Dragões marcaram cedo e depois tiveram medo dos seus fantasmas

O FC Porto venceu o Moreirense por 3-0, numa exibição sem brilho e marcada pelo receio de que o adversário recuperasse da desvantagem de dois golos, tal como fizeram Belenenses e V. Guimarães

O FC Porto voltou este domingo aos triunfos ao bater o Moreirense, por 3-0, num resultado que não é o espelho daquilo que foi a exibição da equipa de Sérgio Conceição, que está longe do fulgor que exibiu na época passada, na qual recuperou o título de campeão nacional.

Ainda assim, o jogo terá servido para afugentar os fantasmas que parecem persseguir a equipa, depois de nas duas partidas anteriores - Belenenses fora e V. Guimarães em casa - ter perdido uma vantagem de dois golos, chegando mesmo a ser derrotado pelos vimaranenses na jornada anterior.

E perante o Moreirense, os portistas voltaram a chegar a uma vantagem de dois golos, alcançada ainda antes da meia hora de jogo, e na segunda parte assistiu-se a uma equipa temerária que procurou não correr riscos para não voltar a sofrer um dissabor.

Sérgio Conceição lançou duas novidades no onze inicial: o defesa-brasileiro Éder Militão que se estreou e o regresso de Marega. E a verdade é que o FC Porto até entrou bem no jogo, sobretudo na forma como rapidamente reagia quando perdia a bola, o que fazia com que o Moreirense não saisse do seu meio-campo. Apesar disso, faltava velocidade aos dragões para que pudessem abrir espaços para entrar na defesa contrária.

Não estranhou por isso que o primeiro golo surgisse na sequência de um canto, em que a defesa moreirense se esqueceu de Herrera, que à vontade na pequena área se limitou a empurrar para o fundo da baliza um desvio de cabeça de Militão. O mais difícil estava feito. Os portistas continuaram a jogar no mesmo registo e com o mesmo ritmo, acabando por chegar ao segundo golo, beneficiando de um remate cruzado de Marega ao poste, ressaltando a bola para Aboubakar, também ele deixado sem marcação, para fazer o segundo golo.

Até ao intervalo assistiu-se ao melhor período do FC Porto, com algumas jogadas de entendimento, sobretudo pelo lado direito por Marega e Maxi Pereira, que foram criando perigo junto da baliza de Jhonatan Luiz, mas sem que fossem criadas claras oportunidades de golo. A espaços o Moreirense começou a ensaiar aquilo que iria fazer no segundo tempo com mais regularidade, um futebol de posse de bola, com Chiquinho, Bilel e Pedro Nuno como intervenientes mais destacados.

Casillas contra o fantasma

A segunda parte foi completamente diferente. Os dragões pareciam assombrados pelo fantasma dos dois últimos jogos e recuaram as linhas, permitindo ao Moreirense trocar a bola no seu meio-campo, embora sem conseguir o mais importante: aproximar-se com perigo da baliza portista.

Sérgio Conceição percebeu o dilema dos seus jogadores - ir para a frente e correr riscos ou tentar controlar o adversário - e lançou Jesús Corona para o lugar de Aboubakar. O objetivo era aproveitar as perdas de bola do Moreirense, que estava muito subido no campo, para sair em ataques rápidos através do mexicano e de Marega e assim acabar com as dúvidas no resultado, dilatando o marcador.

Só que tal não aconteceu e acabou mesmo por ser Casillas a salvar o FC Porto dos seus próprios fantasmas, quando após uma má abordagem de Maxi Pereira, Bilel assistiu Chiquinho para o remate, valendo o guarda-redes espanhol com uma defesa com o pé a evitar o 2-1.

Danilo de volta, cinco meses depois

Enquanto Ivo Vieira procurava arriscar mais com a entrada do ponta-de-lança Nenê, Sérgio Conceição optou por lançar Óliver Torres primeiro e Danilo Pereira depois para tentar manter bola em seu poder, que por essa altura andava mais vezes nos pés dos cónegos. Uma referência para Danilo, que regressou aos relvados cinco meses depois de uma grave lesão e foi, por isso, muito aplaudido quando entrou para o lugar do apagado Brahimi.

Com o passar dos minutos, o Moreirense foi perdendo ânimo, afinal o golo que podia dar esperança não aparecia... E a reta final da partida voltou a ter sinal mais do FC Porto, que acabou por fazer o terceiro golo por Marega, que concluiu uma bela jogada individual de Otávio pela esquerda. Foi o suspirar de alívio por parte dos dragões, que assim repetiram um resultado já habitual no Dragão perante a equipa de Moreira de Cónegos, pois o 3-0 registou-se em quatro das últimas cinco épocas.
E apesar dos problemas de produção de jogo, os portistas podem orgulhar-se de ter o seu melhor registo de golos (13) à quarta jornada dos últimos 67 anos...

Com este resultado, o FC Porto subiu ao quarto lugar da classficação, em igualdade pontual (9) com o Marítimo, e a um ponto do trio de lideres composto por Benfica, Sp. Braga e Sporting. Confira aqui a tabela.

A FIGURA: Moussa Marega

No regresso à titularidade, o maliano mostrou que ainda não está no meu melhor momento de forma. Aliás, foram várias as vezes em que perdeu a bola devido a más receções. Contudo, o FC Porto não pode viver sem a sua velocidade e capacidade de explosão. E a prova disso foi o segundo golo, no qual tem uma participação importante ao rematar cruzado ao poste, levando depois Aboubakar a recargar com êxito. Acabou por marcar o terceiro golo, num justo prémio para um jogador que é decisivo no estilo de jogo preconizado por Sérgio Conceição.

FICHA DO JOGO

Estádio do Dragão, no Porto (43.316 espectadores)
Árbitro: Hélder Malheiro (Lisboa)

FC Porto: Casillas; Maxi Pereira, Felipe, Éder Militão, Alex Telles; Otávio, Herrera, Sérgio Oliveira (Óliver Torres, 75); Marega, Aboubakar (Jesús Corona, 64), Brahimi (Danilo Pereira, 82)
Treinador: Sérgio Conceição.

Moreirense: Jhonatan Luiz; João Aurélio, Abarhoun, Ivanildo Fernandes, Bruno Silva; Loum, Ângelo Neto (Alan Schons, 62), Pedro Nuno; Chiquinho (Pato Rodríguez, 80), Bilel Aouacheria (Nenê, 71), Heriberto Tavares
Treinador: Ivo Vieira.

Cartão amarelo a Sérgio Oliveira (41), Felipe (67) e Loum (81).

Marcadores: 1-0, Herrera (15); 2-0, Aboubakar (28); 3-0, Marega (90+4)

FILME DO JOGO

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