Ponto final nas buscas pelo avião de Sala. "Possibilidades de sobrevivência extremamente remotas"

Em comunicado, o capitão David Barker, responsável pelas operações, anunciou a "decisão difícil" depois de revista "toda a informação" e concluiu: "As possibilidades de sobrevivência são, nesta altura, extremamente remotas"

As autoridades britânicas deram esta quinta-feira por concluídas, sem sucesso, as buscas levadas a cabo desde terça-feira para encontrar o avião que transportava o futebolista argentino Emiliano Sala, que desapareceu quando cruzava o Canal da Mancha, quando viajava de Nantes para Cardiff, na segunda-feira à noite.

O anúncio foi feito através de um comunicado do capitão David Barker, responsável pelas operações no terreno, após uma reunião da equipa de buscas e salvamento. "Apesar dos melhores esforços no ar e dos ativos das Ilhas do Canal, Reino Unido e França, que cobriram uma área de 4400 quilómetros quadrados, depois de examinados os dados de telemóvel e as imagens de satélite, revelou-se impossível encontrar vestígios de avião, piloto ou passageiro", começou por dizer.

O responsável das operações explicou que foram mais de 80 horas de voo em que foram utilizados três aviões, cinco helicópteros e dois botes salva-vidas, bem como de navios e barcos de pesca que passaram na zona, pelo que foi concluído que "as possibilidades de sobrevivência são, nesta altura, extremamente remotas" .

Nesse sentido, o comunicado diz ainda que "os familiares dos dois ocupantes já foram informados", acrescentando que o caso "continuará em aberto", pelo manter-se-á a comunicação com todos os navios e aviões que passem pela zona para perceberem se há algum vestígio da aeronave desaparecida, algo que "vai manter-se indefinidamente".

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?