À terceira foi de vez, Agronomia é campeã nacional da Divisão de Honra

Depois de duas finais consecutivas perdidas, a equipa da Tapada conquistou nesta tarde de sábado, em Monsanto, o título nacional 2018/19, ao bater o Belenenses (com quem também perdera as duas finais disputadas entre si), por 18-10. Este é o segundo campeonato para os agrónomos após a vitória conseguida em 2007.

Para os homens da Tapada da Ajuda, depois de dominarem a fase regular que venceram sem problemas nos dois últimos campeonatos, foram bem dolorosas as derrotas nas finais da Divisão de Honra de 2017 (frente ao CDUL graças a um ensaio sofrido no derradeiro lance de jogo) e 2018 (perante o Belenenses numa partida realizada no início desta temporada, com um plantel bem diferente daquele que tão boa figura fizera na prova). E portanto, o triunfo conseguido, neste sábado, no campo do Grupo Desportivo de Direito, em Monsanto - relvado que os agrónomos utilizaram como a sua casa em grande parte da época, devido a castigo - teve um sabor muito especial para o quinze de Frederico Sousa, que mereceu por inteiro o triunfo por 18-10.

E as coisas até nem começaram bem para os agrónomos, pois os seus vizinhos do Restelo iniciaram o jogo plenos de confiança - tinham ganho os quatro últimos duelos entre ambos, incluindo as duas partidas a contar para o campeonato e as meias-finais da Taça de Portugal e sempre os tinham batido quando se encontraram em finais da prova - e aos 10" uma boa perfuração do médio de abertura Diogo Miranda seria concluída pelo formação Duarte Azevedo a surgir muito rápido no apoio interior. Manuel Marta converteu o ensaio e os campeões cedo se encontravam na frente (7-0).

Mas a reação de Agronomia não se fez esperar e um fantástico lance iniciado pela ação conjugada da poderosa avançada e concluída pelo 2.º centro internacional Vasco Ribeiro, a serpentear em slalom por uma série de adversários (pareceu ter o corpo besuntado com vaselina, tal a forma como se foi escapando às placagens...) daria o ensaio não convertido aos da Tapada (7-5).

Mas 2 minutos depois o azar bateria à porta do mesmo Vasco Ribeiro, quando num lance casual, e sem qualquer falta, acabaria por partir a tíbia, obrigando o jogo - prontamente parado, diga-se, pela ação do árbitro Paulo Duarte que, excelente ao longo dos 80" e sempre acompanhando os lances de perto, logo se apercebeu do som de um osso partido do infeliz jogador - a ser interrompido por longos minutos.

Mas após o recomeço da partida e quando se esperaria um certo desânimo e algum abatimento pelo ocorrido ao seu influente jogador levado de imediato para o hospital, foi Agronomia que partiu para cima dos azuis, tomando conta do jogo ao inclinar o relvado para o meio-campo azul graças ao labor e capacidade perfurante do seu pack avançado, onde o n.º 8 José de Alte parecia um pesado de mercadorias a fazer entregas tal a quantidade de sucessivos transportes de bola que ia somando.

Com as equipas a usarem e abusarem dos pontapés altos (sempre captados sem mácula pelos homens do três-de-trás dos dois quinzes), não fossem dois lances já perto da área de ensaio em que, depois de boa circulação de bola, jogadores agrónomos viram a oval ser-lhes roubada de forma exemplar (por Rodrigo Freudenthal e pelo excelente Tomás Sequeira), o resultado até poderia ter virado mais cedo.

Mas só no derradeiro minuto da 1.ª parte surgiria a esperada e justa reviravolta, quando o pilar neozelandês Samisoni Havea viu o amarelo (10" de exclusão) e, da penalidade decorrente, José Rodrigues chutava para os 8-7 ao intervalo. E até neste particular, nos pontapés colocados, Agronomia estava por cima, já que Manuel Marta tinha desperdiçado, à meia-hora de jogo, uma fácil tentativa aos postes.

No 2.º tempo, e quando se esperaria uma forte reação do quinze de Restelo, ela acabaria por não acontecer, pois as imaginativas e perigosas linhas atrasadas azuis não dispuseram de muitas bolas - e as poucas que tiveram seriam desperdiçadas de forma inglória - frente a uma defesa perfeitamente intratável dos homens da Tapada e com a jovem equipa de João Mirra a acusar em demasia a pressão do momento. Faltou mais calo e experiência a um quinze no qual mais de metade dos jogadores têm 22 ou menos anos...

Aos 48" e a jogar com um homem a mais (exclusão por cartão amarelo do ponta António Cortes) o Belenenses teria um ensaio bem anulado ao hiperativo Manuel Marta por incrível passe para frente num lance em que possuía clara vantagem numérica nos três-quartos.

E aos 61" surgira mesmo o lance que iria decidir a final, quando numa rápida sequência de fases à mão, a oval, após pontapé curtinho, iria bater num jogador azul e, cair caprichosamente nas mãos do fijiano Ratabuli (substituíra Vasco Ribeiro), que se deparou perante uma autoestrada rasgada em via verde (e branca), para uns já difíceis de recuperar 15-7.

O Belenenses ainda reduziria (penalidade de Manuel Marta fez 15-10), mas a equipa continuava tolhida, sem os habituais rasgos de génio dos seus explosivos três-quartos. E quando aos 84" uma falta bem sacada pelos avançados da Tapada foi convertida por José Rodrigues para os definitivos 18-10, o célebre grito de "Agro, Agro, Agronomia" começava a ouvir-se. E pouco depois seria mesmo o derradeiro apito do árbitro, com o campo de Monsanto, habitualmente pintado de rubro-negro (cores do anfitrião Direito), a colorir-se de verde-e-branco.

E como diria, já em plena festa no relvado, o técnico vencedor Frederico Sousa - que hoje acrescentou mais um título nacional aos dois conquistados como treinador de Direito, além de, como jogador, ter também participado no último título do penta ganho pelo Cascais entre 1992 e 1996 - os festejos agrónomos só não se irão transferir para o Marquês, por que as cores verde e brancas não se conjugam lá muito bem com o vermelhão que irá inundar esta noite a rotunda lisboeta...

Consumava-se assim o mui justo segundo título para a Tapada, depois do ganho em 2007 frente a Direito e na primeira final em que, finalmente, Agronomia batia o Belenenses à terceira tentativa depois dos desaires em 2008 e 2018. Lá está, à terceira foi mesmo de vez...

Fica agora assim a lista dos campeões nacionais de râguebi: CDUL, 20 títulos; Direito, 11; Benfica, 9; Belenenses, 7; Dramático de Cascais, 6; Académica, 4; Técnico e Agronomia, 2.

A época nacional de quinze conclui-se no próximo domingo com a realização da final da Taça de Portugal, em Setúbal, com o Belenenses a defrontar o Técnico.

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