Leões condenados a pagar 12 milhões de euros à Doyen

Caso dizia respeito à transferência de Marcos Rojo para o Manchester United. Bruno de Carvalho fala em "dia muito triste para o futebol"

O Sporting foi esta segunda-feira condenado a pagar 12 milhões de euros (ME) à Doyen Sports pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), devido à rescisão dos contratos com a agência desportiva, nomeadamente o relativo ao futebolista argentino Marcos Rojo.

"No âmbito da ação a correr junto do TAS de Lausana com relação aos contratos denominados 'Economic Rights Participation Agreement' (ERPA) celebrados entre a Sociedade e a Doyen Sports Investment Limited, com referência aos jogadores Marcos Rojo e Zakaria Labyad, a Sociedade foi notificada na presente data da sentença proferida por aquele tribunal o qual decidiu pela validade dos referidos ERPA, tendo condenado a Sporting SAD no pagamento de Euro 12.013.990,00, acrescido dos concomitantes juros", lê-se no comunicado enviado hoje pela SAD leonina à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Além do pagamento de 12 ME, foi "conferido à Doyen, em caso de futura venda do atleta Marcos Rojo pelo Manchester United acima de 23 ME, o direito a receber 75% do montante que a Sporting SAD venha a receber, que corresponde a 20% da mais-valia acima do identificado valor".

"A Sporting SAD não se conforma com a sentença pelo que, tendo em vista a defesa dos seus legítimos interesses, se encontra a avaliar os mecanismos legais e processuais ao seu dispor", remata o clube.

O clube lisboeta e a Doyen, que investiu três milhões e era detentora de 75% dos direitos económicos do defesa internacional argentino, entraram conflito no ano passado, a propósito da proposta do Manchester United para a transferência do Rojo, que acabou por acontecer por 20 milhões de euros.

Dias antes da mudança do defesa para Old Trafford, o Sporting rescindiu unilateralmente os contratos que tinha com o fundo de investimento, relativos a Rojo e também ao marroquino Labyad, alegando justa causa.

Com esta decisão, o clube de Alvalade restituiu à Doyen os três milhões de euros que o fundo tinha investido no jogador e pagou quatro milhões ao Spartak Moscovo, clube em que Rojo tinha atuado antes de ingressar em Alvalade e que tinha direito a uma percentagem numa futura transferência.

Na altura, em agosto de 2014, o Sporting anunciou que, da restante verba que recebeu do Manchester United, iria investir nove milhões de euros na construção de um novo pavilhão para o clube.

A Doyen ainda não se pronunciou oficialmente, já que a decisão do TAS está em regime de confidencialidade e só após autorização do Tribunal Arbitral do Desporto vão emitir um comunicado sobre o assunto.

Bruno de carvalho, presidente do Sporting, já reagiu à decisão na sua página do Facebook.

"Hoje é um dia muito triste para o futebol.

Como sempre disse tudo é possível quando se trata de futebol.

Um mundo com o qual não me identifico e que cada vez mais me envergonha.

O futebol não tem a mínima condição de se auto regular, com a sua disciplina e justiça a demonstrarem, constantemente, uma debilidade e uma permeabilidade perante um "sistema" que teima em se querer manter vivo. Próxima fase recurso. Próximo passo a manutenção acérrima pela luta por um futebol digno e credível.

Quanto ao Sporting Clube de Portugal cá estaremos para resolver os vários obstáculos que têm surgido e os outros que teimam em nos colocar pela frente.

Num subsistema (futebol) onde tudo vale e os "bandidos" reinam, a nossa resposta será dada em 2016: manter o foco, manter o rumo e manter a identidade!

Que os nossos adeptos saibam manter o seu apoio, fundamental para se demonstrar a coesão do Clube e com isso a sua força e perseverança em torno de valores, ideais e objetivos.

Que os nossos inimigos nunca subestimem a força da razão e da perseverança. São estes momentos que nos redobram as forças e que ainda consolidam mais as nossas convicções.

Que não entremos em depressões inúteis e que quem hoje vier "cantar de galo" não se esqueça que quando não se tem razão e se tem tantos telhados de vidro mais cedo ou mais tarde verá as suas ações estilhaçadas pois a verdade acaba sempre por se fazer mostrar.

O futebol não pode nem deve ser tomado de assalto e os governos do mundo e a justiça comum já perceberam que tem de se colocar um fim num futebol que se transformou num subsistema opaco, cheio de negociatas, corrupção e onde a criminalidade, nomeadamente pagamento de luvas, apostas ilegais e lavagem de dinheiro, são ações a combater de imediato.

Todas as histórias têm um fim. Neste caso estamos ainda no princípio."

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