguns erros, numa noite algo desastrada dos homens do meio-campo defensivo e da defesa. Uma seleção com jogadores desta qualidade não devia passar por momentos de tremedeira como em alguns momentos desde sábado em Belgrado. Resumido: a seleção continua sem encantar... mas desta vez venceu e num campo complicado.

A FIGURA: BERNARDO SILVA

Melhor na segunda parte do que na primeira. Formou o trio atacante de Portugal com Cristiano Ronaldo e Gonçalo Guedes e foram quase sempre dele as melhores iniciativas da seleção nacional. Brilhante a forma como assistiu Cristiano Ronaldo para o terceiro golo de Portugal e depois como matou o jogo com o quarto golo de Portugal, um remate de pé esquerdo colocado a finalizar uma jogada de contra-ataque. Terminou o jogo com uma impressionante média de 97% de eficácia de passe.

VEJA AQUI OS GOLOS DE PORTUGAL

FICHA DO JOGO

Jogo no Estádio Rajko Mitic, em Belgrado.

Sérvia-Portugal, 2-4.

Ao intervalo: 0-1.

Marcadores: 0-1, William Carvalho, 42'; 0-2, Gonçalo Guedes, 58'; 1-2, Milenkovic, 68; 1-3, Cristiano Ronaldo, 80'; 2-3, Aleksandar Mitrovic, 85'; 2-4, Bernardo Siva, 86'.

Sérvia: Dmitrovic, Milenkovic, Maksimovic, Nastasic, Kolarov, Matic, Milivojevic (Jovic, 87), Lazovic (Ljajic, 59), Kostic (Katai, 83), Tadic e Aleksandar Mitrovic.

Selecionador: Ljubisa Tumbakovic.

Portugal: Rui Patrício, Nelson Semedo (João Cancelo, 65), José Fonte, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro, Danilo Pereira, William Carvalho, Bruno Fernandes (João Moutinho, 85), Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e Gonçalo Guedes (João Félix, 70).


Selecionador: Fernando Santos.

Árbitro: Cüneyt Çakir (Turquia).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Maksimovic (10), Rúben Dias (39), Kolarov (64) e William Carvalho (89).

Assistência: Cerca de 45.00 espetadores.