Veloso: "As saídas do Paulo Sousa e do Pacheco uniram os benfiquistas"

Por cada sportinguista que lembra o famoso dérbi dos 7-1, na época de 1986-87, há um benfiquista que reage com os 3-6 de 1993-94. Duas goleadas históricas que são recordadas aqui por dois dos seus protagonistas, em véspera de novo encontro entre os eternos rivais lisboetas, amanhã, na Luz. António Veloso, antigo capitão encarnado, fala da partida que celebrizou João Vieira Pinto numa época que tinha começado com a fuga de talentos para Alvalade. Manuel Fernandes lembra os quatro golos ao Benfica e a bola de jogo oferecida como prenda de anos à filha. Dérbi da 16.ª jornada da I Liga joga-se na Luz, na quarta-feira.

Certamente que o célebre Sporting-Benfica do 3-6, a de 14 de maio de 1994, é um dos dérbis que recorda com mais saudade

Sim, claro que sim. Um dérbi com o Sporting ou um clássico com o FC Porto eram sempre especiais, mas esse foi mais ainda, pois estávamos no final do campeonato e sabíamos que a equipa que ganhasse ficaria muito perto de conquistar o título.

O facto de nessa época Sporting e Benfica estarem a lutar palmo a palmo pelo título provocou maior ansiedade nos jogadores?

Um dérbi entre Sporting e Benfica, por si só, já provocava maior ansiedade nos jogadores do que a grande maioria dos outros jogos. Mas, neste caso, estávamos cientes de que qualquer falha poderia ser fatal e deitar tudo a perder na luta pelo título. A concentração de todos os jogadores estava no pico máximo e felizmente tudo correu pelo melhor ao Benfica.

Esse campeonato de 1993-94 seguiu-se ao "verão quente" em que o Sporting "roubou" Paulo Sousa e Pacheco ao Benfica. Isso uniu mais os jogadores e adeptos do Benfica?

Os adeptos do Benfica sempre se caracterizaram pelo grande apoio dado à equipa, em todas as circunstâncias, mas possivelmente as saídas do Paulo Sousa e do Pacheco uniram os benfiquistas, porque é normal que eles não tenham ficado satisfeitos pela forma como eles saíram. Ao longo de toda a época eles ajudaram-nos imenso, quer na Luz quer nos jogos fora de casa. Mas atenção, quem sou eu para julgar o Paulo Sousa e o Pacheco

Nos dias que antecederam esse dérbi sentia-se uma grande euforia entre os sportinguistas. Pensa que essa euforia terá sido prejudicial?

Não sei. O que sei é que os jogadores do Benfica estavam convencidos de que a vitória não seria um passo em frente rumo ao título. Seriam mesmo dois passos em frente! Ou seja, em caso de vitória, dificilmente deixaríamos de ser campeões e demos tudo dentro de campo.

A exibição de João Vieira Pinto nesse dia foi a melhor que viu num dérbi entre Benfica e Sporting?

Falando do próprio João Pinto, ele fez outras exibições do mesmo nível, só que como se tratou de um jogo com o Sporting, com aquele resultado, acabou por ser mais mediática.

Curiosamente, o Sporting adiantou-se no marcador, o Benfica empatou, o Sporting voltou a marcar, até que o Benfica deu a volta.

Sim, foi um jogo espetacular, mas como é costume dizer-se no futebol, não interessa como começa mas sim como acaba. Os jogadores do Benfica demonstraram enorme união e conseguimos dar a volta, ganhando com inteira justiça.

Como foram os festejos no balneário depois da vitória em Alvalade?

Muito efusivos, como é óbvio. Lembro-me perfeitamente de o nosso diretor desportivo Gaspar Ramos entrar no balneário e deparar-se com um clima de grande euforia. Estávamos todos muito alegres, pois sentimos que fizemos história.

Quais os jogadores mais difíceis que teve de marcar em jogos com o Sporting?

O Sporting tinha grandes executantes, mas tenho de eleger dois: o Luís Figo e o Balakov. Eram jogadores com muita técnica e que não paravam quietos na mesma posição. Claro que eu não ia atrás deles pelo campo Felizmente, na maior parte das vezes consegui controlá-los, mas não era nada fácil.

Quais eram os jogos mais especiais para si - os dérbis com o Sporting ou os clássicos com o FC Porto?

Por norma, os jogos com o FC Porto eram mais intensos, em face da maior rivalidade que havia. Não quer dizer que os jogadores do Sporting não fossem intensos, mas nessa altura Benfica e FC Porto dominavam o futebol português e o ambiente era mais escaldante, apesar de o Sporting ser um clube da mesma cidade.

Nesta temporada, o Benfica chega ao dérbi no terceiro lugar, a três pontos de FC Porto e Sporting e afastado das outras competições. Sente que os jogadores do Benfica estarão mais pressionados?

É um facto que o Benfica não tem estado bem. Não é normal nesta fase tão precoce da época o Benfica estar fora de todas as competições, com exceção do campeonato. No entanto, acredito perfeitamente que pode ser campeão, embora tenha a noção de que não será fácil.

Este dérbi poderá ser decisivo para o Benfica?

Sim, acho que este jogo será o virar da página para o Benfica. O campeonato é um objetivo realista e acredito que se a equipa conseguir vencer as coisas serão completamente diferentes.

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