Marta Soares já tem requerimento de sócios para destituição de Bruno

Presidente leonino não se demite e considera não haver justa causa para fazer cair o conselho diretivo. Mesa da Assembleia Geral (MAG) verificou ontem os votos de um requerimento com uma sociedade de advogados

A reunião dos órgãos sociais do Sporting desta tarde (19.00) promete. De um lado a mesa da assembleia geral (MAG) e o conselho fiscal e disciplinar (CFD), que, com exceção de um elemento deste último órgão, estão demissionários e pretendem que o conselho diretivo (CD) dê voz aos sócios através da perda de quórum. Do outro lado estará Bruno de Carvalho e a sua direção sem qualquer pretensão de se demitir, pois considera que não há razões para tal, muito menos justa causa para cair.

Este é o cenário, e o que vai acontecer depois - porque algo terá de acontecer - deste contexto inicial é o que o DN vai tentar explicar nas próximas linhas após falar com fontes conhecedoras do processo de uma e outra fação.

Primeiramente Marta Soares vai pedir a Bruno de Carvalho e aos restantes elementos do CD para que se demitam de forma a que possam ser marcadas eleições. No entanto, a menos que surja algo verdadeiramente surpreendente durante o dia de hoje, o CD não cederá e pedirá, isso sim, a marcação de eleições para os órgãos demissionários - MAG e CFD.

Mas, segundo o DN apurou, Marta Soares, presidente da MAG, tem um trunfo de peso; um requerimento subscrito por sócios efetivos com direito, na sua totalidade, a mais de mil votos, conforme exigem os estatutos, devidamente verificados ontem pela MAG em cooperação com uma sociedade de advogados. Isso retira pressão de cima da MAG, que caso não surgisse um requerimento nesse sentido precisaria de se responsabilizar pela convocatória de uma AG extraordinária com vista à destituição do CD. Assim, o ónus fica com os sócios requerentes que "não necessitam de uma fundamentação tão exaustiva", por comparação com a MAG, para pedir esta reunião magna.

"Atos lesivos, divisão, suspeitas"

O DN não teve acesso à fundamentação do requerimento que Marta Soares vai apresentar esta tarde na reunião. Mas um documento ao qual tivemos acesso apontava como fundamentação para a "revogação com justa causa e efeitos imediatos do mandato" de cada um dos sete elementos que ainda compõem o CD a "sucessão de atos lesivos", "desprestigiante atuação pública dos membros do CD", "postura de constante divisão do clube" e "suspeitas e investigações de corrupção no desporto".

Ou seja, tudo indica que com este requerimento a Assembleia Geral Extraordinária vai mesmo realizar-se num prazo de 30 dias, desde que o CD liderado por Bruno de Carvalho não impugne a sua realização, atitude tomada pelo elenco de Godinho Lopes em janeiro de 2013 quando a MAG da altura, comandada por Eduardo Barroso e Daniel Sampaio, aceitou o requerimento de dois sócios, André Patrão e Miguel Paim, que cumpriam todas as exigências. O tribunal deu razão à MAG e a AG extraordinária já não se realizou porque o CD se demitiu em bloco.

É essa atitude que Jaime Marta Soares e restante MAG esperam hoje do CD, podendo o clube poupar uma etapa rumo a eleições.

E essa etapa não é uma etapa qualquer. Há muito receio por parte da MAG e do CFD daquilo que pode vir a acontecer nessa reunião magna. Há uma certeza que fica; a AG extraordinária nunca se realizará no Pavilhão João Rocha, que tem capacidade para quatro mil pessoas, pois a MAG estima que a afluência nunca será menos de dez mil sócios, o que implica uma logística difícil, ainda para mais com a MAG e o CD desavindos, tendo os funcionários do Sporting de se envolver na organização da AG.

Mas não será fácil Bruno de Carvalho ceder, pois, sabe o DN, entende que mesmo numa AG extraordinária com a destituição na ordem de trabalhos os sócios voltarão a ficar do seu lado.

A última esperança

É neste ponto que as coisas estão, mas há uma derradeira esperança por parte da MAG e que passa pela demissão de um elemento do CD até final da reunião dos órgãos sociais que se realiza hoje. E porquê até final? Uma fonte conhecedora do processo garante que será explicado aos sete membros do CD que a Assembleia de destituição pode vir a ficar marcada na história do Sporting pelos piores motivos e que não há necessidade de voltar a colocar o clube no topo da atualidade por razões que nada têm que ver com a sua atividade desportiva. O DN sabe que os vogais Luís Roque e Luís Gestas têm sido muito pressionados a apresentar a carta de renúncia, contudo, foi garantido ao DN que não têm sido os únicos. Por isso, há a esperança de que algum dos sete membros - basta um para o CD perder o quórum apesar de Marta Soares ter dito na semana passada que eram necessários dois - ceda durante uma reunião que se prevê de resolução imprevisível, embora o mais expectável passe pela marcação da AG extraordinária tendo como base o requerimento que Marta Soares levará para a reunião.

Há uma franja que teme que o presidente da MAG volte a ceder e dê mais uns dias a Bruno de Carvalho. Foi isso que fez há um mês, depois de dizer que Bruno de Carvalho não tinha condições, e foi o que fez na segunda-feira, com o CD a aproveitar para tomar medidas de segurança, contratar um diretor para o futebol - Augusto Inácio -, um porta-voz - Fernando Correia - e oficializar duas contratações - Marcelo e Raphinha -, e veremos o que vai acontecer durante o dia de hoje até à hora da reunião.

Mas fonte próxima de Marta Soares salientou ao DN que o presidente da MAG desta feita não cederá.

Muitos na expectativa

Há muitos sportinguistas na expectativa para ver o que vai hoje acontecer. Uns apelam, uma vez mais, à demissão de Bruno de Carvalho, como o Grupo Stromp, que emitiu ontem mais um comunicado a pedir para ser dada a palavra aos sócios. Outros vão tentando juntar trunfos para estarem prontos se houver eleições. Contudo, há quem esteja a pensar apenas no sufrágio para a MAG e para o CFD.

Se porventura se realizarem eleições apenas para os dois órgãos demissionários, há quem esteja preparado - ora da fação a favor de Bruno de Carvalho ora da fação contra o atual CD. Mas essa será uma situação que tem poucas possibilidades de vingar no final da reunião desta tarde.

Entretanto, o DN sabe que Rogério Alves tem feito saber que não deseja ser um fator de divisão, preferindo integrar uma lista de unidade que aglutine várias sensibilidades.

Mas, no que toca ao conselho diretivo, há quem tenha a sua lista praticamente fechada. Falta o essencial, as eleições antecipadas, e esse é um cenário que ainda parece distante. Hoje, contudo, algo irá mesmo acontecer.

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