Djokovic vs. Nadal. Uma história com 52 capítulos que dura há 13 anos

O Open da Austrália recebe este domingo na final o 53.ª duelo entre os dois primeiros do ranking mundial. Uma batalha equilibrada em que o sérvio tem mais vitórias no total de jogos e o espanhol mais triunfos em finais de Grand Slams.

Novak Djokovic e Rafael Nadal disputam este domingo, a partir das 8.30 portuguesas, a final do Open da Austrália. Frente a frente o número 1 mundial contra o número 2, na decisão do primeiro Grand Slam do ano. Uma história já com 52 capítulos, que se joga desde 2006, e que se tem pautado pelo equilíbrio nos confrontos, apesar de uma ligeira vantagem do tenista sérvio, que venceu 27 dos 25 jogos contra o espanhol.

O último duelo entre os dois tenistas aconteceu no ano passado, nas meias-finais de Wimbledon, com vitória de Djokovic, que em piso rápido tem vantagem sobre o espanhol no historial de confrontos - 18-7. Nesta superfície, o último triunfo de Nadal sobre Djokovic remonta a 2013, quando se impôs na final do Open dos Estados Unidos.

Este não é um duelo inédito no Open da Austrália. Em 2012, Rafa Nadal e Novak Djokovic mediram forças na final do torneio, com o triunfo do tenista balcânico num jogo que só foi decidido após quase seis horas de disputa, mais concretamente 5.53 horas - 5/7 6/4 6/2 6/7(5) 7/5. Foi a final de um Grand Slam mais longa de sempre da era Open, superando a decisão entre Mats Wilander e Ivan Lendl, na final do Open dos Estados Unidos de 1988, e é considerado ainda hoje um dos melhores jogos de sempre.

Apesar de o sérvio ter vantagem em relação ao espanhol no confronto direto, em termos de finais de Grand Slam a história é diferente, com Nadal a sair vencedor em quatro das sete finais que disputaram - Roland Garros 2014 e 2012 e no US Open 2013 e 2010.

Juntamente com Roger Federer, Nadal e Djokovic têm dominado o ténis mundial nas últimas décadas, algo que fica perfeitamente percetível na estatística dos Grand Slam: nos últimos 63 torneios, este trio conquistou 52.

"É o meu maior rival em toda a carreira. Já jogámos tantos jogos... alguns deles épicos, como aquela final do Open da Austrália em 2012 que durou quase seis horas. Espero que desta vez seja resolvido antes. Vou querer comprar um bilhete para este jogo", brincou o tenista sérvio, depois de ter despachado nas meias-finais o francês Lucas Pouille pelos parciais de 6-0, 6-2 e 6-2, em uma hora e 23 minutos.

"Jogar contra o Nadal requer um foco tático diferente. Com ele não pretendo alargar muito os pontos. Acho que os meus primeiros golpes estão a sair-me bem neste torneio e estou a sentir-me cómodo neste piso", acrescentou o tenista sérvio, elogiando o adversário: "Ele está a melhorar o serviço e reparei uma pequena alteração nos movimentos. Com todas as qualidades que possui, e com estas melhorias, torna-se um rival ainda mais difícil de vencer. Contra ele é preciso estar 100% alerta. Fisicamente estamos bem e quem tiver melhor mentalmente pode sair vencedor."

O jogo deste domingo vai ainda permitir ao vencedor quebrar recordes. Caso Djokovic vença a final de Melbourne, passa a ser o tenista da história com mais Open da Austrália conquistados: sete, superando as marcas de Roy Emerson e Roger Federer. Se Rafa Nadal sair vencedor torna-se no da Era Open a vencer pelo menos duas vezes cada um dos quatro Grand Slam - tem 11 títulos de Roland Garros, dois de Wimbledon, três Open dos Estados Unidos e um da Austrália.

Na era Open, ou seja, desde 1968, o jogo entre Nadal e Djokovic foi o que mais vezes foi disputado : 52, que vão passar a 53 este domingo. Logo a seguir surgem os duelos entre o sérvio e Roger Federer (45) e Federer contra Nadal (38). Djokovic aparece também na quinta posição dos duelos mais repetidos, já que enfrentou Andy Murray em 36 ocasiões, apenas um a menos que o confronto entre John McEnroe e Ivan Lendl.

As carreiras

Novak Djokovic nasceu na cidade de Belgrado, hoje Sérvia e na altura Jugoslávia, a 22 de maio de 1987. E parte da sua infância foi vivida em plena guerra dos bálcãs - "a guerra é algo que não desejo a ninguém, é destruição, é perder famílias e pessoas queridas". Começou a jogar ténis aos quatro anos e como tinha jeito para o desporto, com 12 começou a treinar na escola de Niki Pilic em Munique, na Alemanha, onde permaneceu até aos catorze.

A paixão da família pelo desporto - o pai, um tio e uma tia foram esquiadores profissionais e pai foi também jogador de futebol - teve influência na escolha da carreira como tenista. "O ténis foi uma bênção na minha vida, deu-me muitas coisas positivas. O meu amor pelo desporto é muito grande e, de certo modo, o ténis salvou-me a vida. Tive muita sorte em ter um pai e uma mãe que acreditaram nas minhas habilidades", disse há uns anos Djokovic, que se estreou como profissional aos 16 anos. No total tem 72 títulos conquistados e 14 foram Grand Slams. A primeira vez que chegou a número um mundial foi a 4 de julho de 2011.

Rafael Nadal nasceu em Manacor, nas Ilhas Baleares, em Espanha, a 3 de junho de 1986. É sobrinho de Miguel Ángel Nadal, antigo defesa central do Barcelona e da seleção espanhola. Começou a praticar ténis aos três anos, aos cinco começou mais a sério e aos 12 já se exibia em torneios com títulos conquistados. Aos 16 já era um jogador de referência do ATP, integrando o top 50.

A 15 de agosto de 2004 conquistou o primeiro de uma longa série de títulos no circuito internacional, ao vencer o ATP 250 de Sopot, na Polónia, derrotando o experiente argentino José Acasuso, por 6-3 e 6-4. Tinha 18 anos e acabara de se tornar na altura o mais jovem campeão de um ATP desde o australiano Lleyton Hewitt, em 1999.

Canhoto, Rafael Nadal é especialista em piso de terra batida, não estranha por isso que já tenha ganho 11 vezes o torneio francês de Roland Garros. No total, o tenista espanhol tem um total de 80 títulos e 17 foram Grand Slams. A primeira vez que chegou a número 1 mundial foi a 18 de agosto de 2008, destronando Roger Federer, que estava na liderança há 237 semanas.

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