Treze anos depois, Sérgio Paulinho está de volta e preparado para lutar pela vitória

O vice-campeão olímpico de 2004 regressou neste ano ao pelotão nacional e, depois de mais de uma década como gregário de luxo na elite mundial, garante estar preparado para desempenhar o papel principal na Efapel

Foram 12 anos ao lado de alguns dos melhores ciclistas do mundo. Sérgio Paulinho construiu uma carreira de gregário de luxo, tornando--se o homem de confiança de Alberto Contador, que tanto ajudou a conquistar grandes voltas. Agora chegou a sua vez. Sérgio Paulinho regressou a Portugal e, aos 37 anos, é ele quem vai liderar uma equipa na luta pela vitória na Volta.

A experiência tem o seu valor, mas Sérgio Paulinho e o diretor desportivo da Efapel, Américo Silva, enfrentaram um enorme desafio. Em menos de oito meses tiveram de preparar um homem habituado a trabalhar para os outros num líder capaz de discutir a Volta a Portugal. "Essencialmente o que mudou foram os treinos. Tive de fazer uns mais específicos para um líder, mas houve também o trabalho psicológico. O Américo ajudou-me, tal como os meus colegas", explicou ao DN. Agora, Paulinho não poderá pensar em trabalhar uma parte da etapa e depois descansar a pensar no dia seguinte. Como candidato, teve de se preparar para aguentar dia após dia o ritmo de quem tem de estar sempre na frente da corrida.

Os treinos ficaram para trás. A partir de hoje tem de mostrar que está preparado para ser um líder de uma equipa que desde 2012 que não vence a mais importante corrida do calendário nacional (ganhou com David Blanco). "Acho que estou preparado [para ser líder]. Durante a época fui demonstrando isso, tendo estado em quase todas as corridas com os melhores", salientou. A longa ausência da corrida - a última participação foi em 2004 - faz que exista um nervoso miudinho próprio de quem vai lutar pelo grande objetivo da temporada.

Não haver uma chegada à Torre é algo que Sérgio Paulinho admite que o beneficia. No entanto, existem muitas dificuldades até Viseu. "Todas as etapas me preocupam. O percurso acaba por ser mais favorável para mim por não ter a chegada à Torre, mas haverá a Senhora da Graça, a Senhora da Assunção... Vão ser etapas muito duras", referiu. Paulinho alertou para o que tem acontecido em edições anteriores: "Pelo que temos visto nos outros anos, às vezes nem é preciso a etapa da Torre para se fazerem diferenças."

Sérgio Paulinho está satisfeito com a equipa que terá a ajudá-lo, mas não duvida de que os favoritos estão na W52-FC Porto. "Em oito ciclistas, seis podem ganhar. Os grandes favoritos estarão quase todos nessa equipa. É a mais forte do pelotão", realçou. Quanto à Efapel, é "bastante boa e equilibrada".

Os principais candidatos têm quase todos mais de 30 anos. Paulinho considera normal que sejam ciclistas experientes a terem mais condições para lutar pela Volta e explica porquê: "Uma das coisas que notei nas primeiras corridas [quando regressou] foi que quase ninguém controla uma etapa. É sempre ao ataque. Lá fora estava habituado a fazer 50/60 quilómetros até se formar a fuga e não uma corrida em que é sempre ao ataque do princípio ao fim, sem parar um bocado. Para ciclistas que venham do escalão sub-23, mesmo que corram connosco durante o ano, há sempre alguma dificuldade."

Ou seja, o elevado ritmo da Volta, com muitos ataques e contra-ataques, não só requer uma boa condição física mas também experiência na leitura de corrida. Isso é o que não falta a Sérgio Paulinho, que também se faz valer da experiência para lidar com toda a exposição mediática que está a receber sem deixar que isso lhe perturbe a concentração para tentar ganhar a Volta a Portugal

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