N'Golo Kanté fez de Eder e afastou Portugal da fase final da Liga das Nações

Derrota (1-0) deste sábado com a França impede a seleção nacional de defender o troféu. É a primeira vez desde o ano 2000 que os portugueses falham uma fase final de uma competição.

A vingança francesa chegou pelos pés de N'Golo Kanté. O pequeno génio do meio campo francês marcou o golo que derrotou Portugal (1-0) e impediu a seleção nacional de defender o troféu da Liga das Nações, em 2021. Assim como Eder fez no Euro2016. É a primeira vez desde o ano 2000 que Portugal falha uma fase final de uma competição. A França segue assim para as meias finais da prova, que a seleção portuguesa ganhou em 2019.

Tal como no Euro2016, Rui Patrício ainda levou o jogo para o intervalo sem golos, mas, no segundo tempo, Kanté decidiu o jogo a favor da França, com um golo aos 53 minutos.

A missão não era fácil. Em mais uma reedição da final do Euro2016, o campeão do Mundo (França) e o campeão da Europa e atual detentor da Liga das Nações (Portugal) mediam forças pela liderança do grupo e consequente apuramento para as meias-finais.

Depois da revolução no onze frente a Andorra, Fernando Santos voltou ao onze 'normal'. Cancelo voltou a ganhar o lugar a Nélson Semedo e José Fonte acompanhou Rúben Dias, perante a ausência de Pepe (lesionado). Danilo e William formaram a muralha a meio campo, Diogo Jota começou no banco e Félix ganhou um lugar ao lado de Ronaldo na frente.

Portugal começou com muita posse de bola e controlou o ritmo de jogo, mas por pouco tempo. O gás português esgotou-se aos seis minutos quando Ronaldo fez o primeiro e único aviso. Um grande remate do capitão no regresso à equipa, depois de falhar o jogo com a Suécia devido à covid-19, qur foi travado por Lloris. CR7 nunca marcou à França.

Inspirado pelo guarda-redes do Tottenham, Rui Patrício tratou de levar a seleção nacional sem sofrer golos para o intervalo. Qual reencarnação do São Patrício da final do Euro2016, o guarda-redes português do Wolverhampton fez três grandiosas defesas e impediu Martial de fazer estragos. O jogador do Manchester United esteve endiabrado e teve três oportunidades flagrantes de golo. Uma delas foi à trave.

Mesmo órfã de Mbappé (lesionado) a França, que entrou em campo com Coman, criou dificuldades à circulação de bola portuguesa. Santos pediu a Félix e Bruno Fernandes para baixar no terreno no momento de posse e isso ajudou, mas não resolveu o problema. Danilo deixou Griezmann com muito espaço e o médio do Barcelona jogou como quis.

O golo do pequeno gigante de origem maliana

Havia muito em jogo e esperava-se um segundo tempo mais estratégico e cauteloso. Mas fosse qual fosse a ideia de Deschamps ou Fernando Santos, tudo mudou ao minuto 53. Numa invulgar defesa para a frente, Patrício colocou a bola à frente de Kanté, que fez o 1-0. O gigante do meio campo francês, como lhe chama Deschamps, apesar de ele medir apenas 1, 68 metros, teve uma infância marcada pela miséria. Filho de emigrantes do Mali, nasceu em Paris, mas chegou a recolher lixo na rua para ajudar a mãe, após a morte do morte do pai aos 11 anos. O futebol deu-lhe uma segunda oportunidade para ser alguém na vida e a seleção fez dele o mais recente herói gaulês.

O selecionador português respondeu ao golo francês com a entrada de Diogo Jota para o lugar de William Carvalho. Bruno Fernandes desceu para junto de Danilo e deu ainda mais espaço para o meio campo gaulês trocar a bola e liberdade a Griezmann e Rabiot para aparecerem a criar perigo. O jogo pedia mais comprometimento ofensivo dos laterais portugueses, mas nem Cancelo, nem Guerreiro pareciam ter ordens para subir no terreno. As segundas bolas eram sempre da equipa francesa, que se encostou à vantagem e a segurou.

Portugal até melhorou depois de sofrer o golo, mas foi pouco esclarecido e só por duas vezes a bola foi à baliza. Moutinho, acabado de entrar fez Lloris voar para impedir o empate. O guarda-redes francês ainda viu José Fonte acertar no poste, antes de Trincão ficar a pedir uma grande penalidade. O árbitro mandou seguir. Nada mais havia a fazer e Portugal perdeu pela primeira vez na Liga das Nações ao fim de 11 jogos.

Com este triunfo, os gauleses passaram a somar 13 pontos, contra 10 de Portugal, com vantagem no confronto direto, face ao 0-0 em Saint-Denis, no mês passado. Na última ronda, marcada para terça-feira, Portugal desloca-se à Croácia para cumprir calendário, enquanto a França recebe a Suécia, que, este sábado, bateu em casa os croatas por 2-1.

FICHA DE JOGO

Jogo realizado no Estádio da Luz, em Lisboa

Portugal - França, 0-1

Marcadores: 0-1, Kanté, 53 minutos

Equipas:

Portugal: Rui Patrício, João Cancelo, José Fonte, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro, Danilo (Sérgio Oliveira, 84'), William Carvalho (Diogo Jota, 56'), Bruno Fernandes (João Moutinho, 71'), Bernardo Silva (Trincão, 71'), João Félix (Paulinho, 84') e Cristiano Ronaldo.

Selecionador: Fernando Santos

França: Lloris, Pavard, Varane, Kimpembe, Lucas Hernández, Kanté, Pogba, Rabito, Coman (Marcus Thuram, 59'), Griezmann e Martial (Giroud, 78')

Selecionador: Didier Deschamps

Árbitro: Tobias Stieler (Alemanha)

Ação disciplinar: cartão amarelo para Danilo (31'), Lloris (62'), Kanté (79') e Lucas Hernández (82')

Assistência: Jogo disputado à porta fechada devido à pandemia de covid-19

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