Claudio Ranieri é o treinador de Madeira Rodrigues

Candidato às eleições do Sporting diz que conseguiu seduzir o italiano para o seu projeto. José Peseiro deixará assim o Sporting se Madeira Rodrigues for eleito

Pedro Madeira Rodrigues oficializou esta quinta-feira a sua candidatura à presidência do Sporting, cujas eleições estão marcadas para o dia 8 de setembro. É o terceiro nome a avançar, depois de Fernando Tavares Pereira, empresário de Coimbra, e Frederico Varandas, antigo médico dos leões. João Benedito e Dias Ferreira são outros possíveis candidatos.

O candidato anunciou que o italiano Claudio Ranieri será o seu treinador. Ou seja, José Peseiro será dispensado se Madeira Rodrigues vencer as eleições "Contratarei um grande treinador que vai colocar o Sporting no caminho das vitórias. O Sporting vai apostar na formação, deve ser o nosso ADN. Vamos já retomar o projeto da equipa B, que tão bons resultados deu. Temos de recuperar o tempo perdido. Teremos um Sporting com capacidade financeira para termos equipas competitivas", disse.

"Queria falar com todo o respeito por Peseiro, uma grande pessoa, um bom treinador, muito bom homem e que percebeu perfeitamente a minha escolha. É importante que haja escolha no dia 8. Há muito tempo que sonho trazer para o Sporting um treinador como Ranieri. Hoje, mais do que nunca, sinto que é este o perfil de que Portugal precisa. Consegui seduzir Ranieri pelo nosso projeto, partilha os nossos valores, partilha a nossa visão e partilha esta vontade de trazer vitórias para o Sporting, vitórias que merecemos há muito tempo", acrescentou.

Claudio Ranieri, 66 anos, treinou clubes como Nápoles, Fiorentina, Valência, Atlético de Madrid, Chelsea, Parma, Juventus, Roma, Inter Milão, Mónaco e Leicester. Aliás, o maior feito da sua carreira foi alcançado no clube inglês, quando na época 2015/16 se sagrou campeão inglês. A época passada treinou o Nantes, da I Liga francesa.

"Sou candidato à presidência do grande Sporting Clube de Portugal. Não podia voltar a cara a este grande desafio para o qual estou preparado. Comigo o grande Sporting será cada vez mais uma referência mundial em valores, visão e vitórias. Trago investimento financeiro que garante que o Sporting continuará nas mãos dos sócios", referiu durante o anúncio da sua candidatura.

"Somos hoje alvo de investigações relacionadas com suspeitas graves, contas, sacos azuis, isto é uma vergonha. Vivemos a 15 de maio o dia mais negro da historia do clube. O Sporting andou nas bocas do mundo pelas piores razões. O que se passou em Alcochete foi uma vergonha, uma mancha na nossa história", atirou.

O candidato às eleições do dia 8 de setembro abordou ainda as rescisões de contrato de vários jogadores: "O que interessa é olhar para o futuro. Esta questão das rescisões... Ranieri pediu-me para avançar rapidamente. Pode ser que os jogadores aceitem ficar sabendo que eu venho aí. Os jogadores cresceram no Sporting, como eu. Mas ainda há tempo para voltarem atrás. Se não derem compensação financeira, que voltem para o clube, para ajudarem o grande Sporting".

Nas eleições de de março de 2017, Pedro Madeira Rodrigues foi derrotado, tendo recolhido 9,49% dos votos, contra os 86,13% de Bruno de Carvalho.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.