Como Messi mandava na seleção argentina

Incompatibilizou-se com um adjunto meses antes do Mundial, fez saber que não queria Fazio e Lo Celso no onze titular. Não gostou de perder um jogo futebol/ténis num momento de lazer. O jornal Clarín descreve tudo ao detalhe

Começam a vir à tona alguns detalhes sobre a fracassada campanha da Argentina no Mundial 2018. Há relatos de discussões, nervos e muitas tensões. As principais discussões até foram entre o selecionador Jorge Sampaoli e o seu adjunto Sebastián Beccacece. Foi precisamente com este adjunto que Messi discutiu em março de 2018 na véspera de um particular, em Manchester, com a Itália.

Durante o treino Sebastián Beccacece aproximou-se de Messi, pôs a mão em cima do ombro do avançado, e aconselhou-o: "Leo assim não. É melhor ires por outro lado." Messi não reagiu mas, segundo o jornal Clarín, horas mais tarde pediu a Sampaoli para que o seu adjunto não voltasse a repetir semelhante atitude.

Até à estreia no Mundial com a Islândia, parecia claro aos olhos de todos que Sampaoli iria apostar no central Fazio e no extremo Lo Celso. Um fonte do Clarín deu uma pista aquele jornal sobre as razões da mudança: "Se vês algo que parecia que ia acontecer e de repente houve uma mudança de planos isso tem a ver com algo que o '10' tenha dito."

O Clarín adianta que falou com diversas fontes e estas atribuem toda a responsabilidade a Messi, pois este criticava a forma como Fazio construía jogo e também a qualidade de passe do extremo do Paris Saint-Germain. Sobre Lo Celso terá havido uma situação que contribuiu para o facto de não ser propriamente o melhor amigo de Messi. Este não terá gostado de ser goleado por Lo Celso num jogo de lazer que misturava o futebol com o ténis e também não achou muita piada a um túnel feito por Lo Celso durante um treino. O Clarín, no entanto, adianta que falou com pessoas próximas de Messi que desmentem estes relatos....

A autoridade de Sanpaoli começou a desvanecer-se quando manteve uma discussão violenta, à frente de todos os futebolistas, com o seu adjunto Sebastián Beccacece. E quem acalmou a situação foi Mascherano, outro dos líderes de balneário e a quem muitos atribuem, juntamente com Messi, 70% da autoria do onze que alinhou diante do crucial encontro com a Nigéria.

A verdade é que o ambiente não era bom, continua a não ser, mesmo depois do Mundial, visto que Sampaoli ainda não rescindiu e Messi continua sem declarar se se mantém ao serviço da sua seleção.

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