2014: Alemanha pulveriza Brasil

Portugal de Paulo Bento caiu logo na fase de grupos do Mundial disputado no Brasil. Tal como a Espanha

O Brasil 2014 teve a final que mais vezes ocorreu em mundiais: um Alemanha - Argentina (três vezes). E ganhou a Alemanha, por 1-0 (prolongamento), como no título anterior (Itália 1990, mas nos 90 minutos frente à Argentina - esta ganhou o México 86, com 3-2 no jogo decisivo frente aos germânicos). Só que ao contrário do quase entediante torneio 24 anos antes, esta era uma Alemanha de fogo. Que o diga o Brasil, que levou 7-1 na meia-final. No Mineiraço.

Os germânicos tornaram-se na equipa com mais finais (oito, metade ganhas, metade perdidas) e na terceira equipa a chegar ao tetra, depois do Brasil (1992, penta a partir de 2002) e Itália (2006). Dobrava uma das grandes rivais dos últimos trinta anos, a Argentina (dois títulos, tal como o Uruguai). E a Europa consumou a reviravolta iniciada em 2006 (Itália; 2010: Espanha) e passou para uma vantagem de 11-9, faltando os títulos de Inglaterra (1966), França (1998) e Espanha (2010). Do outro lado, além dos cinco do Brasil (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), há os citados da Argentina (1978 e 1986) e do Uruguai (1930 e 1950). Três triunfos consecutivos de um Continente pela primeira vez em 20 edições e 84 anos de mundiais. Foi igualmente o primeiro sucesso da Alemanha reunificada em 1990 (ano em que ganhou ainda com República Federal da Alemanha) e que uma seleção europeia triunfava nas Américas.

Tudo isto, a juntar a um futebol agressivo e ofensivo (que valeu 18 golos e uma média de 2,6 golos por jogo).

Num Brasil a fervilhar de emoção, este mundial reuniu os oito campeões (e só havia oito desde a edição anterior, com a estreia da Espanha; os sete campeões estiveram em simultâneo em 1986, em 1990 e 2010). Nos relvados, destacaram-se algumas equipas que continuam a espantar em 2018. Sobretudo, a Bélgica (de Courtois, Alderweireld, Kompany, Vermaelen, Vertonghen, Witsel, De Bruyne, Hazard, Lukaku ou Mertens) e a Colômbia (de Ospina, Arias, Cuadrado, o craque James Rodríguez - melhor marcador do Brasil 2014, com seis golos -, Bacca ou Quintero). Os belgas só soçobraram nos quartos-de-final perante a futura vice-campeã Argentina (0-1), os colombianos caíram na mesma fase frente ao Brasil (1-2, com o sexto golo de James). A surpresa da prova foi a Costa Rica, que também chegou aos quartos e só perdeu nos penáltis para a Holanda. Bryan Ruiz (que em 2015 viria para o Sporting), Joe Campbell (também passou pelos leões em 2016/17 por empréstimo do Arsenal) e Yeltsin Tejeda destacaram-se. Mas acima de todos brilhou David Ospina, que só sofreu dois golos e foi contratado depois da prova pelo Arsenal.
Acabou no topo a Alemanha, que meteu 11 golos à Lusofonia. Deu 4-0 a Portugal no jogo inaugural do grupo que venceria com apenas um empate (2-2 com o Gana e 1-0 sobre os Estados Unidos). O maior obstáculo dos germânicos foi a Argélia, nos oitavos-de-final. Na equipa africana evoluíam Halliche (Académica), Yebda (que já fora do Benfica e estava no Belenenses até este verão), Ghilas (FC Porto), Brahimi (que viria nesse verão para o FC Porto) e Slimani (Sporting). Os 90 minutos terminaram sem golos e, depois, houve um prolongamento louco, com 2-1 para os europeus. Marcaram Shurrle (92"), Ozil (120") e Djabou (120+2"). Nos quartos-de-final, a França foi mandada embora com um golo de Hummels (13") e chegou o jogo no Mineirão. A Alemanha humilhou o Brasil (7-1) e construiu o "Mineiraço" (depois do maracanaço em 1950, com derrota no jogo em que um empate chegava para ser campeão, o escrete perdeu 1-2 perante 200 mil pessoas frente ao Uruguai).

A Argentina foi conduzida por Messi (Bola de Ouro do torneio), que marcou quatro golos. E ganhou sempre por um golo - ou no prolongamento. Na fase de grupos, 2-1 à Bósnia, 1-0 ao Irão e 3-2 à Nigéria. Nos oitavos, 1-0 à Suíça no prolongamento (pelo ex-Benfica Di María, aos 118"), nos quartos, 1-0 à Bélgica (Higuaín, 8"), nas meias, 0-0 e triunfo nos penáltis sobre a Holanda.
A Holanda que apanharia um Brasil em choque no jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugares e venceria por contundentes 3-0 (Van Persie, de penálti, Blind e Wijnaldum).

No primeiro mundial tecnológico (foi introduzida uma câmara para vigiar a linha de golo, para confirmar se a bola ultrapassava ou não a linha fatal), a final deu ao Facebook um recorde nos dez anos de vida: 88 milhões de pessoas em todo o mundo (e 10% no Brasil) realizaram mais de 280 milhões de ações durante o jogo (comentários, posts, likes, etc.). O jogo foi de muito controlo e acabou 0-0 após 90 minutos. Mario Gotze tornou-se no primeiro suplente a marcar numa final, aos 113".

Do lado das desilusões, houve harmonia ibérica. Espanha tinha sido campeã do mundo em 2010, mas caiu na fase de grupos com duas derrotas (1-5 frente à Holanda; 0-2 com o Chile) e uma vitória (3-0 à Austrália). Repetia-se a maldição dos campeões eliminados na fase de grupos iniciada pela Itália em 1950. Seguiu-se o Brasil (1966), a França em 2002, novamente a Itália em 2010.

Portugal voltou a ver o fantasma do passado e caiu logo na primeira fase. Paulo Bento tinha pegado na equipa após a saída de Carlos Queiroz e conduziu a seleção de Cristiano Ronaldo às meias-finais do Euro 2012. Tal como no Mundial 2010, caiu perante a Espanha, mas apenas nos penáltis (0-0 após 120 minutos). No Brasil 2014, começou por ser goleada pela Alemanha (0-4), empatou com os Estados Unidos 2-2 (olá Mundial 2002, do 2-3 com os americanos...) e no jogo final ganhou ao Gana por 2-1 (Ronaldo a picar o ponto em todos os Europeus e Mundiais que participou, a partir do Euro 2004 até ao Rússia 2018 - oito torneios sempre a marcar, um recorde mundial). Um triunfo curto para as necessidades: precisava de 4-0 para seguir em frente, acabou com os mesmos pontos do que os Estados Unidos, mas foi para casa mais cedo.
Bem melhor esteve, outra vez, a arbitragem portuguesa, com os craques Pedro Proença e Bertino Miranda, assistente com Tiago Trigo. Os dois primeiros já foram considerados melhores árbitro e assistente do mundo, respetivamente. O trio dirigiu o Camarões (0-4) Croácia (segunda jornada da fase de grupos), o Japão 1-4 Colômbia (última jornada da fase de grupos) e o Holanda 2-1 México dos oitavos-de-final, fase a que a seleção não conseguiu chegar. A equipa liderada por Proença ficou no lote final dos 15 árbitros para as meias-finais, jogo de 3.º e 4.º lugares e final, mas acabou por não ser nomeada para mais nenhum encontro.

As outras representações lusas estiveram a cargo de treinadores. Fernando Santos, que foi campeão europeu por Portugal em 2016 e está agora à frente da equipa das quinas no Mundial 2018, conduziu a Grécia aos oitavos-de-final, caindo perante a Costa Rica (1-1) nos penáltis. Carlos Queiroz, que em 2010 tinha levado Portugal aos oitavos em que perdeu com a Espanha, orientou o Irão, que ficou pela fase de grupos (em último num grupo ganho pela Argentina e em que também se apurou a Nigéria; a estreante Bósnia Herzegovina ficou em 3.º). No Rússia 2018, Queiroz continuava à frente do Irão e calhou no grupo de Portugal e Espanha, além de Marrocos.

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