Federação de atletismo 'convida' Semenya a correr nas provas masculinas

A atleta sul-africana perdeu o recurso em tribunal contra as novas normas de redução dos níveis de testosterona nas atletas. Caso não aceite ser sujeita a uma medicação está impedida de participar em competições femininas, mas pode fazê-lo sem restrições em qualquer evento masculino, segundo a federação internacional de atletismo.

A atleta sul-africana Caster Semenya está no meio de uma guerra com a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) e já garantiu que não se vai submeter a qualquer medicação para baixar os níveis de testosterona, conforme indicação da IAAF. Neste sentido, e em resposta a críticas da Associação Médica Mundial, a federação de atletismo revelou num comunicado que se Semenya não tomar a medicação ficará impedida de participar em provas femininas... mas poderá fazê-lo em masculinos.

"Se ela decidir não o fazer [tratamento para baixar os níveis de testosterona], não estará em condições de poder entrar nas classificações femininas de qualquer evento ou competição internacional. Em todo o caso, ela é elegível para competir nas provas masculinas, em qualquer disciplina, sem qualquer tipo de restrição", podia ler-se num comunicado da IAAF.

As novas regras sobre testosterona nas mulheres, e as imposições da IAAF, estão a levantar uma enorme discussão e mereceram recentemente duras críticas por parte da Associação Médica Mundial. "Temos sérias dúvidas sobre a validade ética desta normativa da Federação Internacional de Atletismo. Baseiam-se nas evidências de um único estudo, que atualmente está a ser debatido pela comunidade científica.

A 1 de maio, Caster Semenya viu negado pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) o seu recurso contra as regras criadas pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), para diminuir os altos níveis de testosterona em algumas mulheres.

Num julgamento histórico, a comissão de três juízes do TAS votou 2-1 e proferiu um veredicto complexo em que admitiu que as regras propostas pela IAAF para atletas com "diferenças de desenvolvimento sexual (DSD)", como é o caso de Caster Semenya, "são discriminatórias", mas "devem ser aplicadas".

Os juízes rejeitaram os dois pedidos de arbitragem de Semenya e decidiram que "com base nas provas apresentadas pelas partes, tal discriminação é um meio necessário, razoável e proporcional para atingir o objetivo da IAAF de preservar a integridade das competições desportivas.

Caster Semenya, de 28 anos, especialista em provas do meio-fundo e bicampeã olímpica nos 800 metros, ficou assim obrigada a limitar os seus níveis de testosterona, provocados por hiperandrogenismo, recorrendo a medicamentos, se quiser defender o seu título mundial em setembro, em Doha, no Qatar.

Ainda assim, o painel do TAS "encorajou fortemente" a IAAF a repensar e a ajustar a aplicação das regras, fazendo notar que "com a sua implementação e com a experiência, alguns fatores possam afetar a proporcionalidade geral dos regulamentos do DSD".

A IAAF entrou no caso com o argumento científico de que atletas do sexo feminino com altos níveis de testosterona têm uma vantagem injusta em provas dos 400 metros até aos 1.500 metros.

No entanto, os juízes do TAS querem que a IAAF aplique as regras apenas até os 800 metros, porque as evidências não são claras de que as mulheres com hiperandrogenismo têm uma vantagem competitiva nos 1.500 metros.

O painel de juízes do TAS sugeriu que a IAAF considere adiar a aplicação do regulamento DSD para esses eventos (1.500 metros) "até que mais evidências estejam disponíveis", o que deixaria a porta aberta para as atletas com excesso de testosterona competirem na milha.

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