Uma muralha chamada Ederson permite fuga da águia

Benfica marcou um golo no primeiro tempo e outro logo a abrir a segunda parte. Sporting deu luta mas o guardião benfiquista brilhou

O Benfica é desde este domingo mais líder no campeonato - está a quatro pontos do FC Porto e a cinco dos leões - depois de vencer o Sporting na Luz, numa partida muito intensa, onde o espírito guerreiro esteve bem vincado dos dois lados e em que a maior surpresa foi a titularidade de Rafa.

Bem antes do apito inicial as bancadas já estavam ao rubro. Mais de 63 mil pessoas coloriram o Estádio da Luz e isso, por certo, também motivou os jogadores. É verdade que nos primeiros 45 minutos começou por assistir-se a uma partida muito fechada e com pouco espaço para jogar. Havia respeito dos dois lados, algum receio até, mas com o passar dos minutos, aqui e ali, iam-se descobrindo caminhos para desbravar e a verdade é que o dérbi lisboeta acabou por ser de uma velocidade louca.

O Sporting começou por impor mais ritmo, frente a um Benfica calculista ,que concedia algum domínio à equipa de Jesus, mas sempre com a inteligência para anular os ataques leoninos e sair em contra--ataque. Foi num desses lances, após Bas Dost ter tido uma ocasião para marcar, que os encarnados chegaram à vantagem. Os leões ficaram a queixar-se de uma mão de Pizzi na área e consequente penálti, mas o médio, o elemento mais lúcido do meio-campo, saiu com a bola controlada, encontrou Gonçalo Guedes no meio-campo e este deixou em Rafa na esquerda. O extremo, que se estreou a titular num dérbi, assistiu de trivela um veloz Salvio que rematou sem hipóteses para Patrício.

O Sporting entrou mais rápido, mas os jogadores acusaram a desvantagem. Tiveram uma grande oportunidade para marcar, por William, mas o médio atirou por cima, já na área, aos 40" - pouco depois o Sporting queixou-se de mais um penálti por alegada mão de Nélson Semedo. Foi a única ocasião clara dos leões após o golo e ainda antes do intervalo Jiménez esteve perto do 2-0, num lance em que Bryan Ruiz desviou um passe de Pizzi e isolou o mexicano, que permitiu uma grande defesa a Rui Patrício com a mão direita.

O poste e o golo de Jiménez

A segunda parte começou praticamente com o segundo do Benfica, aos 47". Ou melhor, começou com uma bomba de Bas Dost ao poste esquerdo de Ederson, mas no contra-ataque as águias marcaram o 2-0. Salvio isolou Nélson Semedo, este cruzou para a área, onde surgiu Jiménez a voar de cabeça.

Muitos pensaram que o jogo estava resolvido, até baseando-se no que aconteceu ao Sporting quando sofreu o primeiro golo, acusando a desvantagem. Desta vez, porém, isso não aconteceu. Bem pelo contrário! Durante 37 minutos os leões foram donos e senhores do jogo, encostando literalmente os encarnados às cordas. Não foi uma pressão consentida por parte do Benfica. Foi mesmo um autêntico sufoco e foi aqui que Ederson provou todas as suas qualidades.

Jorge Jesus retirou o "amorfo" Bruno César e fez entrar Campbell. E foi o costa-riquenho que revolucionou o jogo leonino, sobretudo no ataque. Os colegas sentiam a sua confiança e até esqueciam que do outro lado estava Gelson Martins. Começou por fazer dois cruzamentos, aos 54" e 60", para Bas Dost e William Carvalho, que só não deram golo por intervenção de Ederson. E depois, aos 69", descobriu a cabeça do holandês e este não desperdiçou. Estava feito o 2-1 e o jogo relançado.

Bas Dost saiu e águia respirou

Quem estava na Luz adivinhava mais um golo do Sporting. O Benfica estava encostado atrás, não conseguia segurar a bola no meio--campo adversário, e só Ederson salvava as águias, com o Sporting claramente por cima. Os encarnados cometiam erros, nomeadamente no meio-campo, sobretudo depois de Rui Vitória ter colocado Pizzi à direita quando entrou Danilo, mas o Sporting desperdiçava.

Ederson era indiscutivelmente quem segurava o resultado, mas Jorge Jesus acabou por dar um brinde ao seu antigo clube, quando decidiu tirar Bas Dost, aos 84". O holandês estava elétrico, apesar de cansado, mas a equipa quebrou com a sua saída. As pernas deixaram de responder e nos últimos cinco minutos, quando Cervi (muito importante a defender e a atacar) já estava em campo, o Benfica voltou a tomar conta do jogo. Não arriscou muito, é certo, mas controlou o suficiente até ao apito final e acabou por vencer o dérbi.

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