Um cavalo a ser eleito desportista do ano? Era essa a vontade popular

Escolha dos leitores não vingou. American Pharoah perdeu título de desportista do ano para Serena Williams

American Pharoah não lê notícias, não tem noção do burburinho das caixas de comentários dos sites e das redes sociais e, claro, não sabe que se transformou uma das polémicas do momento, nos EUA, após ter ficado muito perto de ser eleito desportista do ano, pela Sports Illustrated. O cavalo de corridas (caso inédito) era um dos favoritos a receber a distinção da prestigiada revista norte--americana - à frente de Usain Bolt, Lionel Messi ou Novak Djokovic (entre outros) - e foi o preferido do voto popular (dos leitores online), com uma ampla maioria de 47%. No entanto, a escolha editorial da SI foi outra: a tenista Serena Williams.

O cavalo de corridas puro-sangue americano era o favorito a receber a distinção da Sports Illustrated - que nunca foi atribuída a um animal -, principalmente após ter sido revelado, no domingo, o resultado da votação popular: 47% para American Pharoah, 29% para a equipa de basebol dos Kansas City Royas, 6% para o futebolista Lionel Messi... e percentagens residuais para os restantes candidatos. Contudo, a escolha dos editores da revista, revelada ontem, foi outra.

"ROUBADO. ROUBADO. ROUBADO", tweetou (assim, em maiúsculas), o dono do American Pharoah, Ahmed Zayat, ao conhecer a decisão. E iguais expressões de revolta e indignação, dos adeptos das corridas de cavalos, estenderam-se pelas redes sociais e pelas caixas de comentários das notícias acerca da vitória de Serena Williams. O problema não é a vitória da tenista - uma lenda do desporto mundial, que viveu um 2015 quase perfeito - mas a expectativa criada pelos fãs da disciplina equestre de que chegara o momento de verem um cavalo excecional receber a distinção... habitualmente entregue a humanos.

Correr até fechar o Grand Slam

American Pharoah - o nome resulta de uma gralha, já que o dono, egípcio, queria chamar-lhe Faraó, Pharaoh - seria a primeira figura do desporto equestre a receber o título da Sports Illustrated, desde que o jóquei Steve Cauthen, ainda adolescente (17 anos), o ganhou em 1977. O cavalo bem se esforçou: tornou-se o primeiro a conseguir a Tripla Coroa, desde 1978, ao ganhar de seguida as míticas corridas Kentucky Derby, Preakness Stakes e Belmont Stakes. E, em vez de se retirar em glória (como esperado), manteve-se em competição até conquistar, em outubro, a Breeders" Cup, fechando o ciclo de vitórias conhecido como Grand Slam. "Não houve uma demonstração de desportivismo que se aproximasse da que Zayat e [o treinador] Bob Baffer fizeram com American Pharoah [ao mantê-lo a competir mais uns meses]", resumiu Mark Beech, jornalista da Sports Illustrated, ao explicar a inclusão do animal na lista de 12 nomeados.

A carreira de American Pharoah terminou em beleza, aos três anos e meio de vida, com o triunfo na Breeders" Cup. Já Serena Williams, vencedora do título de desportista do ano, não teve um fim de época tão perfeito - falhou a conquista do US Open, que lhe permitiria juntar os quatro troféus do Grand Slam de ténis na mesma temporada - mas continua a deixar uma marca profunda no ténis mundial.

Em 2015, Serena, de 34 anos (a mais nova das irmãs Williams), ganhou 53 dos 56 jogos em que alinhou, incluindo as finais de Wimbledon, Roland-Garros e Open da Austrália. Mas os editores da Sports Illustrated decidiram escolher a norte-americana também pela sua relevância fora do court, enquanto ícone capaz de desafiar os padrões da beleza, contrariar os limites da idade para ter sucesso em alta competição, ou lutar contra a discriminação racial. Afinal, Serena - primeira mulher a ser distinguida desde a seleção de futebol feminino dos EUA, em 1999, e primeira tenista a receber o prémio desde 1992 - também garantiu um lugar na história.

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