"Tenho a certeza de que foi Deus que colocou este desafio no meu caminho"

O guarda-redes brasileiro foi uma das últimas contratações da Chapecoense, mas é um dos mais experientes, sobretudo depois da sua passagem pela Europa, onde representou a Roma de Itália e ainda o Sp.Braga e o Benfica em Portugal

Como foi receber um telefonema da Chapecoense a dizer que estavam interessados na sua contratação?

Foi muito bonito, sem dúvida. Neste momento a Chapecoense é o clube pelo qual praticamente todo o mundo torce. Cada um tem o seu clube de coração, mas depois do que aconteceu, após o acidente, todos acolheram a Chapecoense. Eu fui um deles, não podia dizer que não. Tenho a certeza de que foi Deus que colocou este desafio de jogar na Chapecoense no meu caminho. Não tive dúvidas em aceitar e abraçar esta causa. Quando me ligaram não demorei a responder e quis apanhar o primeiro avião para vir ajudar. Jogar neste momento na Chapecoense não é apenas um trabalho, mas sim uma escolha de vida.

Apesar de toda a emoção que é certamente fazer parte deste clube, aceitar este desafio é também sinal de muita responsabilidade, por ser o plantel que pretende reerguer a Chapecoense depois da tragégia...

Todos os dias lembramo-nos do acidente e comentamos, até porque não é fácil esquecer, por todo o lado que passamos há um símbolo do clube, seja num carro, numa casa, numa loja, em praticamente todo o lado da cidade. Poder reerguer este clube, fazer parte desta história, foi também por isso que aceitei este desafio. A minha família deu-me todo o apoio de que precisava, também eles querem fazer parte desta bonita história. Agora vamos todos trabalhar para que o futuro do clube seja de sucesso.

Depois de ter passado por clubes como a Roma e o Benfica, este, ainda assim, pode dizer-se que é o maior desafio da sua carreira?

São clubes muito diferentes. Na Europa a Roma e o Benfica são dos maiores clubes e mesmo a nível mundial. Agora na Chapecoense sabemos que é um desafio diferente, é praticamente começar do zero. Mas não podemos estar sempre a pensar no passado, temos de olhar para a frente, para o futuro. E é isso que todos aqui querem. Pretendem que as pessoas vejam na Chapecoense um clube com futuro. Será mais um grande desafio na minha carreira.

Com 36 anos é o mais velho deste grupo de 37 atletas e já tinha trabalhado com o treinador Vágner Mancini. Considera que poderá ser um elemento determinante neste grupo?

Todos temos de ser muito importantes. Sei que é um grupo jovem [média de idades de 24 anos], mas temos todos de trabalhar em conjunto. Conheço o Vágner e vou fazer tudo para o ajudar. Há jogadores mais identificados com o clube, com história aqui, esses também serão muito importantes. Eu sei que poderei ter um papel também fundamental, sobretudo pela minha experiência, mas somos todos uma só família.

O Artur foi o escolhido para defrontar o Palmeiras, naquele que foi o primeiro jogo após a tragédia. Como viveu esse dia?

Foi um jogo bonito, mas muito complicado, pois estávamos também a prestar uma homenagem a todos os que morreram. Foi muito emocionante mesmo. No entanto, no futuro, temos de ser inteligentes, dentro de campo deixar as emoções de fora. Vão começar os jogos oficiais e temos de lutar por este clube, pelos seus objetivos.

Devido às campanhas de solidariedade por todo o mundo, a Chapecoense já tem muitos particulares marcados com algumas das principais equipas mundiais, como o Barcelona ou o Manchester City. Já disse que estava disposto a falar com o Benfica sobre esta situação. Mantém essa ideia?

Seria bonito. Em agosto vamos estar na Europa para fazer alguns jogos, como contra o Barcelona, e seria muito bonito jogar contra o Benfica, sem dúvida. A direção da Chapecoense é que poderá dar uma resposta melhor, mas tenho a certeza de que Portugal também gostaria de nos receber. Volto a dizer, se me pedirem para ajudar tenho todo o prazer em fazê-lo, seria muito interessante voltar a Portugal para jogar contra o Benfica pela Chapecoense.

Por falar em Benfica, tem acompanhado a atual temporada?

Sim, o melhor que posso. Sei que estão muito fortes novamente. O Benfica tem uma estrutura muito boa e por isso estão no topo todos estes anos. Fico a torcer pelos meus grandes amigos, desejo-lhes muito sucesso. Tenho a certeza de que vão chegar ao tetra no final desta temporada.

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