Teoria do desperdício na derrota do FC Porto frente ao Sp. Braga

Dragões voltaram a perder no Dragão (2-1),onde os minhotos não ganhavam desde 2004-05. Equipa de Sérgio Conceição falhou duas grandes penalidades no jogo da 17.ª jornada da I Liga.

Quinze anos depois o Sp. Braga voltou a vencer no Dragão, onde o FC Porto não perdia há 13 jogos. O gesticular e ar furioso de Sérgio Conceição na palestra final do jogo exemplifica bem o que vai na alma portista depois da derrota frente a um Sp. Braga responsável, equilibrado e eficaz. Pelas imagens de televisão dá para perceber que o técnico portista diz "Cabeça erguida, isto ainda não acabou". A mensagem foi clara, apesar de todos saberem que uma vitória do Benfica no dérbi aumentaria a vantagem para sete pontos. Esta sexta-feira, os portistas podem dizer que perderam por culpa própria - desperdiçaram duas grandes penalidades - num jogo em que, apesar da superioridade no segundo tempo, não conseguiram criar grandes ocasiões de golo flagrante. Levou a melhor o treinador do II nível (Rúben Amorim), que continua em estado de graça - três jogos, três vitórias.

Sérgio Conceição queria encurtar distâncias para o líder sem olhar para o Benfica em Alvalade (esta noite) e fez várias alterações em relação ao que foi apresentado a meio da semana com o Varzim (Taça de Portugal). Ainda sem Pepe (lesionado), o treinador do FC Porto desta vez apostou em Mbemba é não em Diogo Leite para ir a jogo ao lado de Marcano. Além disso, quando se esperava que fosse Luiz Díaz a jogar no lugar do lesionado Nakajima, o titular no lado esquerdo do ataque foi Corona. Quanto a Rúben Amorim, apenas uma mudança relativamente ao jogo contra o Tondela. Murilo Souza foi rendido por Wilson Eduardo (não era titular desde a 12.ª jornada), num sistema que volta a ser de três defesas. Alguma surpresa com a não aposta em Ricardo Horta...

O jogo começou algo incaracterístico e sem que qualquer das equipas assumisse o jogo, mas o marcador funcionou cedo. Logo aos cinco minutos de jogo, Fransérgio adiantou os minhotos no Dragão. Um golo polémico. O lance foi invalidado por for a de jogo de Raúl Silva, mas depois validado por Carlos Xistra com recurso ao VAR. Sérgio Conceição nem queria acreditar, mas a verdade é que estava a perder em casa aos cinco minutos de jogo. Os dragões reagiram bem ao golo e foram atrás do empate. Aos onze minutos duas oportunidades de golos. Uma grande jogada de Manafá (passou por três adversários) colocou à prova a linha defensiva do Sp. Braga, que pode agradecer à má pontaria do luso-guineense. E logo depois Marcano acertou no ferro da baliza de Matheus.

O ritmo estava alucinante e a marcação era homem-a-homem funcionava. Os dragões tiveram de se reequilibrar defensivamente para impedir as incursões interiores de Wilson Eduardo e Trincão e jogar apoiando com recurso aos laterais. Era assim que a equipa portista levava mais perigo à baliza minhota, apesar do perigo não se traduzir em oportunidades de golo flagrantes. Só um remate enquadrado com a baliza era pouco para quem precisava ganhar o jogo e galgar terreno para o líder. O pressing portista iria intensificar-se no final da primeira parte, mas sem efeito prático.

Já depois de Trincão se deslumbrar com as facilidade portistas a meio campo e desperdiçar uma grande jogada, Corona foi à área minhota ganhar uma grande penalidade. O mexicano entrou na área e adiantou a bola, antes de sofrer um toque de Raúl Silva. Chamado à marca dos 11 metros, Alex Telles não conseguiu bater Matheus. O banco dos dragões levava as mãos à cabeça tal o desperdício a um minuto do intervalo. Do outro lado festejava-se. O Sp. Braga tinha conseguido travar o ímpeto portista e conseguir sair algumas vezes em contra-ataque.

Desde 2004-05 - época da última vitória do SP. Braga no Dragão - que os bracarenses não tinham vantagem ao intervalo em casa dos portistas. Por outro lado, há dois anos que o FC Porto não saia em desvantagem num jogo em casa na Liga. Na altura, frente ao Vit. Guimarães, a equipa portista acabou a vencer por 4-2.

O penálti ingénuo do miúdo e o golo de Paulinho

O Sp. Braga regressou do intervalo em vantagem, mas com uma novidade. Rúben Amorim tirou o amarelado Raúl Silva e meteu o jovem David Carmo. Uma estreia que deu que falar oito minutos depois quando o central da equipa B cometeu um penálti ingénuo sobre Otávio. Os dragões ganhavam assim nova oportunidade para empatar o jogo da marca dos 11 metros, mas se Alex Telles permitiu a defesa de Matheus, Soares acertou no poste. Provou-se assim, que o problema não estava no marcador...

O brasileiro redimiu-se logo depois. Num lance como ele gosta, apareceu à boca da baliza e a encostar a bola para o fundo das redes, após passe de Marega. O árbitro ainda duvidou da posição legal do maliano, mas o VAR ajudou-o na missão e Xistra validou o empate.

O golo empolgou as bancadas despidas (apenas 20 mil adeptos) por culpa de um jogo a uma sexta-feira, que puxaram pela equipa na busca pelo segundo golo. Os portista passaram a pressionar mais em cima e desde a saída da bola dos pés do guarda-redes minhoto. Sérgio Conceição parecia gostar dos movimentos e demorava a mexer na equipa. Só um novo golo minhoto fez o técnico portista recorrer ao banco (Luis Díaz no lugar de Uribe).

E foi numa altura de domínio absoluto do FC Porto, que o Sp. Braga chegou ao 2-1 num lance de bola parada. O cinismo minhoto veio ao de cima num lance em que Paulinho ganhou de cabeça a Alex Telles e fez a bola passar por cima de Marchesín. A defensiva portista ficou mal na fotografia...

Com o tempo a passar, menos tempo para reduzir a desvantagem e já com Aboubakar em campo, o FC Porto tentou ser mais cerebral e menos efusivo, mas faltou-lhe o discernimento e alguém que pegasse no jogo. A última substituição também não surtiu efeito (Sérgio Conceição ouviu assobios quando aos 90 minutos meteu Sérgio Oliveira e tirou Danilo aos 90 minutos). O árbitro ainda deu sete minutos de compensação, mas já não houve tempo para inverter o cenário da vitória bracarense. E assim, quinze anos depois o Sp. Braga voltou a vencer no Dragão, algo que já não acontecia desde a época 2004-05.

VEJA OS GOLOS

FIGURA

Fransérgio

Grande jogo de Fransérgio. O camisola 27 do Sp. Braga encheu o campo. Jogou e fez jogar de início ao fim. Acabou o jogo a dar uma ajuda defensiva, depois de adiantar a equipa no marcador logo aos cinco minutos. Além de mostrar qualidade do passe, foi responsável pela ligação do jogo da equipa, soube atrair o adversário para libertar as alas para Sequeira e Ricardo Esgaio. O melhor em campo.

FICHA DE JOGO

Jogo no Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto - Sp. Braga, 1-2.

Marcadores: 0-1, Fransérgio, 05 minutos; 1-1, Soares, 58';1-2, Paulinho, 75'

Equipas:

FC Porto: Marchesín, Manafá, Mbemba, Marcano, Alex Telles, Danilo (Sérgio Oliveira, 90+1), Uribe (Luis Díaz, 76), Otávio, Corona, Soares e Marega (Aboubakar, 78).

Treinador: Sérgio Conceição.

Sp. Braga: Matheus, Tormena, Raul Silva (David Carmo, 46), Bruno Viana, Ricardo Esgaio, Fransérgio, Palhinha, Sequeira, Trincão (Galeno, 61), Paulinho e Wilson Eduardo (Ricardo Horta, 53).

Treinador: Rúben Amorim.

Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Fransérgio (06), Alex Telles (09), Raúl Silva (43), Ricardo Esgaio (65), Ricardo Horta (65), João Palhinha (68), Otávio (69), Soares (73), Marega (77), Marcano (82) e Matheus (83).

Assistência: 35.611 espetadores.

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