Bomba de Quintero permitiu ao River Plate vencer a super-final da Libertadores

O Estádio Santiago Bernabéu foi palco da festa do futebol argentino na Europa. As rigorosas medidas de segurança permitiram um espetáculo único, que teve como protagonista um jogador emprestado pelo... FC Porto

O River Plate é o novo campeão da Taça Libertadores da América, depois de vencer este domingo, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, o eterno rival Boca Juniors por 3-1, mas apenas no prolongamento.

Acabou com um grande espetáculo de futebol aquela que terá sido a final mais longa da história, pois além de a primeira mão ter sido adiada um dia devido a uma tempestade que alagou o relvado da Bombonera, a segunda mão teve dois adiamentos por causa do mau comportamento dos adeptos do River, o que obrigou a Conmebol a transferir esta super-final para a Europa.

Emoção, bom futebol e momentos mágicos deram ao Bernabéu uma atmosfera única de uma autêntica festa argentina. O Boca Juniors chegou ao intervalo a ganhar através de Dario Benedetto, mas no segundo tempo Lucas Pratto levou o jogo para prolongamento.

Foi então que apareceu o ex-portista Quintero a levar os milionarios rumo ao quarto título sul-americano, tendo Pity Martínez arrumado com a final no último lance da partida, quando a alma do Boca quase levou o jogo para os penáltis, mesmo a jogar com nove jogadores.

Messi, Dybala e Gaitán na bancada

As bancadas do Santiago Bernabéu tiveram um colorido e uma animação bem diferente do habitual. A festa típica dos argentinos que amam o futebol mostrou-se pela primeira vez na Europa e logo com um Superclássico entre River Plate e Boca Juniors, um dos dérbis mais escaldantes do mundo, mas que tinha a particularidade de este ser o duelo mais importante da histórica dos dois emblemas de Buenos Aires.

O mundo do futebol não quis perder este espetáculo único e até Lionel Messi ocupou o seu lugar na tribuna do rival Real Maderid, acompanhado por Sergio Busquets, Jordi Alba e Gerard Piqué, seus companheiros de equipa da Juventus. De mais perto, Diego Simeone, treinador do Atlético de Madrid, e o seu capitão Diego Godín também não faltaram e até reencontraram o hincha do Boca, o ex-benfiquista Gaitán, que regressou à capital espanhola para vestir a pele de adepto, tendo a companhia do ex-companheiro Antoine Griezmann, envergando orgulhosamente uma camisola xeneize.

De Turim não viajou afinal Cristiano Ronaldo, mas a Juventus também esteve bem representada com Paulo Dybala a mostrar como é este duelo escaldante aos seus companheiro da Juventus, Bonucci e Chiellini.

Madrid em estado de alerta máximo

Quem chegasse a Madrid durante este domingo talvez pensasse que a cidade estivesse na iminência de sofrer um ataque terrorista. E foi assim que a polícia espanhola tratou e organização desta final da Taça Libertadores: foi acionado o nível quatro de alerta antiterrorista e à volta do Estádio Santiago Bernabéu oito quarteirões foram encerrados ao trânsito. Foram mobilizados mais de quatro mil agentes de segurança, dos quais alguns efetivos da Polícia Federal Argentina, que viajaram expressamente de Buenos Aires.

É que depois dos incidentes registados a 24 de novembro, nas imediações do Estádio Monumental de Buenos Aires, que obrigaram ao adiamento da partida na sequência do ataque dos adeptos do River Plate ao autocarro que transportava os jogadores do Boca Juniores, todos os cuidados eram poucos. Até nos céus de Madrid se podiam ver helicópetros que vigiavam os movimentos dos adeptos dos dois clubes. Isto apesar dos hinchas mais perigosos terem sido impedidos de viajar para Madrid.

Apesar de um imenso oceano Atlântico a separar Buenos Aires da Europa, a tensão era enorme entre as direções, adeptos e jogadores dos dois clubes. Mas antes da entrada das equipas no relvado do Bernabéu, o capitão do Boca, Pablo Pérez, passou a barreira que separava as duas equipas no túnel de acesso aos balneários e foi ter com o seu homólogo do River, Leonardo Ponzio. Um momento muito elogiado pela imprensa argentina e que serviu para amenizar os nervos.

Benedetto, Pratto e novo empate

Os corações argentinos aceleraram quando o árbitro uruguaio Andrés Cunha deu início à final mais esperada da história da Taça Libertadores. Nunca antes os eternos rivais se enfrentaram nesta final. Com a bola a rolar, depressa veio ao de cima o sangue quente dos argentinos. O jogo parecia uma batalha e as entradas duras eram uma normalidade... O River dominava a partida, mas o Boca era mais perigoso no ataque.

E ao minuto 44 chegou o momento que já era esperado, Dario Benedetto arrancou em velocidade, passou por um adversário, e rematou colocado para o primeiro golo da partida. Era golo do Boca Juniors. A festa era azul e a loucura tomou conta de metade do Estádio Santiago Bernabéu.

Só que havia uma segunda parte para jogar e era de esperar uma reação enérgica do River Plate. E assim foi, o Boca Juniors teve então de sentir a furia do rival, bem mais perigoso, acabando por chegar ao empate aos 68 minutos por Lucas Pratto, que finalizou uma bela jogada de ataque. Agora, a festa era vermelha, com alguns adeptos a chorarem de emoção. Afinal, este era o jogo que ninguém queria perder.

E se a primeira mão da final na mítica Bombonera tinha ficado empatada a duas bolas, nada melhor que novo empate, agora 1-1, para mais 30 minutos de prolongamento e de emoções fortes. Era a final mais longa da história do futebol, tendo em conta o adiamento da segunda mão...

A bomba de Quintero...

O tempo extra começou praticamente com um enorme tiro no pé do Boca Juniors, pois o médio colombiano Wilmar Barrios recebeu ordem de expulsão e se o River Plate já estava melhor no jogo, eis que poderia estar aqui a chave da final. Com menos um jogador em campo, os xeneizes tinham de apelar à capacidade de sofrimento e resistir o mais possível para levar a decisão para os penáltis.

Só que aos 109 minutos chegou o momento da noite. O colombiano Juan Quintero, médio emprestado pelo FC Porto, onde nunca se conseguiu impor, apanhou a bola à entrada da área e disparou uma bomba que só parou no fundo da baliza do guarda-redes Estebán Andrada. Era a festa do River Plate, que tinha à vista o seu quarto título de campeão da América do Sul.

O Boca Juniors tinha onze minutos para evitar a derrota. E para isso entrou o veterano Carlos Tévez. Mais do que um título estava em jogo o orgulho, era preciso dar tudo, ao ponto do guarda-redes xeneize ter estado alguns minutos na área adversária, como se fosse um ponta-de-lança. Só que a sorte nada queria com o Boca, que acabou o jogo com nove jogadores, pois outro histórico, Fernando Gago, teve de deixar o campo devido a lesão. Ainda assim, Leonardo Jara viu o sonho do empate ser desfeito pelo poste.

...e a fuga de Pity para a vitória

O golpe final foi dado por Pity Martínez, que aproveitou o facto de o guarda-redes do Boca estar na área contrária para estabelecer o 3-1, num lance que bem podia ser apelidado de corrida para a vitória. O apito final do árbitro ouviu-se logo de seguida e as lágrimas invadiram as faces dos jogadores e adeptos, vencedores e vencidos.

O River Plate conquistava em Madrid a sua quarta Taça Libertadores. O Boca Juniors perdia o jogo de uma vida e perdia a oportunidade de igualar os sete títulos de campeão sul-americano do Independiente, que assim mantém o seu recorde.

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