FC Porto marca passo com empate que também sabe a pouco ao Rangers

Escoceses já não vivem tempos áureos, mas assinaram exibição personalizada e podiam ter saído do Dragão com os três pontos. Luís Díaz abriu o ativo numa das raras oportunidades de que o FC Porto dispôs

O Glasgow Rangers está arredado da conquista de qualquer troféu há oito épocas e passou os últimos anos a procurar reerguer-se desde que uma grave crise financeira que o obrigou a recomeçar do zero em 2012, na quarta divisão escocesa. Porém, a faceta demonstrada pela equipa de Glasgow no Dragão não foi a do clube que procura reconquistar o seu espaço a nível nacional e internacional com passos pequenos e seguros, mas sim a do histórico clube que é ainda o recordista mundial de títulos nacionais (54) e que foi o primeiro clube britânico a atingir uma final europeia, a Taça das Taças de 1961.

Agora orientado por Steven Gerrard, o Rangers apresentou-se na Invicta com um plano de jogo muito bem definido, com o atacante Barker a marcar Danilo, privando o FC Porto de construir através do internacional português, como tanto gosta. Bloqueando o médio e congestionando a zona central, os escoceses obrigaram os dragões a jogar pelos corredores laterais, meros locais de passagem, pois é no meio que se encontram as balizas. Depois, sempre que recuperavam a bola, os britânicos tentavam progredir rapidamente, em contra-ataques venenosos.

Mesmo tendo a iniciativa do jogo e sendo tecnicamente muito superior ao adversário, o FC Porto mostrava-se capaz de criar perigo somente quando aproveitava uma execução técnica menos conseguida dos escoceses para os apanhar em contrapé. Foi assim que os homens de Sérgio Conceição chegaram ao golo, aos 38 minutos: mau passe de Ryan Jack junto à área do Rangers e remate fantástico de Luís Díaz que só parou no ângulo superior da baliza de McGregor, veterano guarda-redes de 37 anos com nome de lutador de MMA.

Cinco minutos antes, Zé Luís tinha cabeceado ao poste num lance improvável, uma vez que era o único jogador portista na área perante a oposição de uma mão cheia de defesas adversários. No fundo, um espelho da superioridade individual do FC Porto perante uma equipa que coletivamente foi superior no jogo desta quinta-feira.

Pensava-se que o mais difícil já estava feito para a equipa portuguesa, mas o Rangers manteve a estratégia apesar da desvantagem e colheu frutos. Também depois de um primeiro aviso com um cabeceamento à trave, por Morelos (40'), o mesmo jogador empatou o jogo após cruzamento do lateral Barisic a partir da esquerda, na sequência de um lance de contra-ataque (44'). Em sete minutos, dois golos colombianos no Dragão, algo que certamente terá provocado um sorriso no rosto a Carlos Queiroz, atual selecionador cafetero.

Para a segunda parte o Rangers transportou o plano de jogo da primeira, mas acrescentou-lhe mais vontade em esconder a bola dos jogadores do FC Porto e explorar a autêntica autoestrada em que se tornou o corredor direito dos azuis e brancos, com Corona a sentir bastantes dificuldades para suster as subidas de Barisic.

Insatisfeito com o que estava a observar, Sérgio Conceição procurou voltar a ter mais bola, lançando Bruno Costa para o lugar de Otávio, e agitar as águas no ataque com a entrada de Nakajima em detrimento de um Luís Díaz que entretanto se eclipsou. O FC Porto melhorou, é verdade, e até esteve perto de marcar por várias vezes num lance de insistência na área escocesa aos 87 minutos, mas não foi capaz de fazer melhor do que empatar em casa com uma equipa menos cotada.

O empate sabe a pouco aos dragões, que tinham a responsabilidade de fazer melhor a jogar perante o seu público e que assim deixam fugir os suíços do Young Boys na liderança do grupo, mas também ao Rangers, que a dada altura teve razões para acreditar que poderia sair de Portugal com os três pontos.

A figura: Alfredo Morelos

Rápido, tecnicamente evoluído, forte no jogo aéreo (apesar do 1,77 m) e com a típica irreverência de quem tem apenas 23 anos. O avançado colombiano, internacional por cinco vezes pela seleção agora orientada por Carlos Queiroz, foi uma autêntica dor de cabeça para a defesa portista.

Foi o autor do golo do empate quatro minutos depois de ter enviado uma bola, de cabeça, à trave, e no arranque da segunda parte esteve perto de bisar, valendo então uma grande intervenção de Marchesín. Mais: arrancou cartões amarelos a Alex Telles e Pepe.

Golos

1-0: Luís Díaz (37')

1-1: Morelos (44')

Ficha de jogo

Jogo no Estádio do Dragão, no Porto.

Árbitro: Nikola Dabanovic (Montenegro)

Assistência: 31.307 espectadores

FC Porto - Marchesín; Corona, Pepe, Marcano e Alex Telles; Otávio (Bruno Costa, 60), Uribe, Danilo Pereira e Luís Díaz (Nakajima, 63); Marega e Zé Luís (Soares, 76).

Treinador: Sérgio Conceição

Rangers - McGregor; Tavernier, Goldson, Helander e Barisic; Davis, Kamara e Ryan Jack (Arfield, 84); Barker (Ojo, 84), Kent (Aribo, 75) e Morelos.

Treinador: Steven Gerrard

Marcadores: 1-0, Luís Díaz, 37 minutos; 1-1, Morelos, 44;

Disciplina: Cartão amarelo a Barisic (14 minutos), Ryan Jack (30'), Bruno Costa (69'), Alex Telles (76'), Helander (78') e Pepe (83').

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG