Advogada de Fernando Mendes diz que juiz "foi enganado"

A advogada do antigo líder da Juventude Leonina Fernando Mendes considerou que o juiz foi enganado pelos despachos de apresentação e pela própria acusação do ataque à academia do Sporting, em Alcochete.

"Vossa excelência também foi enganado", afirmou Sandra Martins, no último dia das alegações finais do debate instrutório, que decorreram no Tribunal Criminal de Lisboa, tecendo críticas à acusação e à procuradora do Ministério Público (MP) Cândida Vilar.

"A investigação é inexistente, pobre e mal feita e a acusação não tem factos concretos, pelo que é nula", afirmou a advogada, que, além de Fernando Mendes, representa mais seis arguidos.

Sandra Martins considerou que o juiz deve proferir um despacho de não pronuncia para a quase totalidade dos crimes dos quais estão acusados, admitindo apenas que "o único crime que pode existir é o de ofensas à integridade física".

A advogada "exigiu" ao juiz Carlos Delca que "antes de proferir o despacho de não pronuncia liberte os arguidos, detidos há um ano e dois meses", e contestou, tal como fizeram todos os defensores dos 44 arguidos, o crime de terrorismo.

"Não tenciono diminuir o que aconteceu, o que eu digo desde o primeiro dia é que não houve terrorismo", afirmou, acusando o MP de, ao contrário do que lhe competia, não ter levado todas as provas para o processo.

Além de Sandra Martins, alegaram hoje mais seis advogados, tendo todos criticado a acusação, por considerarem que "esta está mal feita", contestado o crime de terrorismo, e pedido a revisão de penas para os arguidos.

O juiz Carlos Delca remeteu para 01 de agosto o anúncio da decisão instrutória do caso, que envolve 44 arguidos, 35 dos quais ainda se encontram em prisão preventiva.

Nas alegações finais no debate instrutório, a procuradora Cândida Vilar solicitou ao juiz a alteração da medida de prisão preventiva para vários arguidos.

Fernando Mendes foi libertado no início de julho, depois de o juiz de instrução ter dado provimento ao requerimento apresentado por Cândida Vilar, no qual pedia que este arguido fosse posto em liberdade com base num problema de saúde grave.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque, o MP imputa-lhes a coautoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38 crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao público.

O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho, o líder da claque Juventude Leonina Nuno Mendes, conhecido por Mustafá, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados.

O líder da claque Juventude Leonina está também acusado de um crime de tráfico de droga.

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