Arsène Wenger, o novo Cavaleiro Grande Comandante da Libéria

O que fez o treinador francês para receber a mais alta condecoração daquele país africano? Entre outras coisas, foi treinador de George Weah, o atual presidente

Em 1988, George Weah viu as portas do futebol europeu serem-lhe abertas por Arsène Wenger, então ainda um jovem técnico cujas ideias revolucionárias começavam a marcar o futebol francês, ao serviço do Mónaco, e que marcaram definitivamente a carreira do avançado liberiano que em 1995 viria a ser o primeiro, e até agora único, jogador africano a ganhar o prémio de melhor jogador do mundo.

Agora com 51 anos, Weah é, desde o ano passado, o presidente da República da Libéria. E resolveu agradecer ao mais alto nível o papel que Arsène Wenger teve não só na vida como na de muitos outros futebolistas africanos que o treinador ajudou a afirmarem-se na Europa.

Esta sexta-feira, o técnico francês, que em maio passado terminou a sua longa ligação de 22 anos com o Arsenal de Londres, vai ser agraciado em Monrovia (capital da Libéria) com a Ordem de Distinção e o título de Cavaleiro Grande Comandante da Ordem Humana para a Redenção da África, a mais alta condecoração no país presidido por George Weah.

A decisão de Weah em condecorar o seu primeiro treinador na Europa provocou alguma controvérsia na Libéria, com críticos do presidente a apontarem o dedo ao facto de Weah estar a oferecer a mais alta hnoraria do país a pessoas que "foram importantes para a sua vida pessoal e não para os destinos do país", como referiu um opositor político, Darius Dillon.

Zeogar Wilson, ministro dos Desportos, saiu em defesa de Weah e lembrou a importância que a afirmação da carreira futebolística de Weah teve durante a guerra civil na Libéria. "No calor dessa guerra, a única coisa boa que saiu da Libéria foi George Weah e o seu sucesso no futebol. Como podemos não querer honrar aqueles que o ajudaram a chegar onde chegou?", questionou Wilson, acrescentando ainda que Wenger "contribuiu muito para o desenvolvimento do desporto em África" - no Arsenal, treinou 16 jogadores africanos ao longo dos anos.

"Foi um pai para mim"

George Weah sempre destacou, em várias intervenções públicas ao longo dos anos, a forma como Arsène Wenger o recebeu no Mónaco, referindo-se ao francês como um segundo pai. "Ele foi uma figura paternal para mim. Tratava-me como seu filho. Ele foi um homem que, quando o racismo estava no seu auge, demonstrou-me carinho e respeito. Sem ele, eu nunca teria conseguido triunfar na Europa", disse o atual presidente da Libéria numa entrevista ao jornal Guardian pouco antes de ser eleito, no ano passado.

Para Wenger, a história de vida de Weah "é um milagre". "Quando o vi pela primeira vez no Mónaco, vinha um bocado perdido, não conhecia ninguém e ninguém dava nada por ele. Ter conseguido chegar a melhor jogador do mundo e agora presidente do seu país, é um feito extraordinário",

Indiferente à polémica em redor da distinção, Wenger aterrou quarta-feira em Monrovia e foi recebido com grande entusiasmo pela população da Libéria, onde esta sexta-feira vai então receber a mais alta distinção daquele país africano. Claude Le Roy, outrro treinador francês que é o atual selecionador do Togo, também vai ser condecorado - era ele o selecionador dos Camarões em 1988, quando Weah jogava naquele país ao serviço do Tonnerre Yaoundé, e foi quem recomendou o avançado a Wenger.

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