Vanina Guerillot, de 23 anos, volta a representar Portugal nos Jogos Olímpicos de Inverno, quatro anos depois da sua estreia em Pequim2022, numa carreira marcada pela paixão pelo esqui técnico e pela vontade de elevar o nível do desporto de inverno nacional. A atleta de esqui alpino nascida em França — fruto de mãe portuguesa e pai francês — competirá em Milão-Cortina2026 nas provas de slalom gigante e slalom, provas nas quais já participou em Pequim, onde terminou o slalom gigante no 43.º lugar e não concluiu o slalom. “Em comparação com os meus segundos Jogos Olímpicos, tenho menos treinos porque também preciso de trabalhar. Então, os meus objetivos mudaram”, explicou ao Diário de Notícias Vanina sobre a preparação para Milão. “O meu objetivo é mais participar, vivenciar plenamente o evento e tentar esquiar o meu melhor e partilhar esta experiência com os meus amigos que também lá estarão.” Vanina diz que pensa que pode “alcançar resultados semelhantes. Melhorar seria difícil porque estava muito mais em forma há quatro anos. Mas agora, tenho ambições diferentes, objetivos diferentes. É muito importante representar bem Portugal nos Jogos Olímpicos.” .Atualmente instrutora de esqui na estância francesa em Courchevel e estudante de Ciências do Desporto em Grenoble, a atleta sublinha o desafio de conciliar treino, trabalho e estudos. “Estou a tentar fazer tudo ao mesmo tempo. E isso ocupa muito do meu tempo.” Sobre o futuro no esqui competitivo, Vanina admite que ainda não tem data de término definida para a carreira: “Talvez mais um ano. E depois disso, terminarei os meus estudos. E também a minha certificação de instrutora de esqui.” Representar Portugal — país de origem da sua mãe — é algo de que Vanina se orgulha profundamente. “É muito importante para mim.” Nos próximos Jogos, estará acompanhada pelo irmão Emeric Guerillot que fará a sua estreia olímpica em Milão-Cortina, e também por José Cabeça, no esqui de fundo. “Saber que ele também estará nos Jogos Olímpicos é fantástico”, disse Vanina sobre Emeric, reconhecendo o potencial do jovem, sobretudo nas provas de velocidade. “Tem uma ótima atitude. Acredito que ele consegue esquiar muito, muito rápido.” Apesar de gostar da velocidade em geral, Vanina prefere as disciplinas técnicas: “Pratico provas mais técnicas, como o slalom e o slalom gigante. Adoro velocidade, mas interesso-me mais pela parte técnica.” .Vanina falou também sobre o estado do esqui em Portugal, apontando a necessidade de uma estrutura mais solidificada: “Para melhorar o esqui em Portugal, em primeiro lugar, precisamos de criar uma equipa que treine a sério, que organize estágios de treino, que receba apoio durante todo o ano e que tenha um treinador dedicado.” A atleta acredita que isso ajudaria os esquiadores portugueses a treinar no estrangeiro e a competir em melhores condições — algo que hoje falta devido às escassas infraestruturas de neve no país. Filha de um treinador que também foi esquiador e formado em Ciências do Desporto, Vanina vê no percurso do pai uma inspiração: “O meu pai é o meu treinador… e sim, acho o percurso dele inspirador. Por isso quero seguir os passos dele.” Vanina Guerillot continua a ser uma das principais figuras do esqui alpino português e promissora representante do desporto de inverno luso, num país onde os desafios estruturais são tantos quanto as encostas que ambiciona conquistar..Vanina Guerrilot foi a melhor portuguesa no mundial de juniores de esqui alpino.Pedro Flávio: “Tenho a certeza de que em 2030 se vão qualificar mais atletas para os JO de Inverno"