Fábio Coentrão, a 32.ª prenda que Bruno oferece a Jesus

Lateral-esquerdo emprestado pelo Real Madrid é o 32.º reforço da era Jesus com os leões a suportar 1,3 milhões dos quatro milhões livres de impostos que o defesa aufere

Fábio Coentrão é o reforço número 32 da era Jesus como treinador do Sporting e o oitavo da atual temporada. Finalmente o internacional português foi oficializado como jogador leonino até junho de 2018 na condição de emprestado pelo Real Madrid, que irá pagar praticamente quase 75% do vencimento do esquerdino e que ascende a quatro milhões de euros livres de impostos - o Sporting fica responsável por 1,3 milhões.

Coentrão aderiu a uma moda iniciada com o marfinense Doumbia. Ou seja, primeiro foi o futebolista a anunciar que seria reforço do Sporting e só depois o clube de Alvalade emitiu um comunicado a confirmar o que já era certo. Faltou a fotografia com Bruno de Carvalho, um hábito de todos os reforços do Sporting, seja qual for a modalidade, devido ao facto de o presidente estar fora do país em lua-de-mel. Mas o jogador posou ao lado do team manager André Geraldes.

Por volta das 12.00, o esquerdino publicou uma fotografia em família - acompanhado dos filhos, Vitória e Henrique, e da esposa, Andreia - tirada nas bancadas do Estádio José Alvalade e com uma frase dirigida aos adeptos do clube de Alvalade: "Muito feliz por ter a oportunidade de jogar neste grande clube." E foi assim que a transferência se tornou oficial.

Ontem à tarde, Coentrão realizou o primeiro treino ao serviço do Sporting, emblema pelo qual torcia ainda antes de rumar ao Benfica. E deixou uma mensagem no site dos leões - "já vesti muitas camisolas mas sempre fui feito de Sporting" -, como que a reforçar o que disse em 2007, quando foi noticiada a possibilidade de se mudar para Alvalade e desabafou ao site Maisfutebol: "Nem me quero acreditar! O que senti quando li? Deu-me uma coisa especial, estranha! Sou sportinguista desde pequenino e, obviamente, não consigo ficar indiferente."

Acabaria por jogar em Lisboa... mas no Benfica, clube com o qual cimentou um vínculo que o fez garantir a 5 de junho do ano passado que em Portugal só jogaria no agora tetracampeão quando era ventilada a hipótese de reforçar... o Sporting: "Contrariando rumores de que irei jogar no Sporting, e apesar do respeito que tenho pelos clubes portugueses, em Portugal só jogo no Benfica." Claro está que os adeptos encarnados não perdoaram e ontem invadiram o Twitter de Coentrão para manifestarem o desagrado por o verem como futebolista do eterno rival.

Esta é uma época nuclear na carreira de Coentrão, pois tem no Sporting, com um treinador com quem viveu o melhor momento de forma da carreira, uma grande possibilidade de mostrar que ainda é aos 29 anos aquele futebolista fulgurante que levou o Real Madrid de Mourinho a interessar-se pelos seus serviços. E uma boa época em Alvalade pode levar Fernando Santos a reintegrá-lo entre os jogadores com ambições de marcar presença no Mundial 2018, isto se Portugal lá chegar pois ainda não tem a qualificação garantida. É também a pensar nisto que Coentrão, vinculado ao Real Madrid até 2019, decidiu regressar a Portugal.

32 reforços, 56 milhões

Existe um padrão interessante no consulado Jesus à frente dos destinos dos leões. Na sua época de estreia, Jesus teve direito a 12 reforços, na sua segunda temporada mais 12 caras novas, e agora, numa altura em que o mercado está longe do seu final - termina a 31 de agosto -, já tem oito novos futebolistas para a época que se avizinha.

Ao todo, o Sporting gastou 56,5 milhões de euros em 32 reforços contratados na era Jesus (desde a temporada 2015-16), ainda assim bem menos do que o Benfica no mesmo espaço temporal (72,46 milhões em 30 jogadores) e sensivelmente o mesmo que o FC Porto (53,8 em 24 atletas), com a nuance de que os portistas ainda não efetuaram qualquer operação no mercado neste defeso no que toca a entradas.

Ou seja, estes valores vão-se aproximar, como também o Sporting continuará no mercado, principalmente se os internacionais portugueses deixarem Alvalade. E é quase certo que vão sair dois elementos do quarteto formado por Rui Patrício, William, Adrien e Gelson. Sem falar em Alan Ruiz, que é pretendido na Rússia. Na edição de ontem, o DN revelou o interesse do Zenit. A TVI 24 acrescentou o Rubin Kazan. E a verdade é que nenhum destes dois clubes está longe das pretensões do Sporting - 30 milhões de euros.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.