Gil derruba FC Porto. Lobo do mar engole parada militar

Um golo de um defesa, e melhor jogador: Alex Telles, de penálti. Um lobo do mar desenha Gil Vicente num guardanapo e engole (2-1) parada estéril de avançados

Dois jogos, dois golos marcados. Na Rússia, a equipa de Sérgio Conceição marcou sobre o gongo final pelo médio Sérgio Oliveira. De bola parada (livre direto), colocou-se muito perto da última etapa rumo à Champions (1-0 em Krasnodar). Arranque da Liga pelo meio. Um golo. De bola parada. Pelo melhor de todos, o defesa que melhor ataca, Alex Telles. De bola parada. Penálti.

Alex Telles disparou para o meio da baliza, como que a gritar ao desfile de avançados perdulários: é ali que se marca. Antes, Soares e Zé Luís tinham desperdiçado três grandes ocasiões de golo. Depois, ainda vieram mais três dos cinco avançados que estavam no banco (Marega, Luis Díaz e Fábio Silva, 17 anos), mas golos, nem vê-los.

Se Alex Telles foi o melhor, Marche (assim está identificado na camisola o guarda-redes Marchesin) foi o segundo. Fez duas defesas espantosas na única vez em que o Gil mostrou os dentes antes do intervalo. E que defesas.

Mas o lobo do mar Vítor Oliveira, o homem de Matosinhos, horizonte e mar (moto da cidade de onde é natural), desenhou um Gil de primeira num guardanapo. Subiu o Paços em maio, comprometeu-se com a equipa de Barcelos que jogava no Campeonato de Portugal para fazer figura na I Liga, dois degraus acima. Em dois meses.

Veio um contentor de brasileiros, mas não por atacado. Por exemplo, Lourency, ex-Chapecoense. Tem o atrevimento e o talento de que precisa uma equipa que joga a apertar os calos aos adversários. Velocidade, iniciativa e golo. E veio, logo no início, Ruben Fernandes, um experiente central que já é capitão do Gil. Os livros são conhecidos. Sabedoria e confiança no talento dos jovens. Uma estratégia - adiar as intenções do adversário para jogar sobre os nervos alheios.

E assim surgiu o 1-0. Marega recolheu uma bola sobre o meio campo, perdeu-a para João Afonso que lançou Lourency. Na área, marcou. Simples.

Depois, Rodrigo meteu a mão onde não devia. Penálti provocado por Luis Díaz (parece ter gatilho fácil, veremos como estará a pontaria). Alex Telles empatou.

Parecia ser o sinal de que uma equipa em desfile militar (demonstração de potência ofensiva) precisava para avançar sobre o resultado. Puro engano. O Gil manteve-se unido e atento às ofertas da defesa contrária.

Assim chegou o golo da vitória do lobo do mar sobre a estéril parada de artilheiros. Sete avançados utilizados, zero golos. E quem o marcou é um jovem, médio e búlgaro. Kraev recupera memórias felizes dos seus compatriotas no Portugal futebolístico dos anos 80. Quando Vítor Oliveira ganhava ao FC Porto.

Aliás, quando Vítor Oliveira tinha ganho a única vez frente ao FC Porto. Foi em novembro de 1985.

Antes disso tinha acontecido uma derrota do FC Porto no primeiro jogo do campeonato sem ser frente a um dos rivais (perdeu pela última vez em 2001/2002 com o Sporting). Frente ao Belenenses. Há 46 anos.

E Danilo na bancada. Terça-feira, o FC Porto tem de voltar à terra e gerir da melhor maneira o 1-0 conseguido na Rússia, frente ao Krasnodar, para chegar ao play-off da Liga dos Campeões. A Liga segue dentro de momentos.

Veja aqui o lance do alegado penálti.

O lance da dupla defesa de Marchesin.

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