As aventuras dos Von Tengerean numa praça cheia de brasileiros

Rodeada de rivais confiantes e barulhentos, foi difícil para a família belga manter o ânimo elevado. A seleção belga, contudo, mostrou o seu jogo e, no fim, foram os Von Tengerean que mais fizeram barulho

Qual o melhor programa para uma família belga de férias em Lisboa? Depende. É preciso ter em conta que Patrick Von Tengerean não está só com a mulher e as duas filhas. "Vieram também os meus dois irmãos com as mulheres, as minhas sobrinhas, o meu melhor amigo de infância e a minha mãe", conta o adepto da cidade de Liège, apresentando a linhagem Von Tengerean. O plano inicial era, obviamente, passar a tarde no Terreiro do Paço, a dar tudo por tudo pela seleção belga. Estavam todos de acordo, homens, mulheres e crianças. O problema, porém, era a mãe: "Enfrentar um jogo contra o Brasil pode ser demasiada agitação para uma pessoa com 79 anos."

São razoáveis as preocupações do filho mais velho de Hanne. O Brasil, além de um adversário difícil, tem os adeptos mais barulhentos deste Mundial: "Já os conhecemos de outros campeonatos, eles vivem o futebol como poucos e enchem uma praça em menos de nada." O melhor, portanto, seria procurar um café tranquilo e assistir a partida bem instalados com meias-de-leite e croissants de queijo. Todos concordaram, homens, mulheres e crianças. Menos Hanne, que contrariou o consenso familiar com um ralhete, pondo cada um no seu lugar: "Eu lá sou mulher de ver a bola sentada num sofá!"

E foi assim que esta família belga se instalou no relvado da Arena Portugal, cercado de adeptos brasileiros, eufóricos e confiantes, como seria de esperar. E o otimismo dos Von Tengerean estará ao mesmo nível dos adeptos canarinhos? "A nossa seleção é forte e temos esperança, mas sabemos que é um jogo bastante complicado", responde Patrick, antes de um rival com a camisola de Neymar Jr. se intrometer na conversa para antecipar a vitória da "equipa maravilha".

É difícil manter o ânimo sempre em alta quando ainda antes do jogo todos dizem que a Bélgica pode fazer as malas porque está arrumada. À esquerda e à direita, atrás e à frente, há sempre alguém a agoirar a esperança dos Von Tengerean. Mas só até a seleção belga também começar a mostrar seu jogo. A partir daí, foram brasileiros e belgas a sofrerem de pé até ao fim, mas foi a avó da família Von Tengerean que, afinal, acabou a fazer barulho.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os aspirantes a populistas

O medo do populismo é tão grande que, hoje em dia, qualquer frase, ato ou omissão rapidamente são associados a este bicho-papão. E é, de facto, um bicho-papão, mas nem tudo ou todos aqueles a quem chamamos de populistas o são de facto. Pelo menos, na verdadeira aceção da palavra. Na semana em que celebramos 45 anos de democracia em Portugal, talvez seja importante separarmos o trigo do joio. E percebermos que há políticos com quem podemos concordar mais ou menos e outros que não passam de reles cópias dos principais populistas mundiais, que, num fenómeno de mimetismo - e de muito oportunismo -, procuram ocupar um espaço que acreditam estar vago entre o eleitorado português.