Caso dos emails: NYT diz que Benfica pediu à Google identidade de vários bloggers

Jornal norte-americano dedica matéria ao caso dos emails e revela que os encarnados já pediram identidades dos bloggers que têm publicado a informação confidencial do clube da Luz. São cerca de 100 pessoas implicadas

O jornal norte-americano New York Times publica esta quarta-feira um extenso artigo sobre o caso do emails que envolve o Benfica. No artigo do NYT é revelado que os encarnados pediram à Google dados pessoais de vários detentores de blogues que divulgaram mensagens de correio eletrónico confidenciais.

De acordo com o NYT, em setembro, o criador do blogue "O Artista do Dia", terá recebido um email dos advogados da Google a informar que os responsáveis benfiquistas pediram à empresa norte-americana que facultasse os dados pessoais do autor deste blogue.

Ainda de acordo com o NYT, que faz um historial de toda esta história dos emails, o Benfica tem debaixo de mira cerca de 100 pessoas e já pediu à Google informações para tentar descobrir a identidade dos bloggers que têm publicado os alegados emails contendo informação confidencial do clube.

Esta quarta-feira, o criador do blogue "Artista do Dia", deixou uma mensagem na sequência da notícia publicada pelo New York Times. "Nos mais de cinco anos que este blogue já leva, procurei evitar sempre colocar-me no centro do quer que fosse. O importante, para mim, sempre foram as opiniões e o debate de ideias, e nunca o papel que eu poderia ter ou deixar de ter. De há 20 dias para cá, isso passou a ser impossível porque, aparentemente, a minha identidade (e a de outros como eu) passou a ser importante para uma organização que devia ter outro tipo de coisas para se preocupar", escreveu, remetendo para o link da notícia do NYT.

"Estupefacto, o blogger não conseguiu dormir depois de ler o email e de ver os anexos do mesmo, enviados pelo United States District Court for the Central District of California. Quando a mulher e os filhos acordaram no dia seguinte, ele não tinha pregado olho", pode ler-se no artigo do New York Times.

O jornal revela que o criador do blogue está preocupado com a possibilidade dos seus dados pessoais e mesmo a sua identidade serem revelados. "Eles podem vir ao meu emprego, eu não sei o que pode acontecer... Os meus filhos, eu penso sobre isto tudo", acrescenta.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.