Bruno Lage: "São 20 anos a pensar pela minha cabeça e vejam onde cheguei"

O treinador do Benfica admite que o rendimento na Champions não tem sido o melhor, mas defende as opções que tem tomado e garante que o clube está a seguir um rumo do qual não irá fugir e que passa pela manutenção dos melhores jogadores da formação. Ferro está recuperado do choque que sofreu em Lyon e vai estar na partida com o Santa Clara, nos Açores.

A derrota em Lyon para a Liga dos Campeões foi o tema central da conferência de imprensa de Bruno Lage de antevisão para o jogo deste sábado (18.00 horas) com o Santa Clara, da 11.ª jornada da I Liga. O facto de ter deixado Pizzi, André Almeida e Seferovic no banco de suplentes estiveram em cima da mesa, mas o treinador do Benfica aproveitou as explicações para dizer que "pensa sempre" pela sua cabeça.

"O Pizzi já não tinha jogado o ultimo jogo da Champions, tal como o André Almeida, mas como vencemos não se falou disso. Quanto ao Seferovic, vinhamos de uma sequência de dois bons jogos do Vinícius. São opções que passam pela minha forma de pensar. Faço sempre uma análise antes de escolher a melhor equipa a para cada momento", frisou.

Nesse sentido, Bruno Lage aproveitou para contar vários episódios da sua vida que indicam que sempre tomou as decisões por ele próprio. "Terminei o curso há 23 anos e entre 15 a 20 colegas foram dar aulas, eu não fui e tentei investir ao máximo naquilo que seria a minha carreira como treinador. Muitos desses colegas diziam-me que ia ganhar 100 ou 200 euros no inicio de carreira, enquanto eles como professores já estariam a ganhar 1200 a 1400 euros. Pensei pela minha cabeça e fui atrás do meu sonho. Cheguei ao Benfica com 27 anos, treinei todos os escalões, e a determinada altura pensei que precisava de outro projeto, todos aqui dentro me diziam que ninguém saía do Benfica... pensei pela minha cabeça, fui à minha vida. Estive no Dubai e em Inglaterra, no Championship e na Premier League, até que surgiu o convite para vir para a equipa B, e todos me disseram que como é que ia deixar a Premier League para treinar a equipa B, mas voltei a pensar pela minha cabeça e tomei as minhas decisões. Independentemente do que dizem, são 20 anos a pensar pela minha cabeça e vejam que comecei miúdo como adjunto do V. Setúbal em que ganhava 100 euros e neste momento estou aqui como treinador do Benfica. Quero um dia olhar para trás, olhar para o percurso que fiz, sempre a pensar pela minha cabeça. Não há hipótese...", assumiu

Bruno Lage admitiu ser normal que haja oscilações de rendimento em alguns jogadores. "São momentos. Por vezes o rendimento não tem sido brilhante em alguns jogos, mas é um caminho que temos de fazer. Fazer sete jogos em 22 ou 23 dias, parar para as seleções, regressar para mais um bloco de sete jogos em 20 e tal dias. É natural que a dinâmica coletiva nem sempre seja a melhor e, como tal, pode haver jogadores mais novos ou mais velhos com menor rendimento", explicou.

O treinador do Benfica foi ainda questionado sobre a possibilidade de o clube começar a apostar mais em contratações no exterior tendo em conta a fraca Liga dos Campeões que está a realizar. Lage fez questão de dizer que isso não está em cima da mesa. "Se a cada desaire tivermos de mudar o nossos rumo, nunca estaremos preparados. A seguir a uma derrota podemos fazer outro tipo de análise: por exemplo, há uns anos dizia-se que era impossível ganhar o campeonato tendo por base os jogadores da formação e o Benfica, nos últimos anos, provou que era possível", começou por dizer

Bruno Lage assumiu que o fundamental é agora dar "o passo seguinte" na estratégia que está a ser implemantada: "Temos de ter a capacidade de fazer competições europeias à dimensão do clube, mas seguindo uma filosofia e estratégia. Estando estável financeiramente, o Benfica tem de ter a capacidade de segurar os melhores jogadores saídos da formação. Seguramente nos próximos oitavos-de-final da Champions vão estar presentes seis desses jogadores noutras equipas. Se consiguirmos segurar esses jogadores, seremos mais fortes na Europa."

Assim sendo, o técnico deixou uma garantia: "Nada nos pode tirar deste trajeto. Quando se começou a construir o centro de estágio, o rumo não era este porque havia poucas pessoas a acreditar, agora continuam a ser poucas mas cá dentro, quem lidera o Benfica, acredita que este é o melhor caminho e a melhor estratégia. E nós, independentemente dos resultados, não podemos fugir dela."

Voltar líder dos Açores com Ferro

Em relação ao jogo com o Santa Clara, nos Açores, Bruno Lage assumiu que "o objetivo é sair de lá na liderança" e para isso defende que é preciso ""fazer um grande jogo" até porque pela frente está uma equipa que "com um bom trabalho do João Henriques, está a fazer um bom início de época, com vitórias que lhe permitem estar a meio da tabela e com pontos conquistados que lhe dão tranquilidade".

O técnico dos encarnados espera uma adversário que "domina bem dois sistemas", razão pela qual acredita que o Benfica irá "voltar a jogar contra uma linha de cinco defesas". "Independentemente de tudo, queremos terminar esta série de cinco jogos como líderes do campeonato", frisou, garantindo que ninguém no clube pode "olhar para trás a pensar no que foi perdido ou ganhou, porque assim não haverá rendimento no futuro".

Um dos jogadores que gerou preocupação no jogo de terça-feira com o Lyon foi Ferro, que perdeu os sentidos logo nos primeiros minutos da partida após um choque com Vlachodimos. Bruno Lage garantiu que o defesa-central está convocado e irá viajar para os Açores. "Vamos perceber até que ponto poderá jogar. Foi mais o susto do que alguma lesão que o tirasse do jogo. O Ferro está a treinar a normalmente, ainda vamos analisar e se estiver a 100% poderá jogar, se não estiver teremos o Jardel, que tem dado sempre uma boa resposta". explicou.

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