Agronomia junta-se ao Belenenses na final do campeonato

Ao vencer o CDUP, em Ramalde (27-18), o quinze da Tapada concluiu a fase regular do campeonato nacional na 2.ª posição, juntando-se à equipa do Restelo na final a prova a disputar no sábado, e que terá assim os mesmos adversários da partida decisiva da época passada.

Durante grande parte da época Agronomia pareceu estar arredada do jogo decisivo do campeonato onde esteve nas duas últimas épocas (perdendo em ambas ocasiões, diga-se, depois de ser 1.ª na fase regular). Mas perante a completa e recente "débacle" do Técnico - que praticamente desde início da época esteve sempre nas duas primeira posições, mas que ao perder os últimos três jogos (!) abriu uma autoestrada para a final aos rivais que a equipa de Frederico Sousa aproveitou da melhor forma -, bastava-lhe vencer na deslocação ao sintético de Ramalde para carimbar o passaporte, pelo terceiro ano consecutivo, para a partida decisiva.

Perante um CDUP, com muitos adeptos a apoiarem e que em casa se sente nas suas sete quintas - apenas Direito tinha, até hoje, saído a sorrir da fortaleza portuense - os agrónomos, mesmo tendo maior controlo no jogo, sentiram dificuldades para se superiorizarem. E só perto do intervalo fariam o ensaio inaugural (por José do Carmo), para 13-3 no descanso.

No 2.º tempo o CDUP continuou a dar uma bela imagem de um quinze jovem mas com grande atitude e bons princípios de jogo, mas ensaios dos internacionais António Cortes e Vasco Ribeiro materializaram a supremacia de um conjunto mais experiente e com superiores valores individuais (27-13). Mas a última palavra seria com pronúncia do norte, pois a equipa da casa ainda faria um ensaio tardio reduzindo para os finais 27-18.

Nas Olaias, e enquanto os adeptos iam olhando para os telemóveis para saber novidades de Ramalde - um triunfo de Agronomia negava aos engenheiros a passagem à final e as notícias insistiam em não ser nada boas... - o Técnico cilindrou uma Académica que surgiu em Lisboa com vários jogadores acusando em demasia os festejos da Queima das Fitas (...), por claros 62-8, construído com um cabaz de nove ensaios, três deles à conta do jovem centro Raffaele Storti, que se confirma como a maior surpresa desta época no râguebi português. Então o seu terceiro ensaio, no qual recebeu a oval colado à linha lateral e a uns bons 35 metros da área e, com três ou quatro trocas de pés, foi ultrapassando meia dúzia de adversários como se fossem pinos de bowling, entra diretamente na lista dos melhores lances do Nacional na temporada!

A equipa da casa começou a todo o gás e fez o ensaio inaugural logo aos 3" (Jack Fanigan), terminando uma 1.ª parte na qual teve insistente domínio, a vencer por 24-3. No 2.º tempo a Académica até marcou primeiro (António Cunha reduziu aos 50" para 24-8), mas depois os homens de Coimbra deram um valente estoiro físico, aproveitado pelos engenheiros que, sem tirar o pé do acelerador, fariam mais uma mão cheia de ensaios, com o chutador e campeão europeu sub-20 Pedro Lucas (17 pontos em pontapés e alguns bem complicados) hoje numa tarde de grande afinação.

Nos restantes jogos da derradeira ronda da prova o campeão e já apurado para a final Belenenses foi à Guia perder com o Dramático de Cascais, por 42-35, numa partida com 11 ensaios e na qual os ataques se superiorizaram às defesas. Apresentando de início nove jogadores que não são habitualmente primeiras opções para João Mirra, os azuis cedo chegaram a 21-0 (três ensaios convertidos), mas a boa reação dos homens da Linha permitiu chegarem ao intervalo empatados a 21 pontos.

Numa partida de grande equilíbrio, o jogo chegou aos últimos instantes com 35-35 no marcador, mas no derradeiro lance e com os visitantes acampados nos 22 da casa, uma bola perdida e um excelente contra-ataque cascalense seria concluído com o sexto ensaio do Dramático selando o triunfo final.

Em Monsanto e num jogo que já nada adiantava para a classificação, Direito bateu o CDUL por 42-19 (seis ensaios a três), num encontro com muitos erros mas que teve também lances de muito bom râguebi, entre duas equipas que desiludiram esta época após terem dominado hegemonicamente a modalidade em Portugal entre 2009 e 2017, somando seis títulos para os advogados e três para os universitários.

Classificação final da fase regular: Belenenses, 50 pontos; Agronomia, 46; Técnico, 45; Direito e CDUL, 30; CDUP, 24; Cascais, 21; e Académica, 14.

Entretanto um protesto do Técnico, que alega irregularidade na utilização de um jogador da Académica na partida da 1.ª volta em Coimbra (onde foi derrotado por 28-18), pode transtornar, e até adiar, a final prevista para o próximo sábado. O protesto dos engenheiros subiu ao TAD (Tribunal Arbitrário do Desporto) e já foram nomeados três árbitros que irão decidir a questão. Espera-se uma decisão rápida - idealmente no início desta semana - sob pena da modalidade dar de si mais uma degradada e triste imagem para o exterior.

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