Falcioni: "Pertenço a um grupo de risco, já tive cancro e obrigam-me a trabalhar"

O treinador do Banfield tem 63 anos e mostrou-se contra a continuidade do campeonato argentino perante a epidemia mundial de coronavírus.

Júlio César Falcioni, treinador do Banfield, é contra a continuidade do campeonato de futebol da Argentina, país que já tem 56 casos de coronavírus."Sou uma pessoa de risco. Tive pneumonia, cancro, fiz quimioterapia... Na sexta-feira, tive de trabalhar da mesma forma. Jogámos [na sexta-feira] porque disseram-nos para o fazer ou perdíamos pontos. É preciso reunir com os jogadores e não com os dirigentes. Tenho que trabalhar, estar ao lado das pessoas que me acompanham, os jogadores. Estamos programados para voltar aos treinos amanhã de manhã. Tudo vai depender dos jogadores", disse o técnico argentino ao jornal Olé, preocupado com a propagação do vírus.

De todas as ligas de futebol, a liga argentina é das únicas que decidiu continuar com a competição, mesmo depois de o governo ter tomado medidas para evitar a propagação da pandemia do covid-19. Por isso, Falcioni, de 63 anos, continua a treinar a equipa do clube argentino, embora o médico do clube o tenha aconselhado a não treinar. "Hoje tive de trabalhar e estar ao lado dos jogadores. O médico disse-me que não deveria estar a treinar, mas cá estou. Amanhã teremos de treinar outra vez. Não vi nem ouvi nada sobre isto por parte do secretário técnico dos treinadores", revelou.

O técnico do clube argentino revelou que recebeu um aviso sobre as possíveis sanções, caso não jogassem: "Tivemos um dos momentos mais difíceis. Até ao último momento, o jogo estava em dúvida. Quando recebemos a notificação de que seríamos penalizados com a perda de pontos...não tivemos outra opção. Se não jogássemos, iríamos comprometer a estabilidade do clube, em termos de remoção de pontos e do que poderia acontecer. Não podia responsabilizar-me por isso, com todas as pessoas que trabalham no clube."

"Em cada treino, há cerca de 50 pessoas num balneário, entre jogadores, adereços, médicos, técnicos. Estamos todos expostos. Vamos esperar que algo aconteça com um jogador para dizerem que vão suspender tudo. Há 40 famílias que precisam de ser mantidas, estamos todos em comunicação e a compartilhar as coisas permanentemente. Era preferível esperar um pouco mais", disse Falcioni, garantindo que continuará a treinar: "Eu não devo ir. Eu sei, mas estou à frente desta equipa técnica..."

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