De um lado da rede, os tenistas profissionais. Do outro, a organização do mais famoso dos torneios de ténis do mundo, Wimbledon. Mesmo aproximando-se as finais da competição, marcadas para o fim-de-semana de 11 e 12 de julho, os profissionais liderados por Aryna Sabalenka e Jannik Sinner, número um feminina e masculino da modalidade, e o All England Lawn Tennis Club continuam a bater bolas na imprensa a propósito dos prémios. Por falar em imprensa, a primeira medida tomada pelos atletas para pressionar os dirigentes a aumentar o valor dos prémios foi limitar as participações perante os media a 15 minutos na primeira semana do torneio. A campanha de “protesto por ação direta”, como lhe chamaram, começou na conferência de imprensa pré-torneio do passado fim de semana. Eles, representados por Larry Scott, que ocupou cargos de direção no circuito masculino, ATP, e na Associação de Ténis Feminino, WTA, lançaram um comunicado onde pedem um aumento do prémio monetário para 15% das receitas. Segundo o texto, emitido em nome dos principais jogadores dos circuitos ATP e WTA e na sequência de campanha idêntica realizada durante o torneio de Roland Garros, em França, a organização de Wimbledon paga “ligeiramente abaixo” de 15% das receitas aos participantes.O All England Lawn Tennis Club manifestou-se “surpreendido” e “desapontado” pela pressão dos jogadores por já lhes ter concedido um aumento de 20% este ano, “o maior acréscimo ao prémio monetário da história do torneio”. O total de prémios este ano é de 64,2 milhões de libras (74,2 milhões de euros aproximadamente), um aumento de 10,7 milhões de libras (cerca de 12,38 milhões de euros) face a 2025. “A ideia é fazer com que os jogadores continuem a partilhar do nosso sucesso”, disse Deborah Jevans, presidente da organização, citada pelo jornal britânico Financial Times. Para Jevans, a surpresa vem sobretudo do facto de a 12 de junho os atletas terem acolhido o aumento proposto. “É um passo em frente genuíno e significativo”, consideraram eles, embora tivessem apelado a Wimbledon para que aumentasse o prémio total deste ano para 71,2 milhões de libras (perto de 82,4 milhões de euros).No entanto, dia 24 os representantes dos jogadores afirmaram que o prémio total de 64,2 milhões de libras representava só cerca de 14,4% das receitas de 444,8 milhões de libras (mais ou menos 515 milhões de euros) que se estima que Wimbledon gere em 2026. E notaram que, em 2015, “Wimbledon pagou aos jogadores aproximadamente 14,9% das receitas”.E acrescentaram que propostas como “um fundo de segurança social para os jogadores” e a criação de um “conselho formal de jogadores” não receberam “nenhuma resposta significativa” por parte do All England Lawn Tennis Club.A organização admitiu pontos como o da criação de um conselho de jogadores mas rejeitou a ideia de que o prémio monetário devesse ser calculado como uma percentagem das receitas, sem ter em conta os custos. Afinal, segundo a All England Lawn Tennis Club foi realizado um investimento de mil milhões de libras (à volta de 1,15 mil milhões de euros) nas instalações e nos serviços de Wimbledon desde o início da pandemia de coronavírus.A bola, portanto, não está do lado de ninguém, neste momento. Vamos para tie break..Wimbledon vai doar receitas à Ucrânia e financiará alojamento de tenistas.Open da Áustrália aumenta prémios em 3,4% e atinge valor recorde