Em tempo de elogios, Bernardo Silva vai em busca do oitavo título

Depois de um 6-0 no último encontro, Manchester City e Chelsea decidem a Taça da Liga. Adorado e elogiado por Guardiola, "a maior estrela" do futebol português terá pela frente uma equipa ferida e com Sarri muito questionado

Bernardo Silva pode este domingo conquistar o oitavo troféu da carreira e repetir, pela primeira vez, a vitória numa prova, caso o Manchester City leve a melhor sobre o Chelsea, em Wembley, na final da Taça da Liga de Inglaterra. Aos 24 anos, a "maior estrela" do futebol português, palavras de Pep Guardiola, vive um período fulgurante, que não só lhe tem valido palavras bastante simpáticas do seu treinador, como elogios dos adeptos e da imprensa.

Depois de 53 jogos e nove golos na época passada, a primeira em Manchester, em que conquistou a Premier League e a Taça da Liga, o português conseguiu, ainda com muito para jogar desta temporada, elevar o seu nível, tornando-se uma peça ainda mais importante da máquina de Guardiola. Na presente temporada, que arrancou com a conquista da Supertaça inglesa, Bernardo Silva está já perto de igualar o número de golos do primeiro ano em terras inglesas, tem oito, tendo disputado 35 partidas.

Hoje, sendo pouco expectável que não jogue de início, o médio da seleção nacional tentará acrescentar mais uma medalha à sua sala de troféus, que começou a ser preenchida nos primeiros tempos da sua carreira profissional. Pouco utilizado na equipa principal do Benfica, onde fez a formação, os três jogos na época 2013/2014 foram suficientes para ser campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal e da Taça da Liga.

Saiu na temporada seguinte para o Mónaco, onde mostrou pela primeira vez, de forma regular, a sua qualidade a um público mais vasto. Esteve em França durante três anos e foi peça-chave da equipa monegasca que Leonardo Jardim conduziu ao título francês em 2016/2017, batendo o poderoso Paris Saint-Germain. Nesse verão, o Manchester City fez a vontade a Guardiola, e gastou 50 milhões de euros na sua contratação.

E o treinador espanhol não se tem acanhado nas palavras que usa para descrever o português, que pode jogar "em três ou quatro posições". "Ele sabe quando não joga bem, mas tem quase sempre nota oito ou nove. Não é possível jogar bem a cada três dias ao mais alto nível mas ele corre e corre. Esta época, talvez seja o primeiro ou segundo melhor dos jogadores da Premier League", afirmou Guardiola.

"Tenho sorte em tê-lo nas minhas mãos. Ele aproveita cada treino e cada jogo. Portugal tem sorte em tê-lo e o selecionador vai usá-lo em todos os jogos. Adoro-o, é tão simples como isso", frisou o treinador do City, que definiu Bernardo Silva como "a maior estrela" de Portugal. "É uma pessoa amável. Adoro trabalhar com ele, tem sempre um grande sorriso. É o mais amado do balneário e tem tudo, é um dos jogadores mais talentosos que eu já vi", garantiu.

E alguns números acabam por ajudar a compreender as frases de Guardiola, justificando ao mesmo tempo a sua aposta no português. Na Premier League, Bernardo Silva tem 2075 minutos, ficando apenas atrás de Fernandinho, que tem 2173. O brasileiro é, sem surpresa, o jogador com mais desarmes, 52, mas Bernardo tem 35, contra, por exemplo, os 19 de David Silva, colega e concorrência para o meio-campo. Continuando a comparação entre o português e o espanhol, Bernardo Silva tem 47 chances criadas, a apenas duas do experiente médio. Em distância, Bernardo, que tem três golos em 33 jogos pela seleção, já correu 281,9 quilómetros, à frente de Fernandinho, com 259,8.

Depois do 6-0, o "sortudo" Guardiola reencontra o pressionado Sarri

Maurizio Sarri, treinador italiano de 60 anos, vive tempos complicados no Chelsea. A contestação já invadiu as bancadas de Stamford Bridge e os resultados não têm ajudado. Nos últimos dez jogos os londrinos sofreram quatro derrotas, mas todas relevantes. A meio de janeiro o Chelsea perdeu 2-0 no dérbi londrino com o Arsenal, em casa do adversário que é um adversário direto na luta pelos quatro primeiros lugares do campeonato. No fim do mês passado uma goleada (4-0) sofrida no terreno do Bournemouth, também para a Premier League, não passou despercebida, assim como a última derrota, 2-0 na receção ao Manchester United, que ditou a saída da Taça de Inglaterra.

Antes da eliminação da taça, surgiu a derrota mais estrondosa. Fora de casa, o Chelsea perdeu precisamente frente ao Manchester City, por estrondosos 6-0. O desaire é claro e pode eliminar memórias recentes, mas também é verdade que foi a equipa de Sarri que, à 16.ª jornada do campeonato, impôs a primeira derrota ao campeão Manchester City, na altura por 2-0.

Com o cerco a apertar-se, o italiano tentou trazer um pouco de contexto à discussão: "Estamos a um ponto dos quatro primeiros lugares, como o Arsenal, e diz-se que o Arsenal está bem. Nós estamos um pouco melhores porque estamos na final, mas mesmo assim a nossa época é um desastre. Não percebo. É preciso recordar que, na última temporada, esta equipa fez 70 pontos e não 100. E então, no verão, mudámos tudo, e assim há outro problema por resolver. Não é fácil".

Sarri ganhou 28 dos seus primeiros 43 jogos em Inglaterra e, tendo em conta o mesmo número de desafios, ganhou mais um que... Guardiola. Na altura, foi dado apoio e tempo ao espanhol, algo que parece não acontecer com o italiano, que fala em sorte do treinador do Manchester City. Então, porque é que Sarri está a ser associado à porta de saída? "Não sei, é preciso perguntar ao clube, perguntar a Manchester City e Chelsea. Mas não sei se estou pressionado pelo clube ou por vocês [jornalistas]", respondeu Sarri, acrescentando que Guardiola foi "sortudo" durante esses primeiros tempos.

E continuou: "Não sei de momento. Acho que, ao escolher Guardiola, é preciso esperar porque o clube sabe muito bem que Guardiola precisa de tempo. Não é fácil uma equipa inglesa jogar assim, portanto é normal".

Do lado do Manchester City a história é bastante diferente. O atual campeão inglês chegou a estar a sete pontos do líder Liverpool, mas já pisa os calcanhares à equipa de Klopp. Os citizens chegaram a estar a sete pontos mas podem entrar na final da Taça da Liga numa liderança partilhada. A equipa de Guardiola tem 65 pontos, os mesmos do Liverpool, que tem menos um jogo, vai a campo também hoje, mas para o campeonato, em Old Trafford, frente ao eterno rival Manchester United.

Depois de duas derrotas em quatro dias para o campeonato na altura do Natal, com Crystal Palace e Leicester, o Manchester City somou 13 vitórias em 14 jogos, perdendo apenas em Newcastle para o campeonato. Para Guardiola, a equipa tem de "aproveitar, competir, melhorar e tentar ganhar" a final da Taça da Liga.

"Claro que não é o título mais importante da época, mas já que estamos em Wembley, num estádio mítico, contra uma grande equipa como o Chelsea, estamos preparados para ganhar. É importante", referiu o espanhol, que acrescentou ainda um pormenor curioso: "Na altura fiquei muito feliz por ganhar 6-0 ao Chelsea, mas agora preferia que não tivesse acontecido. Não gosto de jogar num curto período de tempo com uma equipa contra a qual ganhámos. Não gosto muito".

E tal como Sarri, Guardiola também comentou a história de ambos ao chegarem a Inglaterra, afirmando que são "situações diferentes". "No meu primeiro ano, o clube nunca duvidou de mim. Nunca a imprensa disse que ia ser despedido se perdesse este ou aquele jogo, nunca aconteceu. Fiquei surpreendido quando Conte venceu o título e depois eles perderam um ou dois jogos no início da época e começaram a dizer que ele ia ser despedido. A situação é diferente. A minha opinião sobre Sarri é que a sua equipa tem sempre um nível muito alto", explicou o espanhol.

Hoje, pelas 16:30, Manchester City, vencedor em título, e Chelsea, ambos com cinco Taças da Liga conquistadas, entram em campo para decidir a edição desta temporada, no Estádio de Wembley.

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