Sporting cai em Barcelos e falha aproximação ao pódio

Depois de três vitórias consecutivas, o Sporting escorregou em Barcelos, num campo onde o FC Porto também tropeçou. Depois dos sinais de retoma, leão voltou a deixar pálida imagem

É caso para dizer que Vítor Oliveira, conhecido como o rei das subidas, tem queda para travar os grandes. Depois do FC Porto ter tropeçado em Barcelos logo na primeira jornada, neste domingo foi a vez de o Sporting cair diante do Gil Vicente, que venceu por 3-1 e colocou um ponto final no estado de graça dos leões que vinham de três vitórias consecutivas.

O Gil Vicente teve muito mérito no triunfo, mas este Sporting voltou a cometer demasiados erros. O primeiro golo dos gilistas nasceu de uma perda de bola infantil de Ilori e o segundo num penálti cometido por Acuña. Com esta derrota, os leões falharam a aproximação ao terceiro lugar, onde se mantém o Famalicão.

Silas mudou apenas uma peça na equipa que na quinta-feira goleou o PSV (4-0) e carimbou o passaporte para os 16 avos de final da Liga Europa. Saiu Bolasie e entrou o espanhol Jesé Rodríguez para o ataque. Na baliza manteve-se o jovem Maximiano, que neste domingo se estreou na I Liga.

O Gil Vicente mostrou logo desde o início que não estava ali para estacionar autocarros e que ia lutar olhos nos olhos com o Sporting. Bem organizada, a equipa de Barcelos saía quase sempre para o ataque em transições rápidas. E foi precisamente assim que nasceu o primeiro golo, aos 18 minutos, embora com uma enorme ajuda de Ilori. O central foi fazer a dobra ao lado direito, mas perdeu infantilmente a bola. Agradeceu Sandro Lima, que trabalhou bem na área e serviu Kraev para o búlgaro abrir o marcador. Que tremendo erro de Ilori!

O Sporting não acusou o golo. Bem pelo contrário! A equipa reorganizou-se, e depois de duas boas oportunidades - um remate de Wendel às malhas laterais e uma boa defesa de Denis a um lance de Jesé - chegou ao golo mesmo nos instantes finais do primeiro tempo, com Wendel a beneficiar de um enorme frango do guarda-redes Denis, após uma assistência fenomenal de Bruno Fernandes.

A equipa de Vítor Oliveira voltou a entrar bem na segunda parte. E voltou beneficiar de um erro para se colocar novamente em vantagem. Acuña derrubou na área Baraye e, aos 55', Sandro Lima colocou os gilistas em vantagem ao converter a grande penalidade.

Silas sentiu que precisava de mexer na equipa e dar mais força ao ataque. Aos 68' lançou Bolasie para o lugar de Wendel; e aos 76', tirou Jesé e apostou em Rafael Camacho, já que uma vitória era importante para permitir aos leões ficarem a apenas um ponto do assalto ao terceiro lugar.

A parte final do jogo, já no tempo extra, ficou marcado por um episódio caricato. Um lance na área do Sporting entre Doumbia e Lourency, obrigou o árbitro Hugo Miguel a ir consultar o VAR. O juiz não assinalou penálti, mas mostrou o segundo amarelo (e consequente vermelho) ao jogador leonino.

Perante os protestos dos jogadores do Sporting, em particular do capitão Bruno Fernandes, Hugo Miguel mandou Doumbia regressar ao campo quando este já descia para os balneários. Aparentemente, a decisão foi tomada porque o VAR não pode decidir lances de cartão amarelo.

Poucos depois deste incidente caricato, o Gil Vicente chegou ao terceiro golo, por Nadji, que concluiu da melhor forma um grande lance individual.

VEJA OS GOLOS

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...