Bielsa, Di Canio ou Umaga: cinco das maiores lições de fair-play no desporto

Desde o gesto de Paolo di Canio em 2001 ao golo sofrido pelo Leeds este domingo. O fair-play no mundo do desporto é intemporal.

O fair-play no mundo do desporto é intemporal. O exemplo mais recente disso foi o jogo da segunda divisão inglesa que opôs o Leeds United ao Aston Villa, este domingo. Nesse sentido recordamos cinco dos melhores momentos do desportivismo no desporto, onde o fair-play é rei.

No passado domingo, o Leeds United precisava de uma vitória para manter vivo o sonho da subida de divisão para a Premier League. Estava a ganhar ao Aston Villa, mas com um golo que violou as regras do fair-play (marcado com um jogador adversário no chão, à espera de ser assistido pela equipa médica) e por isso o treinador, Marcelo Bielsa, deu ordens para que a sua equipa deixasse o rival empatar.

Este resultado no jogo da II Liga inglesa impediu o Leeds United de continuar a lutar pela subida direta à Premier League, restando agora apenas a hipótese de chegar ao escalão máximo do futebol inglês através de um playoff. Mas a partida fica na história como uma das maiores lições de fair-play no futebol.

"Nós não lhes demos um golo, devolvemos," disse Marcelo Bielsa à Sky Sports no final do jogo.

Paolo di Canio, o avançado italiano, representava o West Ham em 2001. O ponto máximo da sua carreira pelo clube inglês foi ganhar o Prémio de Fair-Play da FIFA pelas suas ações num jogo contra o Everton.

Paul Gerrard, guarda-redes da equipa adversária, o Everton, tinha saído da baliza para impedir uma jogada perigosa e acabou caído no chão, lesionado.

O West Ham recuperou a bola e viu na lesão de Gerrard uma oportunidade para marcar golo. Já Di Canio não. Cruzaram a bola para o avançado italiano rematar à baliza vazia, mas este preferiu agarrá-la e parar a jogada. Os adeptos do Everton premiaram-no com uma ovação.

Durante um jogo de treino em 2003 entre a Nova Zelândia e o País de Gales, em Hamilton, cidade no norte da Nova Zelândia, o número 8 galês sofreu uma placagem do número 8 neozelandês que o deixou inconsciente.

O jogo continuou e os All Black recuperaram a bola com oportunidade de marcar um ensaio. Contudo, Tana Umaga deixou a sua posição e correu para ajudar o jogador adversário caído, Colin Charvis.

Mais tarde, Umaga recebeu a medalha Pierre de Coubertin, pelo Comité Olímpico Internacional, e foi o primeiro neozelandês a ganhar o prémio que celebra os maiores feitos do desportivismo.

O goleador máximo em fases finais do Campeonato do Mundo, o avançado alemão Miroslav Klose, marcou golos das mais variadas formas, mas recusou marcá-los com a mão...

Em 2012, quando representava a Lazio e num jogo contra o Nápoles, marcou no minuto 4, mas usou a mão para o fazer. O golo incendiou os protestos dos jogadores do Nápoles, até Klose se dirigir ao árbitro do jogo e admitir que a irregularidade.

O jogo acabou com uma derrota da Lazio por 3-0. A ação de Miroslav Klose valeu-lhe o Prémio de Ética Desportiva, da Universidade de Roma.

Anton Gafarov é uma das principais figuras do esqui da Rússia. Em 2014 isso não lhe serviu de muito, tendo partido um dos seus esquis numa das provas dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Sóchi.

Mas não desistiu. Continuou a arrastar o esqui partido, decidido a terminar a corrida, mesmo sem hipótese de ganhar uma medalha. Por si só seria um exemplo marcante de perseverança, mas o treinador canadiano Justin Wadsworth decidiu dar um passo ainda maior. Com a sua equipa já fora da corrida o treinador não hesitou em correr em direção a Gafarov para lhe dar um esqui que lhe permitisse acabar a prova.

Nem Abbey D'Agostino, nem Nikki Hamblin foram premiadas com uma medalha de ouro, prata ou bronze na corrida de 5000 metros, nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Mas, em alternativa, levaram o troféu de fair-play.

Faltavam ainda 2000 metros quando a atleta da Nova Zelândia, Hamblin, caiu e acidentalmente provocou a queda da atleta dos Estados Unidos. D'Agostino levantou-se rapidamente, mas em vez de continuar a correr ajudou Hamblin a levantar-se. Depois aconteceu o contrário: D'Agostino caiu lesionada e foi a vez de Hamblin a ajudar, retomando juntas a corrida.

"Acho que foi muito especial para Abbey e para mim. Fiquei no chão durante demasiado tempo para chegar ao grupo. Depois o objetivo tornou-se acabar a corrida e acabá-la bem. Estou tão agradecida à Abbey por me ter levantado e acho que muitas pessoas teriam devolvido o favor. Quando estás na pista há um entendimento mútuo do que custa para chegar ali", disse Nikki Hamblin depois da prova.

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