Lay-off de 95% no Sporting reduz custos em 40%

Frederico Varandas comunicou a decisão na manhã desta quarta-feira aos trabalhadores do clube através de vídeoconferência. Medidas entram já em vigor por um período de 30 dias, o qual poderá ser prorrogado nos termos do citado regime legal.

O Sporting oficializou nesta quarta-feira o avanço para o 'lay-off' que abrange 95 por cento do universo 'leonino', esperando reduzir os custos com o pessoal em 40 por cento durante a pandemia covid-19.

"Foram adotadas medidas de suspensão temporária da prestação de trabalho e de redução do período normal de trabalho, bem como medidas de redução dos contratos com prestadores de serviços, abrangendo cerca de 95 por cento do universo dos trabalhadores dependentes e independentes", explicam os 'leões' em comunicado.

Numa nota de oito pontos enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o emblema lisboeta informa que estas deliberações "entram em vigor no dia 16 de abril, por um período de 30 dias, o qual poderá ser prorrogado nos termos do citado regime legal".

O Sporting recorda que a pandemia da covid-19 teve "grave afetação da atividade da Sporting SAD e um incontornável impacto financeiro" e sublinha o facto de a atual conjuntura se revestir de "incerteza, não só relativamente ao término da época desportiva em curso, mas igualmente no que diz respeito ao início da época 2020/21".

Referido ainda o impacto que esta crise irá ter no mercado de transferências, sublinhando que este costuma ser "uma importante fonte de receita para qualquer clube".

"Para melhor defesa da manutenção dos postos de trabalho do seu quadro de pessoal, o Sporting vai recorrer ao programa de apoio constante do Decreto-Lei n.º 10-G/2020 de 26 de março, que prevê a adoção de medidas excecionais e temporárias para assegurar a proteção e manutenção dos postos de trabalho", refere a instituição.

O Sporting lembra que as medidas adotadas de redução dos custos fixos se juntam ao corte, para metade, dos membros do conselho de administração, bem como uma diminuição em 40 por cento dos salários dos futebolistas e equipa técnica.

"A Sporting SAD estima, com base na informação disponível à data de hoje, que a implementação de tais medidas excecionais e temporárias tenha como impacto uma redução da rúbrica de custos com pessoal correspondente a cerca de 40 por cento, durante o período aplicável", resume.

Ainda não são conhecidas eventuais medidas em relação às modalidades.

A direção do Sporting já tinha chegado a um acordo com os jogadores do futebol profissional (já foi inclusivamente assinado e entrou em vigor), que aceitaram nestes meses reduzir os salários em 40% nos meses de abril, maio e junho. Também os elementos dos órgãos sociais que são remunerados, caso do presidente Frederico Varandas, aceitaram reduzir os seus honorários para metade.

O Belenenses SAD foi o primeiro clube em Portugal a avançar para o lay-off "parcial" como forma de fazer face à quebra abrupta de receitas, depois da paragem dos campeonatos no início do mês de março. Também o Desportivo de Chaves, da II Liga, decidiu avançar para este regime, conforme revelou o presidente da SAD, Francisco José Carvalho.

Em declarações ao DN, a 7 de abril, Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato de Jogadores, considerou esta decisão dos clubes de futebol "uma falta de respeito para com as empresas em grandes dificuldades de subsistência e pelos portugueses".

"A ideia é de que os clubes deixem de cumprir as suas obrigações e aproveitem os benefícios do Estado, numa altura em que receberam o mês de março por parte das operadoras de televisão, por isso considero um abuso de direito quando há empresas em maiores dificuldades do que o futebol", frisou, assumindo ser "grave" que os clubes queiram "beneficiar de uma medida de emergência". Joaquim Evangelista considera ser uma "indecência" os clubes de futebol recorrerem a uma medida do estado.

Cerca de 145 mil trabalhadores independentes em Portugal já acederam ao apoio extraordinário criado no âmbito das medidas de resposta à propagação do coronavírus. O número de trabalhadores abrangidos pela medida de lay-off simplificado, lançada pelo Governo para responder à pandemia de covid-19, abrange atualmente já mais de 930 mil trabalhadores, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, que está hoje a ser ouvida no parlamento, na sequência de um requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do PSD sobre as respostas sociais do Governo no âmbito da pandemia da doença covid-19.

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