Altice reúne-se com Sporting, que quer mais de 300 milhões

Bruno de Carvalho diz não ter pressa e lembra os 3,5 milhões de adeptos para receber valores semelhantes aos dos rivais

O Sporting é o único dos três grandes que ainda não vendeu os seus direitos televisivos pós-2018. E, segundo o presidente, Bruno de Carvalho, os leões não estão nada preocupados com o facto de o Benfica ter negociado por 400 milhões de euros a dez anos com a NOS, já a partir da próxima época, e o FC Porto a troco de 457,5 milhões de euros com a Altice por idêntico período, mas a iniciar apenas em 2018, altura em que termina o contrato em vigor dos portistas com a PPTV, de Joaquim Oliveira.

"Fico feliz ao verificar os clubes terem contratos desta dimensão. Mas vamos ver depois nos relatórios e contas o que são estes contratos, de facto, em termos de cash. Interessa-nos muito mais o dinheiro que entra no Sporting do que, propriamente, fazer figuras de grandes negócios e depois o dinheiro não entrar no clube. O Sporting tem contrato [com a PPTV] até 2018 e estava expectante para ver o que acontecia. Neste momento, já viu", referiu o líder leonino em Tavira, ontem, na apresentação da equipa de ciclismo do Sporting, em associação com o Clube de Tavira.

Bruno de Carvalho, no entanto, não deixa de fazer um aviso às operadoras: "O Sporting não estava, não está e não estará em saldo. O Sporting tem um ativo grande, os 3,5 milhões de sportinguistas. É muito povo, muito cliente. Sei que os operadores olham para nós com o carinho e o respeito que o Sporting merece, mas, mais uma vez, como em tudo na vida, com calma e sem stress."

Ao que o DN apurou, o Sporting e a Altice, proprietária da Meo, têm hoje uma reunião que pode ser catalogada de importante. A operadora oferece, ao que conseguiu saber o DN, uma verba na ordem dos 28 milhões de euros por ano pelos direitos televisivos, o que daria 280 milhões por década.

Aqui importa referir que a NOS explicou, na cerimónia de apresentação do seu contrato com o Benfica, que os 400 milhões de euros eram discriminados da seguinte forma: 300 milhões de euros pelos jogos do Benfica em casa e cem milhões pela emissão e distribuição da Benfica TV.

Sobre o negócio do FC Porto com a Altice não se conhecem muitos pormenores, mas uma fonte bem colocada salientou ao DN que os contornos não devem fugir aos mesmos 300 milhões de euros pelos direitos televisivos a dez anos e aos 157,5 milhões de euros pelo restante; emissão e distribuição do Porto Canal por 12 anos e meio; a publicidade na camisola por sete anos e meio e exploração comercial dos espaços publicitários do Estádio do Dragão pelos mesmos dez anos.

Isto serve para explicar que o negócio total, se o Sporting se estiver de acordo com os tais 28 milhões de euros/ano, nunca seria de 280 milhões a dez anos, uma vez que os leões têm também estação televisiva própria e estão também sem publicidade nas camisolas, situação que o FC Porto resolveu com este novo contrato.

Ainda assim, o DN sabe que o Sporting está a estudar todas as possibilidades, um pouco na linha daquilo que Bruno de Carvalho referiu ontem. Em cima da mesa está a possibilidade de aguardar pelo final da presente temporada de modo a poder negociar em alta caso o êxito desportivo culmine na conquista do título nacional.

Em Alvalade também há quem considere que o facto de o Sporting ainda não se ter comprometido com a NOS ou com a Altice só favorece o jogo de paciência da administração Bruno de Carvalho, pois a operadora que pretender ter um poder dominante precisará sempre... do Sporting, que não admite assinar um contrato que preveja números abaixo dos 30 milhões por ano, verba apenas relativa aos direitos televisivos.

Excluindo os três grandes do futebol português, os outros clubes também vão ficar favorecidos com esta guerra de operadoras. O DN sabe que o Sp. Braga está muito perto de se comprometer com a NOS, enquanto o Vitória de Guimarães e o Rio Ave têm bases muito adiantadas de acordo com a Altice. Resta saber como será o panorama futebolístico televisivo a partir de 2018... para o cliente.

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