Coração, cabeça e músculo na goleada do FC Porto sobre o Chaves

Campeão nacional arrancou a todo o vapor e Aboubakar lá encontrou o caminho do golo duas vezes (após perder umas três ocasiões) Brahimi 'inventou' sozinho o 3-0 e Corona fez um solo no 4-0. Marius fez o 5-0 frente a um Chaves inofensivo

O FC Porto fez 45 minutos a uma velocidade difícil de acompanhar. O Chaves não só não esteve capaz de responder, como foi verdadeiramente atropelado pelos campeões nacionais. Aboubakar falhou três vezes antes de marcar duas em seis minutos (14' e 20'), dando início às hostilidades.

Antes do intervalo, Brahimi fintou, driblou e definiu um lance que concluiu com um remate colocado e que deu o 3-0 aos dragões. Um lance que define a noite do argelino: habilidoso, escorregadio e intenso.

Com a batuta nos pés de Sérgio Oliveira, o FC Porto asfixiava o Chaves, fruto das subidas furiosas de Maxi Pereira (escapou ao cartão vermelho após entrada de pé no ar sobre Luís Martins, falhando a bola e acertando na perna do adversário), das diagonais de Brahimi e Otávio e das movimentações de André Pereira e Aboubakar. Herrera ia controlando o jogo mais de trás, sempre com muita sapiência.

Na segunda parte, o FC Porto do músculo e coração teve também cabeça para baixar o ritmo e intensidade, mas manter o controlo e somar oportunidades de golo. Chegou ao 4-0 num lance em que Corona aproveitou para invadir a área contrária correndo largos metros à custa da movimentação de Otávio, que arrastou os defesas. Já depois de Otávio ter sido atropelado por Eustáquio, aos 61', quando se preparava para rematar dentro da área. Penálti por assinalar.

Num ritmo mais baixo, os dragões iam desperdiçando golo atrás de golo. Aboubakar teve mais umas três ocasiões para completar o hat-trick, Corona ameaçara antes de ter feito o 4-0, Brahimi dançou no relvado e quase marcou. Uma série de oportunidades que não ficou a dever nada ao ao grande caudal de ocasiões resultantes do festival de ataque da primeira etapa.

Depois, houve espaço para tudo. Para entrar Adrián Lopez e Marius (que marcou o 5-0 aproveitando um remate acrobático de Sérgio Oliveira) e para João Teixeira passar seis minutos em campo (foi expulso após advertência do vídeo árbitro, antes tinha apenas visto amarelo por entrada de pé no ar sobre Sérgio Oliveira).

O FC Porto entrou de forma auspiciosa na Liga em defesa do título nacional conquistado a época passada. O Chaves teve poucas hipóteses de sair da masmorra, mas também pareceu muito limitado ofensivamente para o conseguir (três remates inofensivos é muito pouco para qualquer equipa num jogo).

FIGURA

Otávio.

Numa equipa com vários jogadores inspirados (Brahimi, Sérgio Oliveira, Maxi, entre outros), Otávio acaba por cima de todos pela influência direta no marcador e pela diversidade de recursos que apresentou ao longo do jogo. Rapidez de raciocínio, de decisão e uma intensidade que contagiou o FC Porto.

Otávio esteve ligado a três golos: serviu Aboubakar (com um túnel precioso de André Pereira) para o primeiro, fez o passe de morte para o camaronês bisar (2-0) e com grande inteligência arrastou adversários enquanto Corona galgava metros com a bola até chegar à área e atirar para o 4-0.

FICHA DO JOGO

Jogo disputado no Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto 5-0 Desportivo de Chaves.

Ao intervalo: 3-0.

Marcadores:

1-0, Aboubakar, 14 minutos.

2-0, Aboubakar, 20.

3-0, Brahimi, 45.

4-0, Corona, 71.

5-0, Marius, 88.

Equipas:

- FC Porto: Casillas, Maxi Pereira, Felipe, Diogo Leite, Alex Telles, Otávio (Adrián López, 74), Sérgio Oliveira, Herrera, Brahimi, André Pereira (Corona, 67) e Aboubakar (Marius, 81).

(Suplentes: Vaná, Chidozie, Hernâni, Óliver Torres, Marius, Corona e Adrián López).

Treinador: Sérgio Conceição.

- Desportivo de Chaves: Ricardo, Brigues, Maras, Marcão, Luís Martins, Filipe Melo, Bruno Gallo (João Teixeira, 74), Eustáquio, Ghazaryan (Niltinho, 66), Avto e William (Platiny, 79).

(Suplentes: António Filipe, Nuno André Coelho, Jefferson, João Teixeira, Djavan, Niltinho, Platiny).

Treinador: Daniel Ramos.

Árbitro: Nuno Almeida (AF Algarve).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Eustáquio (50), Luís Martins (58). Cartão vermelho direto para João Teixeira (81).

Assistência: 46.509 espetadores.

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