Hélio Sousa, o "Fininho" de Setúbal que se tornou campeão da Europa

O selecionador nacional de sub-19 tem como mentor Carlos Queiroz, com quem conquistou o título mundial de juniores em 1989

Hélio Sousa, de 49 anos, é o comandante da nova geração de ouro do futebol português que, dois anos depois da conquista do título europeu de sub-17, conquistou de novo a Europa com os sub-19, este domingo, na Finlândia, com uma vitória na final com a Itália, por 4-3, após prolongamento.

"Sempre teve uma grande aptidão para trabalhar com os jovens", revelou ao DN Chumbita Nunes, antigo presidente do Vitória de Setúbal e responsável pelo início de carreira de Hélio como treinador, pois foi ele que, em dezembro de 2005, o desafiou para substituir Luís Norton de Matos.

Talvez tenha sido essa qualidade de saber lidar com os mais novos que fez Carlos Queiroz lançar-lhe o desafio de trabalhar nas seleções jovens. Foi em junho de 2009. Hélio nem pestanejou perante o desafio de integrar os quadros da Federação Portuguesa de Futebol... deixou o Sp. Covilhã, com quem se tinha comprometido para a época 2009/10, e iniciou uma aventura que culminou agora com o título europeu de sub-19. "O Carlos Queiroz é o mentor dele", reconheceu Carlos Cardoso, antigo jogador e treinador do V. Setúbal.

O "Fininho" com "pezinhos de lã"

Hélio nasceu em Setúbal e cresceu no bairro da Reboreda, com vista para o castelo de Palmela. Aprendeu as primeiras noções de futebol bem perto de casa, no Figueirense, jogou depois no Brejos de Azeitão durante um ano, antes de ir fazer os treinos de captação ao Bonfim, iniciando assim uma ligação de 24 anos ao Vitória de Setúbal como futebolista. "Era um médio com pezinhos de lã, não se dava por ele, mas estava sempre lá para desarmar ou lançar um ataque do Vitória", recordou Chumbita Nunes.

O início de carreira profissional de Hélio foi impulsionado por Carlos Queiroz, treinador com quem viveu o primeiro grande momento da sua carreira ao serviço da seleção nacional de sub-20, quando em 1989 se sagrou campeão do mundo da categoria em Riade, na Arábia Saudita, numa equipa que tinha Fernando Couto, Paulo Sousa, João Vieira Pinto, entre outros.

Nessa altura, Hélio já se tinha estreado pela equipa principal do V. Setúbal e foi mais ou menos por essa altura que ganhou a alcunha de "Fininho", que o acompanhou para a vida e até já foi transmitida ao filho, André Sousa, que aos 20 anos segue as pisadas do pai na equipa principal dos sadinos. Foram os jogadores mais velhos que lhe puseram o nome, por ser muito magrinho.

Esteve com um pé no Belenenses

Apesar de ter feito toda a carreira de jogador no Vitória, a verdade é que logo nos primeiros anos de profissional esteve com um pé para deixar o Bonfim. "O Hélio esteve para ir para o Belenenses, por troca com um jogador brasileiro, cujo nome não me lembro. Chegou a estar no Restelo, não fez nenhum treino, mas acabou por voltar para trás devido a uma lesão", contou ao DN Fernando Tomé, histórico jogador do V. Setúbal, que há muito acompanha a carreira do selecionador campeão da Europa de sub-19. "Eu regressei ao Vitória em 1984 para ser adjunto do Manuel de Oliveira e comecei a acompanhar o Hélio nos juvenis e desde logo percebi que podia ter uma carreira bonita como jogador", recorda.

Hélio Sousa foi durante muitos anos capitão de equipa do Vitória e quem o conhece bem garante sempre deu indicações de que poderia ter uma carreira de sucesso como treinador. "Tinha muita influência no plantel e mostrava uma grande apetência para acompanhar os jovens da equipa. Quando estava no final de carreira convidei-o para assumir o comando da equipa", recorda Chumbita Nunes, que o promoveu a técnico principal numa situação de crise. Por essa altura, já tinha tirado um curso de desporto na Escola Superior de Educação de Setúbal.

"O Hélio ainda não tinha o IV Nível de treinador e convidou-me para ser adjunto dele, para que eu pudesse assinar os boletins de jogo, mas talvez tenha sido cedo de mais porque as coisas não correrem muito bem", conta Carlos Cardoso, que tinha orientado Hélio em quatro épocas diferentes. "Quando ele jogava, percebia-se que tinha feitio para ser treinador, por isso não me surpreende que tenha chegado onde chegou", acrescentou Cardoso.

As lágrimas romperam a timidez

Ao longo da sua carreira de jogador ou treinador, Hélio Sousa nunca foi muito expansivo, algo que é confirmado por quem o conhece. "É muito tímido, mas liberta-se no trabalho com os jovens", diz Chumbita Nunes, tendo Fernando Tomé dado outra pista sobre a personalidade do técnico: "Apesar de ser introvertido, sabe estar no seu posto e é um líder, se não fosse não teria sido escolhido por Carlos Queiroz para o cargo que desempenha agora."

A personalidade pacata marca também a atuação de Hélio como treinador. "Ele gosta das coisas muito direitinhas, leva tudo muito a sério e pensa muito bem antes de tomar qualquer decisão", sublinhou Carlos Cardoso, uma ideia partilhada por Chumbita Nunes: "É muito trabalhador e analisa tudo ao pormenor."

As lágrimas que deixou escapar na flash interview após a vitória com a Itália, que permitiu conquistar do título europeu de sub-19, foram provavelmente as primeiras demonstrações públicas de emoção por parte de Hélio Sousa. "Provavelmente vieram-lhe as lágrimas aos olhos por causa do turbilhão de emoções que sentiu na altura, até porque é uma pessoa muito racional. Mas nestes momentos é natural que as emoções estejam à flor da pele, sobretudo quando ele recordou a mãe, uma pessoa muito importante para ele, e que faleceu há cerca de um ano", afirmou Chumbita Nunes.

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