Vieira vs. Pinto da Costa: o jogo do poder no clássico da Luz

Desde o último troféu ganho pelos portistas (Supertaça, em 2013), Pinto da Costa viu Vieira festejar 12 conquistas e equilibrar o saldo de títulos na rivalidade entre ambos.

Personagens centrais no tabuleiro do futebol português, Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa vão ter no domingo (18.00) mais um duelo de extrema importância na disputa do poder hierárquico nacional, com um clássico que carrega um peso quase decisivo para a definição do campeão. Com apenas quatro jornadas a faltarem depois do jogo da Luz, quem sair deste Benfica-FC Porto na frente fica muito próximo de um título carregado de simbolismo para qualquer dos dois ex-amigos que a luta pela liderança do futebol nacional transformou em arquirrivais.

Sem celebrar qualquer título desde a Supertaça de 2013, ainda com o técnico Paulo Fonseca, Pinto da Costa atravessa um "jejum" inédito nos seus já quase 36 anos de presidência (tomou posse a 23 de abril de 1982 - foi eleito seis dias antes, a 17) e jogou todas as fichas nesta época na recuperação do trono do futebol português, que viu ser ocupado nestes últimos quatro anos pelo Benfica e por Luís Filipe Vieira.

De facto, desde essa Supertaça de 2013 ganha pelo FC Porto ao V. Guimarães, então treinado pelo atual técnico do Benfica, Rui Vitória, os encarnados ganharam 12 troféus no futebol nacional (entre eles quatro títulos consecutivos de campeão), permitindo ao seu presidente equilibrar as contas num duelo particular com Pinto da Costa que até então estava bem desequilibrado a favor do histórico líder portista.

Comparando o palmarés de ambos os dirigentes desde que coincidem na presidência dos respetivos clubes - ou seja, desde que Vieira subiu a presidente do Benfica, em outubro de 2003 -, o saldo apresenta-se agora nivelado, com 22 troféus para os dragões no futebol sénior, contra 20 das águias (ver quadro).

E se para Pinto da Costa o clássico de domingo pode lançar um regresso à posição dominante a que se habituou ao longo de quase três décadas, para Luís Filipe Vieira não tem menos simbolismo, podendo lançá-lo para um feito que só o seu grande rival ostenta no currículo, na história do futebol português: um pentacampeonato.

Numa época em que o FC Porto liderou um forte cerco ao Benfica não só no relvado como fora dele, com o caso dos e-mails trazido a público através do seu diretor de comunicação, Francisco J. Marques - e que originou investigações judiciais em curso que levaram já à constituição do assessor jurídico da SAD encarnada, Paulo Gonçalves, como arguido -, e num campeonato que tem vindo a ser jogado em vários tabuleiros, dos relvados aos corredores da justiça, passando pelos palcos mediáticos, o clássico de domingo encerra uma enorme carga dramática para estes jogos de poder liderados pelos dois homens que em tempos até foram parceiros de férias e visita de casa um do outro.

Isso foram outros tempos, ainda no século passado, quando Luís Filipe Vieira liderava o Alverca e tinha Pinto da Costa como aliado e dirigente modelo, com o qual chegou até a "festejar derrotas do Benfica" enquanto sócio 28788 do FC Porto, garantiu anos mais tarde o presidente portista, na sua biografia. Depois, Vieira entrou no Benfica como braço direito de Manuel Vilarinho, em 2001, subiu à presidência em 2003, chamou José Veiga para o seu lado e a amizade com Pinto da Costa desfez-se de vez. Vieram os tempos do Apito Dourado, que o Benfica "cavalgou" como o FC Porto cavalga os e-mails, braços-de-ferro que se estenderam até à UEFA, alianças estratégicas de um lado e de outro, e várias peças movidas num tabuleiro que, projetado para o relvado, mostrou nestes últimos anos as peças vermelhas a ganharem posições às azuis e brancas - com o Sporting de lado, a tentar intrometer-se, ainda sem êxito.

Ainda assim, no duelo particular entre os dois presidentes, o balanço continua ligeiramente favorável a Pinto da Costa nestes 15 anos de rivalidade com Luís Filipe Vieira. Em número de troféus, as três conquistas internacionais (Liga dos Campeões e Taça Intercontinental em 2004 e Liga Europa em 2011) neste período fazem pender a balança a favor do líder portista (22 títulos no total, desde outubro de 2003) e expõem essa falha no currículo de Vieira, que perde também nos duelos diretos em campo: 16 vitórias do FC Porto contra dez do Benfica e 12 empates registados, em 38 clássicos entre ambas as equipas. No domingo joga-se o 39.º da era Vieira-Pinto da Costa, com a luta pelo poder do futebol português mais ao rubro do que nunca.

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