Dragão resolveu muitos problemas só com uma bomba

O FC Porto chegou ao dérbi do Bessa com o Boavista após uma derrota europeia, sem Pepe (lesionado) e a remoer os problemas disciplinares causados pela noitada de Marchesín, Saravia, Uribe e Luis Díaz. O cenário era complicado, mas Alex Telles tratou de simplificar com um golaço e depois foi só controlar um inofensivo adversário.

Foi na raça e com muita consistência que o FC Porto venceu o dérbi com o Boavista, no Estádio do Bessa, por 1-0. Valeu um grande golo de Alex Telles logo aos nove minutos a desbloquear o resultado, permitindo à equipa de Sérgio Conceição tranquilizar-se para o resto da partida, depois de uma semana muito complicada devido à derrota na Escócia, com o Rangers, à lesão de Pepe e aos problemas disciplinares, que originaram os castigos a Marchesín, Saravia, Uribe e Luis Díaz, que foram afastados desta partida devido a uma noitada.

Eram muitos problemas para o treinador do FC Porto gerir antes de uma partida que se previa muito competitiva e dura, como é tradição destes dérbis com o vizinho Boavista. Se em relação ao jogo da Liga Europa já nada havia a fazer, Sérgio Conceição lançou uma equipa de combate, destacando-se a estreia de Loum a titular ao lado de Danilo a meio-campo.

Mas face às muitas ausências teve ainda de promover a estreia do guarda-redes Diogo Costa na Liga, mudou Mbemba para o eixo da defesa para render Pepe, e na frente lançou o jovem Fábio Silva (estreia a titular no campeonato) e Marega, que estava afastado da equipa há um mês e meio.

O Boavista tinha uma estratégia bem definida, aliás tradicionalmente utilizada por Lito Vidigal nos jogos com os candidatos ao título: procurou fechar bem os caminhos para a baliza para que pudesse em rápidas transições chegar à baliza contrária, tentando desta vez explorar as costas dos laterais portistas através de velocidade de Mateus e Heriberto Tavares.

A bomba de Alex Telles

Só que tudo aquilo que os axadrezados prepararam para o dérbi foi destruído quando logo aos nove minutos, na sequência de um canto, a defesa do Boavista afastou a bola para a entrada da área, onde estava Alex Telles. O brasileiro encheu-se de fé e rematou de primeira para um grande golo.

Estava desbloqueado o resultado para os dragões, que a partir daquele momento ficaram confortáveis no jogo, uma vez que o adversário teria de assumir uma estratégia diferente para ir à procura do empate, o que inevitavelmente deixaria espaços para Marega e companhia aproveitarem.

E a realidade é que o Boavista revelou-se incapaz de criar embaraços ao adversário, até porque o FC Porto controlava bem a posse de bola, apesar de aos poucos o jogo se tornar cada vez mais combativo. Marcano ainda desperdiçou o segundo golo, também na sequência de um canto... aliás, esta foi a forma que permitiu à equipa de Sérgio Conceição criar lances de perigo.

O Boavista respondeu aos 27 minutos, na mesma moeda, quando Ricardo Costa desperdiçou a única grande oportunidade da sua equipa, quando surgiu ao segundo poste a desviar para fora um canto cobrado na direita, que pelo meio teve um desvio de Rafael Costa.

O intervalo chegou com apenas um remate enquadrado com baliza realizado pelas duas equipas e que resultou no golo de Alex Telles que fazia toda a diferença.

Zé Luis contra o poste

No segundo tempo, acentuou-se o controlo por parte do FC Porto numa espécie de jogo sem balizas, que apenas foi quebrado quando Loum cabeceou ao lado (outra vez na sequência de um canto). O primeiro e único remate enquadrado acabou por surgir aos 74 minutos, por Stojiljkovic, mas foi tão fraco que mais pareceu um passe para Diogo Costa.

Sem a vitória em perigo, acabou por ser Zé Luís a ter a única grande oportunidade para marcar, além do golo de Alex Telles. Só que o avançado do FC Porto, depois de passar por dois defesas rematou ao poste e perdeu a possibilidade de voltar aos golos, algo que não consegue desde 22 de setembro, frente ao Santa Clara.

O grande golo que marcou, cheio de inspiração, valeu a conquista dos três pontos para o FC Porto. Contudo, o defesa-esquerdo brasileiro complementou esse momento com uma exibição segura em termos defensivos, não se deixando atemorizar com a velocidade de Heriberto Tavares. Além disso, foi dos seus pés que nasceram os principais lances de perigo da equipa, na cobrança de bolas paradas.

Veja os melhores momentos da partida:

Eis as equipas:

Estádio do Bessa, no Porto
Árbitro: Nuno Almeida (Algarve)

Boavista - Rafael Bracali; Fabiano Leisman, Gustavo Dulanto, Ricardo Costa, Neris, Marlon; Yaw Ackah, Rafael Costa; Heriberto Tavares (Yusupha Njié, 69'), Stojiljkovic (Cassiano, 87'), Mateus (Paulinho, 76')
Treinador: Lito Vidigal

FC Porto - Diogo Costa; Wilson Manafá (Nakajima, 78'), Mbemba, Marcano, Alex Telles; Otávio, Danilo Pereira, Loum, Jesús Corona; Marega (Diogo Leite, 90'+1), Fábio Silva (Zé Luís, 76')
Treinador: Sérgio Conceição

Cartão amarelo a Marcano (44'), Fabiano Leisman (55'), Gustavo Dulanto (70'), Marlon (88')

Golo: 0-1, Alex Telles (9')

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