Bruno Lage e o Belenenses: "Trata-se de mais um jogo de enorme dificuldade"

Treinador do Benfica abordou duelo com o Belenenses, sábado, no Jamor às 19.00.

O próximo adversário do Benfica é o Belenenses, equipa que na época passada impôs um empate e uma derrota ao campeão. "Trata-se de mais um jogo de enorme dificuldade, por aquilo que é, primeiro, o valor dos jogadores do Belenenses, a qualidade de jogo e qualidade do treinador. Para perceber isto melhor e até porque os adeptos gostam de ver a questão de uma forma mais tática, é aproveitar e darem uma olhadela daquilo que foi o primeiro jogo do campeonato. A riqueza tática, quer de um lado, quer do outro, evidencia isso mesmo. Enorme qualidade a atacar e a defender. Preparámo-nos da melhor maneira para vencer. Volto a repetir, um jogo [Portimonense-Belenenses] que terminou 0-0, mas com riqueza enorme, quer de um lado, quer do outro", elogiou o técnico encarnado.

O jogo é no Jamor, casa do Belenenses, e está a gerar grande adesão dos adeptos do Benfica: "As pessoas gostam de nos acompanhar. É importante sentirmos isso, o adepto vê-nos jogar pela qualidade, forma de jogar e queremos que se divirtam ao máximo, esse é um dos grandes objetivos para quem gosta de futebol".

Instado a comparar a exibição da Supertaça (5-0 ao Sporting) e a primeira jornada da I Liga (5-0 ao Paços Ferreira) com as da época passada, considerou que seria uma comparação injusta: "Fazer uma análise a dois jogos, com base em dois jogos, contra 20 e tal da outra? Não faço isso assim. Tem que ser uma análise mais sólida, com 11 ou 12 jogos. Só aí percebemos as diferenças. Temos longo caminho a percorrer, mas estou muito satisfeito com o que tem sido a resposta dos jogadores."

Bruno Lage desvalorizou o facto de estar perto dos 100 golos enquanto treinador do Benfica. "Se esse é um objetivo? Não. Quando vencemos o campeonato, depois de termos ido ao Marquês, tivemos um lanche pela madrugada dentro na Luz. Entretanto os jogadores ainda tinham energia para se irem divertir e fiquei eu e o Tiago Pinto. Olhámos os dois para a televisão e - completamente sóbrios porque não tínhamos bebido nada - estávamos a ver o jogo com o Santa Clara. Quando fazemos o 4-0 ainda havia muito tempo para jogar, 20 minutos. O que queríamos era vencer o campeonato, mas se marcássemos um golo naquela altura ficávamos na história como o melhor ataque. Mais tarde, quando vou a conduzir para casa, [pensei que] até foi giro a história ficar assim. Íamos tirar esse recorde a uma grande equipa que foi bicampeã da Europa. De alguma forma fez-se justiça", contou aos jornalistas.

Quando questionado sobre as dificuldades dos sorteio da Champions - Benfica vai estar no pote 2 - , respondeu com elogios aos dragões, que este ano não vão amealhar pontos: "É uma tarefa muito difícil, depois olhando o panorama do futebol português, são menos pontos. Não esquecemos o que foi o percurso do FC Porto nos últimos 20 anos, foi a equipa que mais pontos ganhou para Portugal ter agora entrada direta. E quantos mais pontos fizeremos, mais equipas teremos na Champions, também sentimos essa responsabilidade."

O que falta aos clubes portugueses na Europa? "Acho que não falta nada, se assim fosse nós não tínhamos tantos e tão bons treinadores a trabalhar pela Europa fora. Se formos mais competitivos vamos crescer e evoluir", respondeu.

A história do senhor Shéu

Confrontado sobre a situação de Conti, que não joga por "estar lesionado", Bruno Lage recordou uma história de paciência que contrasta com a pressa de jogadores e empresários nos dias atuais em jogar logo: "Todos nós conhecemos o senhor Shéu, a carreira que fez, o que ele foi, os títulos, a forma como chegou ao Benfica. Foi capitão do Benfica e sabemos a carreira que fez depois enquanto diretor. Mas há uma coisa que eu não sabia e nas várias vezes em que a minha TV não estava no canal Panda, estava na BTV, passa um episódio sobre a carreira do Shéu. O Shéu chegou ao Benfica e esteve dois anos sem jogar. Agora eu digo: o Conti está há um ano sem jogar. Quantas medalhas de lata teria o Shéu por estar dois anos sem jogar? Hoje em dia, as coisas acontecem ontem e já. Mas não é só com vocês [jornalistas]. Nos tempos modernos, qual é o jogador que, com o empresário, está dois meses à espera? Quem passa seis meses sem jogar está a bater à porta para mudar. Os jogadores querem tudo à pressa e o treinador tem de controlar as expectativas sobre 25 homens. A crítica ou pressão passa-lhes um bocadinho ao lado, mas tinha de deixar este apontamento."

Homenagem em Setúbal

Bruno Lage vai ser distinguido com a Medalha da Cidade de Setúbal, na categoria de desporto, no próximo dia 15 de setembro, nos Paços do Concelho. Juntamente com Bruno Lage será também agraciado com a mesma medalha o adjunto Alexandre Silva. "Portanto um enorme orgulho em ser de Setúbal, mas acho gostava de partilhar este mérito por aquelas pessoas, como o meu pai, que trabalham durante muitos anos na sombra e que, por isto ou por aquilo, não lhe é reconhecido este mérito", disse o treinador do Benfica.

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