Estrelas do futebol e escândalos sexuais. Acusações acabam quase sempre sem condenações

O brasileiro Neymar, do PSG, é o mais recente caso de um futebolista acusado de violação. Cristiano Ronaldo viu recentemente o seu nome envolvido numa situação, tal como Benzema, Ribéry, Robinho, Van Persie, entre outros. Em Inglaterra, Adam Johnson cumpriu três anos de prisão por aliciamento de uma menor.

Neymar é o mais recente caso de uma grande estrela do futebol mundial a ser alvo de uma acusação de violação. Nos últimos anos são muitos os episódios de alegados abusos sexuais cometidos por futebolistas. Um dos mais recentes teve Cristiano Ronaldo como protagonista, com o capitão da seleção portuguesa a ser acusado de violação por uma norte-americana, numa situação que remonta a 2009, em Las Vegas, e que até implicou documentos libertados pelo Football Leaks. Na grande maioria das vezes os futebolistas são ilibados, ou por falta de provas, ou por desistência das queixas, ou até mesmo através de acordos. Mas também há quem tenha sido condenado.

Neymar é acusado de ter violado uma mulher em Paris. A situação aconteceu a 15 de maio, num hotel da capital francesa, onde Neymar representa o Paris Saint-Germain. A alegada vítima apresentou queixa na sexta-feira, em São Paulo, no Brasil. A mulher diz que conheceu o craque brasileiro através de mensagens na rede social Instagram e que um representante do jogador lhe comprou os bilhetes de avião e pagou um quarto de hotel em Paris.

O futebolista, entretanto, reagiu neste domingo à acusação, publicando nas redes sociais as mensagens privadas trocadas com a mulher, com o objetivo de demonstrar que está a ser alvo de uma cilada. "Foi uma armadilha e acabei por cair. A partir de agora vou expor toda a conversação que tive com a rapariga, todos os nossos momentos, que são íntimos, mas é necessário expô-los para provar que realmente não aconteceu nada de mais", disse através de um vídeo.

Outro caso recente envolveu Cristiano Ronaldo. Em setembro do ano passado, Kathryn Mayorga, uma norte-americana de 34 anos, acusou CR7 de a ter violado em Las Vegas, em 2009. Isto depois de a plataforma Football Leaks ter denunciado o caso um ano antes, com base em documentos.

Numa entrevista à Der Spiegel, no ano passado, Mayorga afirmou que Ronaldo a obrigou a praticar sexo anal sem o seu consentimento, alegando que o jogador lhe pagou posteriormente 322 mil euros pelo seu silêncio. O advogado de Mayorga questionou o acordo feito entre os dois fora dos tribunais e apresentou uma ação judicial num tribunal no estado de Nevada para impugnar o que Cristiano Ronaldo terá acordado com a norte-americana.

Em outubro de 2018, já depois de os seus advogados terem desmentido tudo, Ronaldo reagiu pela primeira vez ao assunto. "Considero a violação um crime abjeto, contrário a tudo aquilo que sou e em que acredito. Não vou alimentar o espetáculo mediático montado por quem se quer promover à minha custa. Aguardarei com tranquilidade o resultado de quaisquer investigações e processos, pois nada me pesa na consciência", escreveu nas redes sociais. O caso ainda está a ser investigado, mas um porta-voz da polícia de Las Vegas disse no ano passado que "Ronaldo não está acusado de nenhum crime".

O avançado português, que atualmente representa a Juventus, já antes tinha estado envolvido em dois casos de abuso sexual, de acordo com a defesa de Mayorga. Segundo o jornal The Sun, uma dessas situações aconteceu em Londres, em 2005, quando o craque representava o Manchester United. O caso foi arquivado por falta de provas.

De Gea, Benzema e Ribéry ilibados, Robinho condenado

Outra situação de alegados crimes sexuais envolveu dois jogadores espanhóis, o guarda-redes De Gea e o avançado Iker Muniain. A polémica rebentou precisamente no dia em que começou o Campeonato da Europa de França (De Gea estava ao serviço da equipa espanhola), prova que acabou por ser ganha por Portugal, que bateu na final a França, e na qual a Espanha caiu nos oitavos-de-final.

Uma mulher, que estava integrada num programa de proteção de testemunhas num caso contra um empresário da indústria pornográfica, acusou o guarda-redes De Gea, do Manchester United, e o avançado Iker Muniain, do Athletic de Bilbau, de terem estado envolvidos num caso de abuso sexual em 2012, numa festa realizada num hotel de cinco estrelas.

Os nomes dos dois futebolistas internacionais espanhóis foram na altura citados pelo portal El Diário, em Espanha, que publicou excertos da investigação ao empresário Ignácio Fernández Allende, conhecido como Torbe, preso desde abril de 2015, sob acusação de tráfico de humanos para exploração sexual, pornografia infantil, lavagem de dinheiro e outros crimes. Dois meses depois, em agosto, Muniain e De Gea foram declarados inocentes.

Franck Ribéry e Karim Benzema, internacionais franceses, também viram os seus nomes envolvidos num escândalo de cariz sexual, neste caso por terem pago a uma prostituta menor de idade. O caso remonta a 2010, quando ambos foram indiciados por um juiz de instrução, por alegadamente terem "solicitado os serviços de uma prostituta menor de idade".

Os dois internacionais franceses eram suspeitos de terem mantido relações sexuais com uma jovem prostituta, com 16 anos na altura dos factos, de nome Zahia D., no âmbito de uma investigação policial sobre alegado proxenetismo num bar da zona dos Campos Elísios, o Zaman Café. Ribéry admitiu ter pago 700 euros em abril de 2009 para ter relações sexuais com Zahia, mas afirmou que desconhecia que esta era menor de idade. Benzema negou sempre os factos que lhe eram imputados

O caso foi a julgamento e, em janeiro de 2014, os dois jogadores foram absolvidos, com o tribunal de Paris a entender que não existiam provas suficientes para condenar os dois jogadores.

Em novembro de 2017, o brasileiro Robinho foi condenado a nove anos de prisão em Itália por um alegado crime de violência sexual. O caso remontava a janeiro de 2013, quando o jogador ainda representava o AC Milan e terá conhecido uma jovem albanesa durante um jantar, que meses mais tarde fez uma queixa de que teria sido alvo de uma violação por parte de um grupo de cinco homens, no qual se incluía o jogador brasileiro.

Robinho tinha sido chamado a depor em 2014 sobre este caso. O Ministério Público italiano chegou a pedir a prisão preventiva do brasileiro, mas a juíza rejeitou o pedido por considerar não existir risco de reincidência, fuga ou destruição de provas. Na sequência das notícias que foram publicadas na altura, o jogador emitiu um comunicado a negar tudo e a garantir que não teve qualquer participação no caso.

Apesar da condenação por parte do tribunal de Milão, o sistema de justiça italiano permite vários níveis de recurso, por isso o veredicto ficou em standby até o processo ser concluído. E até hoje nenhuma condenação foi aplicada. Robinho representa atualmente o Basaksehir, da Turquia.

Van Persie 14 dias detido, Johnson com pena grave

Em junho de 2005, uma semana depois de se ter estreado pela seleção holandesa, o avançado Robin van Persie foi preso, por suspeita de violação. A detenção aconteceu quando o jogador se encontrava em Roterdão, na Holanda, numa altura em que representava os ingleses do Arsenal e tinha 21 anos.

Na altura, a imprensa holandesa adiantou que Sandra, uma stripper nigeriana, acusou Van Persie de a ter violado num quarto de hotel de Roterdão. A imprensa local revelava ainda que a procuradoria estaria a comparar o ADN dos implicados com amostras recolhidas no quarto onde terá sido cometida a violação.

Van Persie ficou detido durante 14 dias, uma decisão na altura justificada pela "credibilidade da denúncia e para salvaguardar os interesses da investigação". Tal como a maioria dos casos envolvendo jogadores de futebol, o processo acabou por ser arquivado por falta de provas, apesar de Van Persie ter admitido relações sexuais com Sandra, mas de forma consentida. O avançado holandês, atualmente com 35 anos, disse adeus ao futebol recentemente, ao serviço do Feyenoord, da Holanda.

Adam Johnson, jogador britânico que chegou a vestir a camisola da seleção inglesa em 12 ocasiões, foi condenado a seis anos de prisão em março de 2016 por assédio sexual a uma menor de 15 anos.

Como consequência deste escândalo, e mesmo antes da decisão, o futebolista foi despedido pelo Sunderland, o clube que representava. Além disso, segundo o advogado do jogador, a federação inglesa retirou-lhe a insígnias referentes às doze internacionalizações.

Johnson, na altura com 28 anos, admitiu ter beijado a menor e tê-la assediado através da internet, mas negou sempre ter mantido relações sexuais com a rapariga. O tribunal ilibou o jogador em relação à mais grave das acusações de atividade sexual com a menor, mas considerou-o culpado por aliciamento. Em março deste, Adam Johnson saiu em liberdade após ter cumprido metade da pena.

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